PARADIGMAS ILKAGES - CAP 11

A densa neblina, ao poucos, se desfazia. É claro, aquele ambiente era permanentemente eneblinado, mas a visibiliade podia estar pouco ou muito prejudicada. Árvores negras permeavam o cenário, especialmente adaptadas para aquele lugar. O chão era firme embora as dunas de areia da praia estivessem próximas.
O sol se levantara há menos de uma hora, preguiçoso se comparado ao humano e ao ilkage que haviam se levantado bem mais cedo.
- Precisamos ter cuidado agora. Este é o território do baruda. – disse Rogr
Felizmente, Tess projetava diretamente nos olhos de Fred tudo que recebia no espectro infravermelho, permitindo que ele estivesse um passo à frente da perfeita visão dos nativos daquele mundo, conseguindo enxergar através daquela neblina.
- Garotão, não sei se viu, mas há algo vivo a dez horas de sua posição. Um pouco maior que vocês e está há cerca de 500 m. – comentou Tess.
O piloto chamou a atenção do companheiro:
- Eu acho que vi alguma coisa naquela direção.
Rogr estranhou. Estava difícil de ver até para um ilkage. Mas respondeu:
- Tem uma árvore relativamente alta ali perto. Vamos subir nela para podermos enxergar melhor.
Levou um tempo para subirem, uma vez que a planta era íngreme e os galhos ficavam no alto, parecido com um coqueiro terrestre, mas ao chegar no topo, a neblina já estava fina suficiente para um bom avistamento:
- Você estava certo, Fred! Olha lá!
Fred olhou. De fato, a criatura das lendas parecia-se com uma lhama, com pernas traseiras grossas e, em seu pescoço, podia-se ver inúmeras bolhas avermelhadas, cobrindo todo o longo membro.
- Você deve estar orando bastante para Chavo, pois eu não estava conseguindo enxergar esse animal de onde estávamos. – deduziu o nativo.
- É isso mesmo – concordou Fred – mas o que é aquilo no pescoço daquele bicho?
- É a arma dele. Ele ataca dando pescoçadas e o mínimo toque naquelas bolhas a fazem explodir soltando um veneno que causa tanta dor que pode matar alguém.
Tess fez sua análise:
- Levando em conta este ambiente úmido, aquela parte do corpo do baruda deve ser coberto de células modificadas parecendo com o sistema de defesa de uma água-viva.
- Mas é mortal?
- Claro que é! Eu acabei de falar! – respondeu Rogr pensando que era com ele.
- Talvez só para os ilkages, que têm sentidos muito apurados, mas é melhor você tomar cuidado com essa coisa... – respondeu Tess para Fred.
- Bom... e o que vamos fazer?
- Preciso caçar este animal, mas preciso estar próximo para acertá-lo com uma flecha.
Fred pensou meio segundo:
- E se eu o espantasse na sua direção?
- O baruda? É mais lógico que ele o ataque por estar em seu território.
- Então... você se esconde e eu o atraio. Tem mira boa?
- Tenho... seu plano pode dar certo. Mas precisamos estar contra o vento para que o baruda não detecte minha presença.
- Perto daquela pedra grande você pode se esconder. Eu chamo o bicho perto daquelas árvores e você atira sua flecha.
O ilkage concordou. Enquanto desciam da árvore, Tess resmungava:
- Você quer mesmo ser astro em velório!
- Que graça teria a vida sem essas aventuras?
Fred fez a aproximação por um campo cheio de árvores a oeste de onde estava o baruda. Rogr se posicionou ao sul, ao lado de uma grande pedra, ao lado de um barranco encostado na praia. O vento contornava a praia, evitando que os atacantes fossem percebidos.
- Você podia me deixar aparecer onde você quer para chamar o animal. Ele não pode me machucar. - tentou chamar à razão Tess.
- Sem graça! - respondia enquanto chegava lentamente.
Finalmente todos a postos, Fred gritou para o baruda:
- Ei, seu bicho feio! Por que não compra uma blusa com gola rolê?
O baruda imediatamente levantou a cabeça. Viu Fred e correu na sua direção, com a cabeça parcialmente abaixada.
Os ilkages dizem que nunca erram, mas podem desleixar. Naquele dia, Rogr não calculou a umidade que estava no chão e, ao posicionar a perna atrás para atirar, seu pé escorregou, o levando a cair no barranco, deixando Fred sozinho frente a frente com o baruda...


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