CHEGADA NO PARAÍSO - CAP 15


- Eles vão te matar! Não tenha a menor dúvida disso! E se eles não matarem, mato eu.
Aquele vulto no sonho era recorrente para Roger. Metade da noite ele passava acordado, pensando no pior que podia acontecer. Sem remédios, a sensação de perseguição era forte.
- Acordado de novo, querido? – perguntou suavemente Layana.
- Por quê? Você estava prestes a me matar???
Layana acariciou os cabelos de Roger. Esta era a forma que o casal havia combinado para trazer o marido à realidade.
- D-desculpe, Layana. Preciso controlar o que eu penso.
Com isso, ele pegou um pano que mantinha junto de si, molhou num balde ao lado de sua cama e passou pelo rosto e seu peito nu.
- Você fez muito progresso, querido. Embora você se sinta perseguido, consegue manter os pés na realidade.
Ele inspirou. Soltou o ar, como se tivesse extravasado.
- Até quando vou ter o controle? Todos os dias acho que seu pai irá me matar, ou algum membro da tripulação vai me pegar.
- Já faz dois anos que você está no controle. Se até agora você não surtou, não vai mais acontecer nada.
- É um grande esforço manter esse controle Layana. Estou muito cansado e essas más noites de sono não estão ajudando... – então abaixou a voz - Já até coloquei fogo na cama um dia...
- Querido, sempre mantemos água por perto.
- Se descobrirem que tenho estes poderes, vai ser o meu fim. E isso não é um exagero meu.
- Calma! Se nem meu pai descobriu ainda...
Nisso Roger ficou furioso.
- “Calma!”, “Calma!”! Será que você só sabe dizer isso???
- Ai!!!
Essa voz de dor foi como um balde de água fria em Roger.
- Você está bem?
- É o bebê... Ele está pressionando minha costela...
Roger sabia que a gravidez de seu segundo filho estava sendo penosa e perigosa.
- Você devia seguir o conselho de Xandro. Devia relaxar. Parar um pouco com os afazeres da casa.
- Se eu parar, quem vai cuidar do Ralf e do papai? Você precisa nos sustentar.
Roger acenou a cabeça. Foi se vestir.
Uma vez pronto, assentou-se para comer o pão que Layana havia preparado no forno a lenha. Havia dado duas mordidas quando Donis Mirdof, chegou:
- Péssimo acordar e ver o traste à mesa comendo o pão de minha filha... – comentou o velho.
Roger precisava usar de todo seu auto-controle para não incinerar o velho. Pensava no quanto sua esposa ficaria triste, ou simplesmente não escutava. Porém, o resultado era sempre o mesmo:
- Já estou satisfeito. Vou trabalhar.
Seguia então para seu roçado. Procurava trabalhar sempre perto do rio, onde ele podia buscar água para apagar qualquer incêndio que escapasse a seu controle.
Trabalhava em silêncio. Não queria chamar a atenção. Quando capinava, botava toda sua força na enxada com o objetivo de espantar os maus pensamentos. Por duas ou três vezes precisara mandar consertar a enxada devido a toda esta força.
Porém, naquele dia, algo lhe chamou a atenção: um gemido vindo da mata ali perto.
Preocupado, largou a enxada e foi, com muito cuidado, ver se havia alguém em perigo.
Quando olhou através dos arbustos, viu algo surpreendente. Com o potencial de mudar completamente a vida naquela aldeia.

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