PARADIGMAS ILKAGES - CAP 7

Os humanos, até a época de Fred, já haviam explorado dezenas de milhares de mundos pela galáxia. Porém, no quesito historiador, nenhuma outra raça conseguia se equiparar, até então, aos Contadores de História de Ilkage.
Embora primitivos, os Contadores contavam com uma pequena plataforma circular, formando um palco de pedras rudimentar. No alto, o artista se punha ao lado de uma fogueira bem no centro. Ao lado, havia um carrinho com uma enorme quantidade de apetrechos usados pelo narrador. Os espectadores se distribuíam num conjunto de dois círculos concêntricos muito próximos. Os mais altos permaneciam sentados no círculo mais externo. O mais baixos podiam até deitar no círculo mais interno. A altura de Fred era bastante mediana em relação aos alienígenas, o que o permitiu escolher entre o círculo maior e o menor. Fred optou por uma posição relaxada mais próximo do centro.
O Contador começou:
- Os ancestrais os saúdam, meus filhos! Hoje lembraremos dos que dormem graças à infâmia de Ritlo!
Alguns, mais velhos, mostraram certa tristeza. Os mais jovens pareciam animados, pois alimentariam a fome de suas determinações. Fred parecia atento.
- Tudo começou quando o Grande Olho Vermelho criou este mundo!!! - e, dito isso, jogou ervas enegrecidas na fogueira, fazendo-a crescer muito e ficar avermelhada. Sua luz vermelha se pronunciava por vários metros.
- Ele deve estar falando do Sol deles. Quase todas as culturas primitivas têm, como seu primeiro deus a estrela em torno do qual seus planetas orbitam. - Tess falou baixo.
Fred abanou a cabeça disfarçadamente. O Contador então pegou um pano esburacado e começou a correr em volta da fogueira com ele sacudindo.
- Foi neste mundo que esse deus colocou seus irmãos! Os patriarcas de nossas tribos!
O efeito era fantástico: os buracos deixavam passar a luz vermelha da fogueira formando figuras que pareciam estar em movimento. Era primitivo, mas muito eficiente. O Contador, então, tomou um pequeno cesto de frutas.
- As Terras do Norte eram boas. Havia comida, muita comida disponível. - explicava isso enquanto distribuía três frutos formosos. - Porém, as Terras do Sul eram pobres. - e deu mais três frutos, estes mirrados e enegrecidos. Um destes ele deu a Fred.
- Então, com sabedoria divina, nossos deuses instituíram um costume: os clãs iriam batalhar entre si - e de posse de duas espadas, o Contador emitia barulhos com o choque entre os metais - e, aos vencedores, estes poderiam escolher as terras férteis. Os perdedores seriam donos de terras ao sul. - e, então, espargiu na platéia um líquido volátil como o álcool que, ao cair na pele, a evaporação rápida causava a sensação de frio. - É assim até hoje!
- Foi nesse tempo que Fla, nosso patriarca e deus chegou a estas terras... - o historiador voltou para seu carrinho e começou a procurar - ...terras estas dominadas por... Baruda! - e mostrou uma boneca.
O brinquedo era a representação do animal anunciado pelo Contador. Se assemelhava a uma lhama terrestre, porém, seu pescoço era coberto de agulhas, o corpo coberto de penas e as patas traseiras eram mais grossas que as dianteiras. O ilkage se dirigiu a Fred, lhe estendendo o boneco.
- Pode tocá-lo e senti-lo, mas tome cuidado com seu pescoço. - entregou - Sim! O pescoço é a arma desta criatura! Ninguém pode invadir o seu território, ou será chamuscado pelo veneno que habita em seu pescoço!
Fred olhou e devolveu. Notou certa frustração no olhar do Contador.
- Você sentiu tão pouco a pele do animal, irmão... Mas não tem problema! Sua tribo não é aqui. Não precisa mostrar coragem enfrentando um baruda! Porém, Fla demonstrou grande coragem ao matar o primeiro. Não esses pequenos do tamanho de ilkages, mas o pai dos barudas, que devia ter 10 vezes o tamanho dos normais! - revelou enquanto guardava o brinquedo no carrinho e procurava outro.
- As histórias que viram lendas costumam ser bastante exageradas... - comentou Tess.
- E, vocês me perguntam, com o que Fla matou o animal? - o ilkage segurava uma tocha - Com isso!!! - e eis que o Contador exibiu um grande rubi em estado bruto, do tamanho de uma cabeça. Estava bem trincada e havia sinais de sangue e uma gosma branca há muito seca. Com a tocha, passou sua chama atrás da pedra, iluminando o outro lado com uma luz vermelha.
- Isso mesmo! A Pedra do Grande Olho! Com ela, Fla reivindicou estas terras! Terras onde encontramos paz e prosperidade pois as tribos temem viver tão próximas dos barudas! Somente nós, com a coragem concedida a cada dia por Fla, vivemos nestas terras!
Fred empolgou e começou a bater palmas. Todos ali começaram a olhar para ele. Logo respondeu com certo constrangimento:
- Er... desculpem. Em minha tribo, quando gostamos de uma história, batemos palmas.
O Contador assumiu um tom mais sombrio em sua narração:
- Porém, o deus Nazo perverteu toda esta lei. O seu clã, uma vez expulso das terras do norte, foram viver próximos a um vulcão... - e mais folhas fizeram o fogo ficar intenso e emitir brasas pelo ar - E foi neste vulcão que Nazo resolveu estabelecer sua morada.
Novamente, o Cotador começou a chocar as espadas, mas logo parou:
- De repente, o clã Nazo decidiu sair das guerras e, por conta própria, decidiu se estabelecer nas mais gélidas terras do sul, onde recebiam apenas o calor de seu vulcão. No princípio, ninguém se importou, pois era um inimigo a menos. Mas ninguém sabia da escuridão que viriam após... - e, com um pano, apagou a fogueira, deixando brasas ainda acessas.
- Não sabíamos, mas, acreditando na paz, um grande barulho nos sobreveio! - e bateu forte um tambor. O Contador adicionou novas folhas, que realimentaram uma chama branca.
- Com instrumentos mágicos forjados nas entranhas da casa de Nazo, Ritlo começou a dominar, uma a uma, as terras do sul! Com compridas varas de metal, os inimigos morriam quase que instantaneamente e muitos, somente feridos, morriam pouco depois. Quando as pessoas ouviam o barulho - e bateu forte no tambor - era como se estivessem ouvindo a voz da morte chegando.
- Fred, isso se parece com... - começou Tess.
- ... armas de fogo! - concluiu Fred.
O Contador, ignorante da existência de Tess, olhou para Fred.
- É assim que seu povo chama as armas de Ritlo?
- Er... sim! Os poucos que viram e voltaram para contar história chamam assim.
- Interessante...
- Mas, afinal, quem é esse Ritlo?
- É o líder e sumo sacerdote de Nazo! - responder Rogr, que estava próximo.
- Sim... Ele prega que Nazo trará para viver em sua casa confortável somente os guerreiros mais fortes. Os fracos e inimigos... - continuou o Contador.
Ele jogou com força novas ervas que emitiam cinzas, criando um efeito gigantesco, repentinamente, na fogueira, enquanto gritava:
- SERÃO JOGADOS NO VULCÃO!!!


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