CHEGADA NO PARAÍSO - CAP 17


Maruska parecia ter dom para ensinar. Enod e Zorus aprendiam com certa facilidade tudo que ensinava. Enod ainda aprendia o alfabeto, mas Zorus já sabia ler e escrever com certa dificuldade. Parecia que a magia que os envelhecera também os ensinara coisas de suas respectivas idades.
- Realmente isso foi muito estranho... – pensava.
- Mamãe! Olha!
Um brilho avermelhado iluminou rapidamente o cômodo da mansão onde a babá e as crianças estavam. Maruska correu para a janela para ver. Parecia ter vindo de algum lugar perto do rio, mas não conseguira ver a tempo.
- O que é aquilo, dona Maruska? – perguntou Enod.
- Eu não sei...
Mas ela tinha uma sensação de que não era coisa boa.
- Crianças, vamos estudar mais amanhã? Por que não vão à sala que o senhor Leonard criou para vocês aqui?
Os meninos ficaram animados. Leonard havia destinado um pequeno salão para ter brinquedos dos artesãos da vila. Quando as crianças iam para lá, perdiam a noção de tempo brincando.
Desceram um lance de escada, e logo estavam lá. Maruska ficou na porta. Olhar para aqueles pequenos brincando já não era a mesma coisa depois que haviam crescido, mas ela ainda se esquecia dos problemas quando os via.
Entretanto, algum tempo depois, levou um esbarrão que a levou ao chão. Catarina passara apressadamente.
- Não fique no caminho, Maruska! – disse a esposa de Leonard, visivelmente nervosa. Ela seguiu em frente. Ela usava um leve vestido de linho, que parecia molhado. Maruska estranhou um pouco, mas não deu muita atenção. Aquela mulher conseguia ser bem grossa às vezes.
A noite chegou. À mesa de jantar, Maruska ficava perto das crianças, juntamente com o vice-prefeito e sua esposa. Ao contrário dos outros empregados, o próprio Leonard insistira que a babá tivesse esse lugar cativo, onde ela podia cuidar também de Enod.
Naquela noite, o capitão Amaranto chegou agitado. Leonard não ficou surpreso.
- Capitão? Veio para relatar o que foi aquele brilho vermelho que todos viram?
- Sim, senhor! O campo em torno do local está todo queimado. Provavelmente o resultado de alguma bruxaria.
- Temos que encontrar quem fez isso, capitão...
Amaranto olhou para Catarina que estava ali, olhando fixamente para ele. Maruska pôde perceber uma expressão de assombro tomar o rosto da mulher.
- Não estou bem, Leonard. Preciso ir para a cama. Pode vir logo ficar comigo? – pediu com doçura.
Amaranto esfregou suas duas luvas e se despediu:
- Voltarei amanhã para receber as ordens do senhor.
Catarina e Amaranto já haviam se retirado. Leonard olhou com certo sofrimento para Maruska. Esta respondeu:
- Vá ficar com sua mulher, Leonard.
Ele saiu lentamente da mesa e seguiu para os aposentos. Maruska deixou cair disfarçadamente uma gota de lágrima.
Terminou o jantar e levou as crianças para seus quartos. Ela sentia um pouco de falta o ritual que ela fazia desde vestir o pijama nas crianças às musicas que cantava para eles dormirem.
Deitou-se em sua cama. No silêncio e na escuridão de seu quarto, suspirou:
- Por que não consigo tirar você da minha cabeça, Leonard?

0 comentários:

Postar um comentário

ANTES DE COMENTAR:

- não escreva em CAIXA ALTA;
- não divulgue links;
- não escreva com miguxês, internetês e similares;
- respeite as opiniões apresentadas.

Obrigado.

 
T.E.C. © 2010 | Designed by Trucks, in collaboration with MW3, Broadway Tickets, and Distubed Tour | Customized by Sybylla