CHEGADA NO PARAÍSO - CAP 18

Uma pedra crescia naquele campo. Em segundos, um pequeno pedregulho assumiu a forma de uma pequena estalagmite.
- Nossa! Como isso é fácil! - disse Alaústre sem, ao menos, estar suado.
- Seu poder sobre o elemento pedra é tão forte quanto o meu sobre o elemento ar. - comentou Cássia.
Xandro observava a tudo com um sorriso.
Porém, de repente, o grupo sentiu um pulsão quente de ar, que os jogou no chão. Nisso, puderam ver um grande clarão avermelhado próximo a eles.
- O-o que foi isso? - perguntou Alaústre assustado.
- Vem de lá! Vamos! - respondeu Xandro já de pé.
O trio correu na direção do evento. Logo, chegaram a uma clareira onde a relva havia sido queimada. Bem no centro jazia algo carbonizado.
Sem falar nada, avançaram até o corpo, que Xandro não teve dificuldade em reconhecer:
- É Roger! O marido de Layana! Reconheço essa argola dupla em suas roupas. - apontou para um adereço levemente derretido.
- Mas... como isso pôde ter acontecido? Como ele foi queimado? Como este lugar todose queimou? - Alaústre só aumentava o rol de perguntas.
- Talvez...o poder dele? - perguntou Cássia olhando para Xandro,que continuava examinando o corpo.
- Poder? - perguntou o aprendiz.
- Xandro tem como identificar os poderes de uma pessoa só de lhe apertar a mão. Como ele trabalha como médico, já apertou a mão de quase todo mundo na cidade. - explicou a mulher.e está
Alaústre então percebeu que havia tido a resposta para uma pergunta óbvia que ele esquecera de fazer:
- Foi assim que descobriram que eu tinha meus poderes?
- Exatamente. E Roger tinha um nível de poder tão forte quanto o de vocês dois. - respondeu Xandro, ainda observando a tudo.
- Mas...por que ele colocaria fogo sobre si mesmo?
- Aí é que está. Eu não acho que ele tenha feito isso propositadamente.
- Como assim?
- Olhe em volta: está tudo chamuscado ao redor dele. É como se ele estivesse no epicentro de uma explosão de chamas. Mesmo que ele tivesse total descontrole sobre seu poder, ele queimaria tudo à sua volta, e não a si mesmo, e o chão abaixo de si não estaria também queimado. E, mesmo assim, seria preciso se concentrar para provocar tamanha devastação.
- Então... o que vamos fazer?
- Layana é uma amiga pessoal. Seria uma grande vergonha para ela e sua família se todos descobrissem que seu marido era também um bruxo.
Cássia olhou feio para seu marido. Ele entendeu:
- Desculpe: se todos descobrissem que ele é, assim como nós, oprimido por ter estes poderes.
Alaústre olhou em volta:
- Como vamos fazer? Esse brilho avermelhado irá chamar a atenção das pessoas e logo chegará mais gente. Como conseguiremos tirar o corpo daqui sem chamar a atenção?
Cássia colocou a mão sobre o queixo.
- Podemos usar o poder de Alaústre para enterrar o corpo...
- Eu ainda quero fazer uma autópsia no corpo. Layana merece respostas. A terra pode comprometer as provas. - disse Xandro.
- A não ser que Alaústre crie uma câmara abaixo do chão e eu... encante o ar lá dentro para que permaneça frio. - sugeriu Cássia.
Alaústre ficou surpreso:
- Caramba! Você consegue fazer isso???
Xandro olhou para sua amada com certa descrença. Cássia percebeu:
- Eu... nunca consegui fazer isso antes. O gasto de magia é muito alto.
Alaústre deu um sorrso maroto. Mexeu em seu bolso e pegou uma grande jóia com um leve brilho rosado.
- Segure esta pedra quando for fazer isso.
- O que é isso? - perguntou Cássia.
- Eu chamo de Gema de Energia. Ela parece acumular a força que você chamou de Mana. Quando eu a seguro, parece que dá para tirar toda a energia dela, sem que eu sinta cansaço. - explicou Alaústre.
- Deixe-me segurá-la. - pediu Xandro.
Xandro tomou a pedra. Concentrou-se.
- É verdade. A pedra carrega uma quantidade significativa de energia. Talvez você consiga fazer finalmente um encantamento. - entregou a pedra a Cássia.
Cássia pegou a jóia e começou a coordenar:
- Alaústre, faça o chão abaixo do corpo ficar pedregoso. Concentre-se, pense na ação de perceber, depois no objeto pedra, junte tudo num pensamento só e, com isso, você vai sentir os pedregulhos na terra.
Alaústre procedeu como recomendado: sentiu onde estavam os pedregulhos. Antes que Cássia pudesse continuar, concentrou-se de novo, pensou na ação de mover, depois pensou nos pedregulhos e juntou os pensamentos. Logo o chão em volta do corpo parecia ser formado de pedras.
- Agora faça o chão engolir o corpo.  - ordenou Cássia, já deixando que seu aprendiz fizesse tudo sozinho.
Alaústre já havia começadoa suar. Novamente concentrou-se, pensou no ato de mover, pensou no chão em volta do corpo e juntou os pensamentos. Logo, o chão pareceu afundar e as bordas do buraco se uniram. O resultado visível foi um montante de grama queimada acentuada, parecendo uma cicatriz carbonizada no solo já chamuscado.
- Deu certo? - perguntou Xandro.
Foi a vez de Cássia. Ela tocou o chão e logo respondeu:
- Ele conseguiu sim. Posso sentir um bolsão de ar onde está o corpo abaixo do chão.
Respirando cansado, o aprendiz continuou:
- Sua vez!
De posse da pedra, Cássia fechou seus olhos. Começou a se concentrar para tornar o ar no bolsão permanentemente frio. Ela podia sentir o poder emanar da jóia para o seu corpo e para o ambiente. Podia-se ver um leve brilho rosado envolvendo Cássia e o objeto encantado.
Finalmente o brilho acabou. Cássia parecia não ter gastado uma gota de sua própria enegia.
- Conseguiu? - perguntou Xandro.
A esposa novamente colocou as mãs no chão e logo respondeu:
- Acho que sim. O ar abaixo está refrigerado e não parece estar esquentando.
- Bem a tempo. Estão chegando algumas pessoas. - disse Xandro.
Cássia pegou a jóia em sua mão. O brilho dela havia desaparecido.
- Acho que gastei toda energia da sua pedra...
Alaústre, já de pé, recolocou a pedra em seu bolso.
- Não se preocupe. Estas pedras se recarregam sozinhas.
Nisso, perceberam uma figura vindo a cavalo na direção deles. Era Adam...

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