CHEGADA NO PARAÍSO - CAP 25


- Esperem! Esperem! Isso não é prova de que Maruska é a culpada! Qualquer um poderia ter uma paleta como essa! – disse Leonard chamando o povo à razão.
- Ninguém, além de Maruska, usa paleta de madeira para tocar violão nesta cidade. Na verdade, ela é uma das poucas pessoas que toca este instrumento. – colocou Amaranto calmamente.
- Ela esteve hoje falando comigo e com o prefeito! Ela pode ter esquecido sua paleta lá e o verdadeiro culpado pode ter pego para incriminá-la! – continuava Leonard defendendo em voz alta.
Amaranto chegou próximo do novo prefeito.
- Já caçamos bruxas por menos que isso, Leonard.
- O que quer dizer, capitão? – perguntou com firmeza.
- Eu, nada. Mas isso pode fazê-lo, aos olhos do povo, um amante de bruxas, o que faria com que você perdesse toda a sua autoridade...
Leonard inspirou fundo. Pensou por um segundo e voltou-se para a multidão.
- Todos aqui! Detestamos as bruxas e feiticeiros, não é mesmo?
Aquilo tirou um grito primitivo de apoio daquela gente.
- Vamos matar a todos, não é mesmo? Vamos extirpar o câncer que infecta nossa sociedade, não é mesmo?
O grito aumentou. Os ânimos se elevavam. Xandro, Cássia e Alaústre se encolhiam diante daquilo.
De repente, Leonard apontou para uma direção vaga na multidão:
- E se eu disser que você é um bruxo?
As pessoas tentaram começar a olhar para a direção apontada por Leonard, mas antes que se descobrisse para quem o novo prefeito apontara, ele apontou para outra direção:
- E que você também é um bruxo?
E logo mudou de direção e fez isso mais vezes:
- E você? E você? E você?
No último apontamento, Leonard apontou para o próprio Amaranto.
- Onde você quer chegar, Leonard? – gritou o policial em meio ao zumzumzum perdido da população.
- O que quero dizer é que, ninguém para quem apontei era um bruxo. Mas se eu apontasse para você, que não sendo bruxo, fosse morto sendo inocente? Seria um grave crime para nós e péssimo para quem foi acusado.
- E...? – continuou Amaranto.
- E que, em minha administração, vou ser cauteloso antes de levar alguém à morte! E, neste caso, precisamos ter mais provas antes de acusar Maruska. Provas irrefutáveis!
Nisso, um cavalgar pôde ser escutado. Um cavalo se aproximava.
- Fulmo? – reconheceu Xandro.
Lá estava o cavalo de Adam, trazendo em seu lombo o seu mestre e mais uma personalidade conhecida: Catarina.
O povoado virou-se para a montaria. Cássia estava confusa:
- O que Adam faz aqui com Catarina? Ele devia ter ficado ajudando Layana.
Logo a dupla chegou ao local onde estavam Leonard e Amaranto. Catarina desceu do cavalo:
- Que bom que estão todos aqui! Trouxe uma testemunha! Alguém que viu o assassino de Roger fugir.
Todos voltaram-se para Adam. Este disse em voz firme:
- É verdade! Eu vi uma pessoa fugir do local onde Roger foi assassinado! Estava pingando água e deve ter usado uma bruxaria de água para afogar o marido de Layana, assim como foi feito com o prefeito Kintê!
Xandro estava pasmo:
- Mas... mas... ele disse que não havia visto ninguém naquele dia! Vim conversando com ele!
Enquanto Xandro balbuciava sem ninguém lhe dar atenção, Catarina continuou:
- E quem era Adam?
A resposta de Adam foi automática:
- Maruska!!!
Gritos por toda a multidão. Amaranto se sobrepôs aos gritos, acolhendo a atenção novamente.
- Devemos interrogar Adam para termos certeza, senhor prefeito?
Os olhos de Leonard chispavam ódio, mas ele se conteve, dando uma resposta política:
- Não é preciso! Adam é um reconhecido membro de nossa comunidade e posso confiar no que ele diz. Vamos à minha casa!
Catarina voltou-se para o ex-soldado e lhe disse:
- Obrigado por sua ajuda, Adam. Pode voltar para aqueles que você ama.
Cássia acho estranho aquela despedida. O cavaleiro fez meia-volta e desapareceu na escuridão tão rápido quanto chegou.
Leonard continuou:
- Eu mesmo irei prender Maruska para que ela não se assuste e queira matar mais homens!
Começou a seguir em direção à sua casa. Mal se virou e gritou suas ordens:
- Os homens corajosos que desejarem me seguir, devem fazê-lo em silêncio!
Curiosamente, quase toda aquela gente quis ir com Leonard. Seu carisma era inegável. Alguns poucos se foram. Xandro, Cássia e Alaústre permaneceram onde estavam.
- Sou só eu, ou tudo isso foi muito estranho? – comentou Alaústre.
- Muito. Ainda mais porque Maruska não tem poderes mágicos. – disse Xandro.
- Não??? Tem certeza?
- Sim. Examinei os filhos dela recentemente e apertei as mãos dela quando terminei. Em momento algum senti nela qualquer poder.
- E no filho?
- Talvez. Mas se ele tiver poderes, está dormente. Eu senti uma aura diferente nele. Era como se ele tivesse sido alterado geneticamente em algum momento da vida dele, mas, seja o que for, não tem nada a ver com o mago que procuramos.
- Mas e quanto a Adam? Por que mentiu para nós? – questionou Cássia.
- Ou mentiu para os outros. Quando conversamos, ele me pareceu bem sincero. – disse Xandro.
- Bom, seja o que for, devemos conversar com ele amanhã de manhã. – propôs Alaústre.
- Concordo. Também achei estranho Catarina dizer “volte para aqules que você ama”. Todo mundo sabe que Adam é um homem solitário. – continuou Cássia.
- Vamos. Amanhã pensaremos melhor nisso. Aláustre, pode vir À nossa casa de manhã para podermos seguir para o rancho dos Mirdoff?
- Certamente, Xandro.
Começaram a seguir a trilha de volta quando um gritos chamaram a atenção deles.
- O que foi isso? – perguntou Alaústre.
Os três aguçaram seus sentidos. Puderam escutar:
- A bruxa foge para o norte!

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