CHEGADA NO PARAÍSO - CAPÍTULO FINAL

Um aglomerado de pessoas podia facilmente deter uma luta entre dois bruxos. Mas o mesmo se aplicaria a uma multidão diante de um psicopata atirando para todos os lados: o resultado só poderia ser um tumulto causado por pessoas em fuga.
Quando Amaranto percebeu que seu poder não tinha efeito sobre Cássia, ele paralisou por um par de segundos, o dando tempo dele ser atacado por uma grande pedra.
Porém, o que surpreendeu Alaústre, Cássia e Xandro foi o contra-golpe, dado por reflexo, quando uma bola de água desviou o curso da pedra, caindo no meio da multidão.
Foi o bastante para Amaranto despertar:
- Vou matar vocês!!!
Num gesto, farpas de água começaram a sair da fonte e se tornarem gelo. Não era possível ver onde estava Cássia, ou quem quer que havia atirado a pedra, devido ao grande tumulto. Assim, as farpas começaram a cair como uma chuva mortal na população.
Cássia, Alaústre e Xandro haviam se abrigado atrás de uma casa próxima:
- Temos que fazer alguma coisa! As pessoas estão se ferindo!
- Mas o quê??? - perguntou Alaústre.
Xandro permanecia pensativo. Isso incomodou o amigo:
- Xandro! No que está pensando?
- Ele está usando muito poder. Como não se cansa como nós?
Cássia olhou. Disse:
- Acho que já sei! Olha para o braço dele!
Os amigos olharam. De fato, as mangas pareciam estar se rasgando. O pescoço mesmo de Amaranto parecia mais musculoso.
- É isso! À medida que ele usa magia, fica mais forte! - deduziu Xandro.
- Não quero ser pessimista, mas como vencemos alguém com poder inesgotável? - perguntou Alaústre.
Nisso, Catarina acordou. Ela percebeu o grande massacre que se seguia. Num pulo, segurou o braço de Amaranto, fazendo-o interromper o ataque. Várias pessoas jaziam mortas no chão. As vivas já haviam fugido para suas casas.
- Pare, Yusuke! Você não tem idéia do que está fazendo???
Amaranto puxou o braço e, num gesto totalmente, cortou a jugular da mulher que amava. Nem pareceu se afetar. Começou a gritar:
- Bruxa!!! Onde... está... bruxa!!!
Cássia ficou chocada:
- Ele matou Catarina! Como pôde?
- Parece que o poder dele está deixando ele grande e burro... - observou Alaústre.
- É isso! É assim que vamos vencê-lo! - percebeu Xandro.
- Como? Chamando ele para um debate intelectual?
- Não! Não percebe? A mente dele está ficando nebulosa. Não consegue raciocinar direito.
- E daí?
- Como ele vai conseguir usar a mágica dele assim?
Os amigos de Xandro olharam para ele. A idéia parecia boa.
- Mas como vamos fazer ele gastar tanta energia?
- Deixem isso comigo. Quando ele estiver distraído, ataquem ele com tudo. - disse tirando do bolso algo que parecia uma goma de mascar.
Amaranto buscava ensandecido por Cássia quando ouviu um grito:
- Ei, policial incompetente! Tente me prender de novo!!!
Era Xandro, mascando algo. Imediatamente Yusuke lançou um forte jato de água, rapidamente esquivado com uma velocidade sobrenatural pelo cientista.
- É só isso que sabe fazer??? - atiçou mais.
Grandes lanças de gelo começaram a voar por todos os lados, esquivadas cada vez mais rapidamente. As roupas de Yusuke já haviam rasgado a esta altura. Só sobrara o turbante e a túnica estava na altura da cintura. Yusuke parecia ter cada vez mais dificuldade em materializar magia, mas ele ainda podia ser letal.
Nisso, Cássia e Alaústre entraram na briga. Alaústre fez chover pedras por todos os cantos enquanto Cássia usava os próprios apetrechos criados pelo maligno bruxo.
Para se proteger, Yusuke usou de todas as suas forças para criar um poderoso e gigantesco escudo de gelo em torno de si. Nada ultrapassou o escudo, mas logo tudo cessou. E o escudo se transformou numa tumba gelada.
Xandro estava caído. Cássia correu em sua direção.
- Xandro!!!
O cientista se levantou. Falou com voz mole:
- Eu estou bem... mas esse chiclete de velocidade cansa demais...
Logo Alaústre chegou:
- Acho que demos um fim a esse monstro.
- Vocês entraram na hora certa. Yusuke acabou se prendendo lá dentro... Não deve ter mais poderes para sair de lá...
- Eu... fiquei muito preocupada com você... - disse Cássia, com ternura.
Xandro levantou-se e respondeu friamente:
- Eu estou bem.
Alaústre tentou mudar de assunto:
- Puxa! Depois dessa seremos heróis!
- Heróis bruxos? Duvido... - respondeu pessimista.
- Não viram nem eu nem você agindo. Quanto a Cássia, podemos dizer que era Catarina...
Porém, um barulho forte rompeu o momento: o casulo de gelo estava despedaçado e, saindo de lá, um gigante musculoso, com um véu que anteriormente era um turbante e a túnica virara um saia.
- É Yusuke! - gritou Alaústre.
O ex-policial tentou fazer gestos mágicos, mas parecia que seu poder havia esgotado. Porém, seu poder destrutivo era grande e, como por instinto, agarrou o Machado Alfa, uma estátua de metal em forma de machado que decorava a praça. Agora ele era um gigante com um machado e começou a atacar.
- Separem-se! - gritou Xandro.
Cada um foi para um lado, mas o gigante parecia ter interesse mesmo em Cássia. Ela fugiu voando pelas vielas da cidade com o monstro em seu encalço. Logo ele se atrapalhou e ela conseguiu fugir. Alaústre e Xandro a alcançaram.
- Ele vai destruir a cidade toda! Precisamos impedi-lo! - disse Alaústre.
- Como? Não há nenhuma arma grande o suficiente na cidade que possa abater um gigante como ele! - descordou Xandro.
Cássia, pensativa, veio com uma resposta:
- Podemos jogá-lo da beira do abismo!
- Mesmo que ele não sobreviva à queda, como o levamos até lá? - questionou o geólogo.
Com um pouco de dificuldade para responder, Cássia propôs:
- Eu... posso atraí-lo até lá. Ele quer a mim.
Xandro assustou:
- O quê? De jeito nenhum! Você pode morrer!
- Não temos outra opção! - e saiu voando.
Yusuke percebeu e saiu atrás dela.
- Venha, Xandro! Vamos pegar um cavalo para ir atrás deles! - puxou Alaústre.
Os longos passos de gigante forçavam Cássia a voar rápido. A todo o vapor, vinham seus amigos logo atrás.
Quando os dois amigos chegaram à beira do penhasco, viram Cássia voando como uma mosca chata ao redor do gigante. Ela já parecia visivelmente cansada.
- Alaústre!!! Aquela pedra!!! - apontou Xandro.
Alaústre agarrou sua gema de energia. A pedra era enorme e o nariz do mago começou a sangrar. Mas conseguiu atirar a pedra em Yusuke.
Ao atingir o alvo. o gigante, desatento, começou a perder seu equilíbrio. Ele era lento, mas parecia que ia recuperar-se. Foram nestes décimos de segundo que os olhos de Cassia encontraram-se com os de Xandro. Seu terror era visível. Ela deu um sorriso triste e com os lábios disse:
- Eu te amo!!!
E, numa espiral rápida, atingiu o gigante desequilibrado caindo, junto com ele pelo penhasco.

