CHEGADA NO PARAÍSO - CAP 12


Xandro estava bastante cansado. Já era noite e vinha carregando uma pesada maleta feita de couro. Lentamente, ele abriu a porta de sua casa. Foi quando ele levou uma forte bufada de vento, que o jogou para trás.
- Xandro! Você está bem??? – acudiu Cássia.
- E-estou! Só um pouco surpreso. – respondeu ainda sentado no chão.
-Desculpe. Eu estava treinando minhas mágicas...
-“Mágicas”? Não quer dizer “poderes”? – perguntou Xandro enquanto levantava.
- Ao contrário de você, eu não “sinto” meus poderes como algo natural do meu corpo. Eu preciso me concentrar em palavras e imagens para ativar as ações que desejo fazer com o ar. Por isso achei melhor chamar isso de “magia”.
- Entendi, embora eu ache isso bastante retrógrado. Parece que voltamos à Idade das Trevas...
-Ora! Do que você chamaria isto, então?
- Bom... eu diria que neste planeta há uma espécie de energia que pode ser canalizada por algumas pessoas para a realização de efeitos não-naturais...
-... que podíamos chamar de “mana”, a força que permite a magia.
- E as pessoas que têm o dom de canalizar esta força você chamaria de “bruxos”, como têm feito as pessoas comuns que têm nos caçado?
- Não... Eu chamaria de magos. É bem mais bonito!
O casal se entreolhou. Começaram a rir. Chegava a ser engraçado enxergar aquele cotidiano sob esta ótica antiga.
Entraram. Cássia havia esquentado um pouco de água para o banho de seu marido. Após isto, Xandro, já usando um pijama de algodão, sentou-se à mesa para jantar.
- Fiz carne assada para você. – disse Cássia, servindo seu marido.
Ao mastigar a carne, ele teve uma agradável surpresa.
- Puxa! A carne está bem macia! Parece que você ficou muito tempo cozinhando.
- Na verdade, foi uma aplicação da minha mágica: fiz o ar na panela se aquecer, mas o mantive comprimido dentro da panela.
- Ora essa! Você criou a primeira panela de pressão mágica deste mundo! – riu Xandro.
- Eu estou quase conseguindo programar mágicas automáticas em objetos, mas é muito difícil. Muito cansativo. O máximo que consegui foi fazer meu leque ventilar um pouco mais quando eu o abano. A panela eu tive que ficar concentrada durante todo o cozimento.
- Então você já está aprendendo a criar objetos encantados... – comentou Xandro com a boca cheia.
- Não caçoe... – disse Cássia se aborrecendo.
- Não! Verdade! Se vamos usar a definição de magia, “objeto encantado” seria o termo certo a usar neste caso.
- Ah, é? – sorriu.
- Você desenvolveu bastante o seu dom. Fico orgulhoso.
- Só consegui pois você me deu apoio. Muita gente é contra os magos.
- Você não tem nada do que se envergonhar...
- É... – e abaixou um pouco a cabeça. Por mais que seu passado tenha ficado na Via Láctea, ela nunca esquecia como ela veio a enganar Xandro quando o conheceu. Agora, ela realmente o amava.
- O que foi? – percebeu o marido.
- Eu... estava pensando: se me desenvolvi tão bem, eu podia ajudar as pessoas que têm o dom, mas não sabem como usá-lo. – mudou de assunto.
- Não acha arriscado? Alguém poderia denunciá-la. Poderiam vir a prender você...
- Você sabe quem é mago aqui. Como médico desta vila, você já apertou a mão da maioria das pessoas.
- É verdade... Mas eu tenho medo que aconteça algo...
- Seu amigo Alaústre?
- O que tem ele?
- É mago também, você já me disse. Eu poderia começar por ele.
- Hum... não sei...
- É seu melhor amigo. Não ia nos prejudicar. Além do mais, ele é muito poderoso.
- Verdade. Eu senti um nível de poder bem alto. Igual ao seu. Mas o que isso tem a ver?
- Deve ser mais fácil ensinar a ele. E, depois, ele pode ajudar como professor.
- Vai abrir uma escola de magia? – perguntou Xandro com um sorriso maroto.
- Ah! Tô falando sério!
- E como vai chamar esta escola? Hogwarts? – riu.
- Seu debochado! – Cássia segurou o riso.
- Estou enfeitiçado! – e abraçou a esposa, cobrindo-a de beijos.

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