CHEGADA NO PARAÍSO - CAP 19

Já passava da meia-noite quando Xandro e Cássia chegaram à sua casa. Caminhavam lentamente, sem querer conversarem um com o outro. As roupas do biologista estavam cobertas de sangue e sua maleta parecia muito pesada.
Ao chegarem, se depararam com Alaústre, que estava no alpendre. Parecia que tinha levado um surra.
- Tudo bem, Alaústre? - perguntou Cássia.
Alaústre mal conseguia respirar. Estava cansado e ferido.
- Tudo!
Xandro não pensou duas vezes: correu em direção ao amigo e lhe deu um remédio num vidro que tirou de sua maleta.
- Beba isso!
Alaústre fez o que lhe foi pedido. Logo, começou a se sentir melhor.
- O que foi isso? - perguntou o geólogo.
- Uma poção que criei. Este meu poder de sentir magia me permite, também, criar poções mágicas, mais potentes que os remédios comuns.
- Um bom uso em conjunto a seus conhecimentos de botânica e biologia. - comentou Alaústre.
- Sim! Eu o chamo de Alquimista! - disse Cássia empolgada.
- Mas, o que aconteceu com você? Alguém descobriu o seu segredo e tentou te matar? - perguntou Xandro preocupado.
- Não. É outra característica da "magia" que existe neste planeta: se eu não estiver mais conseguindo retirar energia das minhas forças, eu retirar da minha vitalidade. E precisei gastar muita energia para chegar com o corpo até aqui.
- Entendo. Você veio trazendo a câmara onde estava o corpo por baixo da terra como você havia pensado? - perguntou Cássia.
- Sim. Movia a terra em volta da mesma forma que o trato digestivo faz com movimentos peristálticos. Andava cerca de meio quilômetro em dez minutos e descansava depois quase 2 horas. Quando eu estava chegando aqui, vi que precisava me apressar para não levantar suspeitas e comecei a gastar minha energia vital também.
- Foi um caminho bastante longo. O local da morte foi há cerca de 5 quilômetros daqui... - disse Xandro.
- E como foi com Layana? Cássia conseguiu usar seu poder de vento para levar vocês voando?
Cássia entristeceu-se e sentou ao lado de Alaústre.
- Sim... Consegui...
Alaústre entendeu:
- Como foi com Layana?
- Nada bem. Quando ela viu o brilho vermelho, acho que entendeu na hora que era seu marido. Começou a entrar em trabalho de parto prematuro. Eu consegui salvar sua vida, mas a criança não teve a mesma sorte... - respondeu Xandro.
- Lamento... - respondeu Alaústre.
- Eu avisei à família que Roger havia morrido. Donis nem se importou. Adam vai passar a noite lá ajudando a cuidar de Layana.
Alaústre coçou a cabeça:
- Você criou também algum antibiótico mágico para ela?  Não vi ninguém ainda passar por algo assim e não temos esse medicamento aqui.
Xandro e Cássia deram um certo sorriso em virtude da pergunta levemente fora do contexto da tragédia. Xandro explicou:
- Há algo no ambiente deste planeta que impede a proliferação de bactérias em ferimentos. É como se vivêssemos numa grande sala de cirurgia.
- Bom... acho que é hora de descobrirmos mais sobre a morte de Roger. - prosseguiu Alaústre.
- Sim. Deixe-me trocar de roupa e tomar um banho. Vamos levá-lo à caverna.
- Caverna?
- Isso mesmo. Construí minha casa aqui de propósito. Eu sabia que havia uma caverna subterrânea por aqui.
Enquanto Xandro se trocava, Alaústre abria a câmara frigorífica encantada criada e transportada sob o chão. Para evitar qualquer perda, ele e Cássia enrolaram o corpo num lençol e o levaram através de uma passagem secreta no quarto do casal.
Xandro construíra um verdadeiro laboratório ali. Havia espécies vegetais e animais (em conserva) das mais variadas. Numa grande mesa, foi depositado o corpo e Xandro começou a autópsia.
- Cássia, como vocês descobriram este lugar?
- Foi ao acaso, Alaústre. Fazíamos uma caminhada quando eu case caí num buraco. Xandro, como é muito curioso, resolveu investigar. Daí ele achou esta caverna.
- Eu nunca soube disso.
- É pra ser secreto. Aqui Xandro desenvolve a Alquimia dele...
Alaústre já estava quase dormindo, afinal, já era plena madrugada e se cansara muito durante o dia transportando aquela câmara embaixo da terra. Porém, antes da última piscada, Xandro voltou-se para eles.
- Finalmente descobri o que matou Roger.
- Foi o fogo. Isso não é nenhuma novidade... - respondeu Alaústre mau-humorado pelo sono.
- Não! Ele não morreu queimado. Morreu AFOGADO!

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