CHEGADA NO PARAÍSO - CAP 33

Leonard selecionava demoradamente a sua roupa. Sentia que estava no inferno. Ironicamente, este inferno ele mesmo criara.
Ele sabia que fizera de tudo para criar uma inimiga em sua própria casa. A enganara e a forçara a deixar toda a sua vida para trás para que ele pudesse estar bem. Conseguira tudo o que sempre sonhara, mas o egoísmo e a ganância têm uma forma estranha de premiar aqueles mais se esforçam. Agora todo o poder adquirido parecia uma maldição.
Quando Catarina encarou aquele anão da primeira vez ele logo percebeu que ela também adquirira poderes estranhos ao chegar naquele planeta. 
Logo que percebeu, ele foi falar com ela. E ela lhe propôs um negócio irrecusável: ela retiraria todo o conhecimento de como sobreviver e prosperar naquele planeta da mente do anão e ainda seria sua aliada nos conchavos políticos que lhe dessem poder e comando prático sobre todos. Seu preço? Simples: eles seriam casados só na fachada e ela poderia se entregar a quem quisesse.
O preço era baixo e ele aceitou no ato. Porém, nada parecia tão simples assim.
Catarina parecia querer que, embora Leonard exercesse comando de fato, ele sempre parecesse estar em segundo lugar. Uma precaução para que nunca se desconfiasse deles.
A arrogância dele era grande. Ele sempre quis ser grande. E isso o consumia. E, às vezes, parecia que era isso mesmo que Catarina queira.
Porém, o sofrimento começou a ser tolerável com Maruska. Um dia, numa taverna, ele bebia numa mesa afogando suas mágoas quando a encontrou. Após tocar suas músicas, Leonard a procurou em seu camarim. A encontrou conversando com uma garçonete que dava de mamar a seu filho.
- "Nosso filho!" - pensou em voz alta.
- O que foi, papai?
Era Enod, o filho de Catarina.
- Não é nada, filho. Não é nada.
E, de volta ao presente, Leonard escolheu o manto púrpura para seu discurso. Ele precisava parar de pensar na falta que ela fazia. Mas ele viu que isso se tornava impossível ao descer as escadas por onde ele sempre encontra os dois filhos brincando. Ou apenas um. Ele nunca teve muita certeza se Enod era seu filho mesmo. Mas ele gostava de Zorus. Às vezes era algo que ele até demonstrava. E de propósito.
Catarina não ligou de Leonard trazer uma amante para a mansão com a desculpa de ser babá. Mas como mãe, ela odiava quando o marido desprezava seu filho. E era assim que a vida continuava: Catarina como principal manipuladora e Leonard mostrando seu poder ao irritá-la.
- Sua carruagem está pronta, senhor.
- Obrigado, Jarbos. Vamos seguir para a praça principal. A população espera meu discurso.
- Só não preste muita atenção se a carrugem balançar um pouco. Há um desequilíbrio num dos eixos.
Desequilíbrio. Foi nisso que ele pensou quando Maruska anunciou a suspeita sob Catarina. Era perfeito: Ele nunca pôde bolar planos para afastar Catarina pois ela podia ler seus pensamentos, mas, ali, surgia uma oportunidade disso acontecer sem ele sequer pensar em nada. Ele não sabia dos detalhes da morte de Roger, mas se provasse que Catarina era culpada, ela seria eliminada para sempre. Com tanta gente ali ouvindo Maruska, seria impossível a bruxa limpar as memórias de todos. Ele finalmente estar
Porém, ele não contava que Amaranto também fosse um bruxo e eles conseguiriam bolar um plano a tempo de se livrarem da culpa.
- Senhor Leonard, chegamos.
- Desculpe, não havia percebido. Estava concentrado em... meu discurso.
- Ah, sim. Espero seja um bom discurso.

- Não se preocupe. O dia de hoje será memorável!

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