CHEGADA NO PARAÍSO - CAP 9

A instabilidade aumentava. Todos estavam fracos e prosseguiam jornada. Os membros do grupo de sobrevivência faziam o que podiam para manter o grupo coeso, mas isso era temporário.
Adam, embora não pertencesse a este grupo, dava o melhor de si, mas mesmo ele sofria sinais de desgaste. Ele acompanhava Donis, Layana e Roger.
- Eu sei que algo ruim vai acontecer! Eu tenho certeza!!! - dizia Roger, um tanto nervoso.
- Querido, fique calmo! Seja o que for, nós vamos superar!
- É impossível! Não há massa suficiente para a navegação por distorção do espaço-tempo! - respondeu um dos cientistas após examinar os resultados da simulação.
Layana andava impaciente entre os cientistas de Rikker 4.
- Deve haver algum meio de chegarmos mais rápido a Andrômeda. 600 anos de viagem é muito tempo! - discordava.
- Quando o grupo de Brasileiros e Argentinos fugiu antes da Primeira Grande Guerra Espacial, eles esperavam viajar por quase dez mil anos. - disse um dos cientistas.
- E deu tão certo que até hoje não os encontramos...
- Eles ainda estão no meio da viagem. Tem idéia de como é difícil encontrar um corpo celeste do tamanho de uma nave no espaço vazio entre o Braço de Órion e o de Sagitário?
Adam assistia à discussão sorrindo. Como soldado, ele permanecia ali para o caso de algum experimento sair fora de controle. Mas ele o fazia com certo prazer. Ele achava Layana a cientista mais linda daquela instalação.
Cansada das respostas, ela foi falar com o milico:
- O que você acha?
- Como é?
- Dos números.
- Eu não sei bem. Sou só militar. Não sou cientista.
- Nosso problema é a falta de matéria entre as galáxias. Nosso atual sistema de propulsão aproveita os corpos celestes em volta para criar dobras no espaço, nos fazendo viajar a mais de 20 anos-luz por dia. Sem estes corpos, não conseguimos fazer mais de 10.
- E a matéria escura  entre as galáxias?
- Aproveitamos pouco ela por causa da energia escura, que tem efeito oposto.
- Parece que vocês estão num beco sem saída...
- Querida! Já cheguei! - disse Roger se aproximando.
- Que bom, amor. Vamos almoçar. Obrigada por me ouvir, Adam.
- De nada. Bom almoço!
- Não é possível que não possamos comer nada! Olhe todas estas árvores frutíferas! Todo estes animais pastando! - reclamou Donis.
- Só pode ser uma armadilha! - dizia Roger.
Adam podia ver a fome estampada no rosto de Layana. Preocupado, disse:
- Eu vou conversar com Leonard. Talvez ele ache seguro os alimentos daqui.
Adam apertou o passo. As árvores e os animais estavam um pouco distantes, ma se fosse dada a permissão, em uma hora todos poderiam começar a comer.
Leonard, o capitão Kintê e o tenente Amaranto estavam bem à frente da coluna. Levavam, amarrado com cipós e vestido com roupas que traziam, o homem pequeno que havia atacado-os na caverna.
- Capitão, tenente, senhor Leonard. Tiveram algum progresso com o prisioneiro?
- Não. Por mais que o interroguemos e o ameacemos, ele não abre a boca. - disse o capitão.
O anão realmente olhava a todos com cara de poucos amigos.
- Ainda acho que devíamos usar métodos mais drásticos... - comentava Yusuke.
- Não vamos torturar nenhum prisioneiro enquanto eu estiver aqui. - respondeu Kintê, muito firme.
- Meninos, precisam de um toque feminino!
Olharam atrás de si. Vinha, na direção deles, Catarina, com expressão confiante.
- Querida, você... - começou a impedir Leonard.
- Tem alguma idéia? - perguntou o capitão.
- Tenho sim. Esperem.
Catarina então se ajoelhou e ficou cara a cara com o pequeno homem barbudo. Repentinamente, o anão começou a ficar agitado. Balançando a cabeça:
- Sai!... Sai!...
Catarina se levantou:
- É verdade: seu povo acordou e estava sem roupas, sem casas, sem nada. E ele não faz idéia do que está acontecendo neste planeta.
- Mas como... - Kintê começou a interpelar.
Mas foi interrompido. No meio da coluna, repentinamente, árvores começaram a crescer do nada. Podia-se ver animais vindo na direção da coluna, proveniente de vários lugares.
- Tenente! Soldado! Vamos! Leonard, você fica aqui com o prisioneiro! - ordenou o capitão.
Aquela confusão ativou as recordações de Adam. Foi numa manhã quando o laboratório de astrofísica explodiu.
Bombeiros entravam e saíam e rapidamente o fogo foi contido. Adam estava de folga nesse dia, mas seguiu para o laboratório para ver se todos estavam bem. Logo que chegou, encontrou Layana recebendo cuidados dos socorristas.
- A senhora está bem? - perguntou atencioso.
- Sim. Nada sério. Só umas escoriações aqui e ali.
- Mas o que levou a este acidente?
- Uma experiência que deu errado. Não estamos conseguindo melhorar nossa velocidade.
- Não dá pra seguir a idéia dos brasileiros?
- Impossível: as naves deles saíram da Terra viajando a velocidade abaixo da luz. Por isso eles conseguiriam manter reservas de energia por 10.000 anos só com manutenção de vida.