Uma semana depois, a cidade voltava ao normal. Leonard era o aclamado líder e o preconceito contra os bruxos estava no auge.
Nada disso tinha importância para Xandro, que olhava com tristeza para o escuro abismo.
- Xandro, você não vai achar Cássia. Lá embaixo é impossível de enxergar. - comentou Alaústre encontrando o amigo.
- Eu nunca vou me perdoar pelo modo que a tratei antes dela morrer. Você sabe disso...
- Eu sei. Mas ela morreu sabendo que você ainda a amava. Isso é que importa.
Xandro se limitou a concordar com a cabeça.
- O que vai fazer agora?
- Vou ser tutor do filho de Layana. Eu prometi isso a ela quando Cássia era viva. Ela sabia que Ralf também tem poderes e seria bom ajudá-lo.
- Você vai ficar bem com isso? Afinal...
- Vou tentar. Acho que devo isso, pelo menos. Vamos embora.
Os amigos se viraram. Repentinamente, uma brisa aquecida tocou o rosto de Xandro.
- Cássia! Você está aqui?
Alaústre estranhou e se voltou para Xandro.
- Do que você está falando?
- É Cássia. Pude sentir uma brisa aquecida em meu rosto. Acho que ela deve estar bem, onde quer que seja!
Alaústre olhou em volta. Não estava frio e sabia que uma brisa mais aquecida não seria anormal naquelas imediações. Mas achou melhor não ser cético naquele momento.
- Talvez ela finalmente tenha chegado no verdadeiro paraíso...

FIM

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