CHEGADA NO PARAÍSO - CAP 14


Alaústre observava com atenção aquela pedra preciosa rosa. Nos últimos anos, o geólogo havia desenvolvido uma grande fascinação por aquela pedra rosa com um leve brilho avermelhado.
Ele já a polira e a trabalhara como uma jóia. Havia muita afinidade com o material e, com quase nenhuma ferramenta, Alaústre tornara aquela pedra algo digno de exposição (afinal, ela tinha quase o tamanho de uma maçã).
Porém, nada descobriu sobre o que ela era. Sabia que planetas como Paradizo, por terem alta densidade, desenvolviam ricos depósitos minerais de composições das mais exóticas, mas nada que ele estudara antes explicava plenamente aquela pedra que parecia uma turmalina rosa com brilho de rubi. E sem equipamentos modernos a resposta nunca seria solucionada.
A única coisa que aprendera, desde que ele pegou esta pedra na caverna onde encontrou o anão, é que ele se sentia bem perto daquela jóia. Sua mente parecia fluir pensamentos com mais facilidade. Não chegava a ser um vício, mas era agradável estar perto daquela pedra quando o brilho avermelhado era mais forte. Sim, o brilho da pedra parecia se gastar no decorrer do dia. Principalmente quando Alaústre trabalhava seus pensamentos tentando reproduzir o feito que fez a porta daquele armário da nave se abrir com um mero gesto. Ele conseguira, às vezes por puro acaso, jogar pequenas pedras no ar. De qualquer forma, o brilho da jóia se perdia durante o dia, mas após dormir, ou ficar alguns dias sem tocar na pedra, lá estava sua brilhosa cor vermelha.
- Alaústre! Você está aí?
O geólogo imediatamente reconheceu a voz de seu amigo bioquímico. Guardou a pedra numa das gavetas de seu móbile e logo foi abrir a porta para Xandro.
- Xandro! Cássia! O que os traz à minha humilde residência? – cumprimentou-os com um sorriso.
- Salve, amigo! Vim chamá-lo para uma caminhada conosco.
Alaústre estranhou um pouco. Quando eram solteiros, Alaústre e Xandro viviam entrando  em ambientes virtuais para darem um passeio. Eram mundos e realidades muito exóticas e instigantes. Mas agora, longe de toda tecnologia, só restavam passeios reais.
- Caminhada? Faz tempo, hein, cara?
- Não nos falamos muito desde que chegamos a este planeta. Estou sendo displicente com nossa amizade.
- Tudo bem. Só vou trocar de roupa e podemos ir. Esse pijamão velho, da época da Terra, não serve pra sair nem pra ir ao banheiro. – disse rindo.
Minutos depois, o trio já saíra da cidade e caminhava por uma trilha mal-formada pelo campo.
- Ouvi dizer que você anda adestrando animais... – comentou Xandro.
- É verdade. Era um passatempo na Terra, mas aqui é mais útil do que geologia. – explicou Alaústre.
- Mas você pode ajudar a encontrar minas de minério por aqui. – disse Cássia.
- Verdade: SE estivéssemos explorando este mundo, mas não estamos. Leonard acha que devemos permanecer por aqui, onde há tudo que é preciso e estamos em segurança.
- Mas ele não é o prefeito. É o vice. Por que não conversa com o capitão Kintê?
- Já fiz isso, Cássia. E até o capitão concordou comigo.
- Então?
- Então fui ao seu gabinete no dia seguinte e ele me disse que havia mudado de idéia. Leonard o convenceu do contrário.
- Às vezes parece que o prefeito é o Leonard... – resmungou Xandro.
Breve silêncio. Cássia interrompeu:
- Alaústre, como você está trabalhando o seu poder?
O geólogo quase caiu de costas. Esse era o tipo de segredo que, se mais alguém soubesse, poderia vir a ser uma sentença de morte.
- P-poder??? Que poder???
Cássia concentrou-se. Repentinamente, uma forte corrente de vento a levantou do chão.
- Não se preocupe! Você não está mais sozinho! – gritou em meio ao vento.
Alaústre estava atordoado. Nem percebeu quando usou o seu poder levantando uma pedra do chão para que pudesse sentar.
- Então seu poder está ligado às pedras... – observou Xandro.
Alaústre acordou do seu atordoamento, olhando para a pedra na qual sentara.
- Hein?
Cássia, já no chão, foi até ele.
- Então você já sabe como usar os seus poderes?
Já mais calmo, mas ainda tenso, Alaústre começou a falar:
- Na verdade, não. Às vezes eu faço coisas sem pensar, como num reflexo. Não tenho muito controle.
- Bom, eu poderia te ajudar. Eu treinei muito a minha magia. Eu posso lhe ensinar tudo que aprendi.
- Magia? – estranhou o geólogo.
- É a forma como ela encara tudo isso. – explicou Xandro.
- Então... você pode me ajudar com isso?
- Mas é claro! Nós, os “bruxos”, temos que estar unidos!
Alaústre ficou um pouco chateado com o termo “bruxo”. Um termo que, ali naquele lugar, carregava um pesado tom de depreciação. Cássia entendeu.
- Alaústre, não fique assim. Você não é um bruxo. É um mago!
O geólogo estranhou:
- Qual a diferença?
- Durante toda a história da humanidade, o termo “bruxo” sempre foi pejorativo. O s “magos” são quase sempre bem vistos na literatura. Pessoas que tinham o poder para mudar o destino de muitos. Você tem tudo para ser um “mago do bem”.
Alaústre deu um sorriso debochado. Levantou a cabeça e disse:
- Vocês são mesmo engraçados. Bem, quando começamos?

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