- E por que não podemos fazer isso?
- Se viajássemos à velocidade abaixo da luz, levaríamos milhões de anos para chegar. Nenhuma fonte de energia suportaria tanto tempo...
- Mas nos arquivos roubados do alienígena Briee não tem nada falando de alguma tecnologia que nos ajude?
- Não... os arquivos só falavam do planeta e...
De repente, Layana pareceu se lembrar de algo importante. Logo encerrou a conversa.
- Acho que você me deu uma idéia, mas precisarei voltar à Terra...
Era tudo sem sentido: árvores cresciam rapidamente no meio do povo. Em poucos minutos, mudas viravam árvores frutíferas! E a confusão se instalou pois as pessoas começavam a atacar essas plantas à procura de alimento. Isso enquanto crianças tentavam tirar leite de vacas leiteiras por ali.
O problema foi o tumulto criado: pessoas passando por cima das outras, pisadas, cotoveladas. Aquilo precisava parar.
- Harnam! Jubowski! Tentem dividir os flancos!
Os soldados tentavam conter a multidão num esforço inútil. Parecia que muitas mortes ocorreriam ali.
Mas, tão rápido quanto o tumulto começou, ele parou. Uma forte dor de cabeça acometeu a todos ao mesmo tempo, inexplicavelmente.
Logo, uma voz se fez ouvir:
- Atenção a todos! Há alimento para todo mundo! Mas não precisamos matar uns aos outros aqui! Vamos nos organizar e cuidar dos feridos!
Era a voz de Leonard. A turba pareceu voltar a ouvir a voz da razão.
- Surgiram várias árvores frutíferas! Os soldados irão organizar filas para cada árvore! Podem entrar nas filas o quanto quiserem, mas cada um pegue uma fruta só na sua vez! Adam, organize tudo!
De fato, haviam surgido ali cerca de vinte a trinta árvores com os mais variados frutos. E todas estavam bem carregadas, o que deveria suprir o povo ali. Mas o que teria levado o desconfiado líder a acreditar que aquelas frutas não eram envenenadas?
Adam não tinha tempo para questionar isso. Precisava organizar os militares a criarem as filas e ajudarem a colher os frutos. E ainda era preciso cuidar dos feridos.
Um vez a ordem estabelecida, Adam começou a caminhar entre as pessoas, procurando por quem estivesse pior. De repente, achou uma coisa estranha: Catarina parecia muito mal. Precisava ser carregada por Leonard. Mas ela não estava do lado dele no momento em que se iniciou o tumulto?
De repente, o casal parou em frente a uma dupla de irmãos gêmeos, que também pareciam bastante abatidos. Logo, Leonard gritou:
- Peguem eles!!!
Imediatamente, algumas plantas entrelaçaram os pés de Leonard fazendo-o cair. Os guardas tentaram correr na direção, mas os animais que estavam por ali entraram na frente, permitindo os irmão ganharem distância enquanto saíam correndo.
- O que está acontecendo??? - gritou Adam.
- Não pergunte! Corra!
Sem respostas. Mas um militar não precisa delas para agir. E foi assim que Adam se viu perseguindo dois irmãos que iam, em disparada, na direção do precipício. Logo eles teriam que parar.
Eles já estavam muito cansados quando chegaram à beira do penhasco. Não tinham mais para onde correr.
- Muito bem, vocês devem se entregar agora, antes que a coisa fique pior. - anunciou Adam.
Um deles gritou:
- Você não está vendo? Somos aberrações!!!
- Pois vocês me parecem muito normais...
- Quem você acha que criou aquelas árvores? Ou que chamou aqueles animais?
Adam ficou mudo. Já não sabia se aquilo era delírio, ou era real. Nada naquele planeta fazia sentido.
Foi nesse momento de indecisão que os irmãos tomaram a mais drástica: deram as mãos e pularam do penhasco.
Adam ficou atônito. Não sabia o que fazer.
- Acho que esta missão será um fiasco, Adam!
- Não fale assim, Bruce. Vão achar um meio de irmos para Andrômeda.
- A filho do Donis chegou hoje. Foi falar logo com o pai.
- Voltou? - perguntou agradavelmente surpreso.
- Voltou. E se eu fosse você tirava esse sorriso do rosto. Ela é casada.
Adam ficou constrangido. Bruce estava certo. Era melhor não tentar pensar em Layana de maneira diferente. Mas não deixava de pensar o que ela podia ter ido fazer na Terra...
- Soldado Adam! A equipe de ciências o aguarda no laboratório!  - chamou seu comunicador.
Adam se dirigiu ao local. Talvez Layana tivesse voltado com novas idéias depois de passar três meses na Terra. Ou talvez precisasse de um ombro amigo... Não! Não era melhor pensar nisso.
Quando chegou, teve uma surpresa: tudo estava em clima de festa! Os cientista estavam comemorando. Assim que chegou, Layana o anunciou:
- E aqui está o homem que tornou a nossa viagem possível!
- Eu???
Layana lhe serviu um champanhe, recusado pois estava em serviço.
- Sua idéia de buscar nos arquivos Briees sobre seu meio de viajar solucionou tudo!
- Mas a senhora não havia dito que a gravação que tínhamos não dava nenhuma especificação sobre isso...
- É verdade. Mas temos outros arquivos deles...
- O quê??? Onde?
- Num local da Terra chamado Área 51.
- Eu acho que já ouvi esse nome... mas você pode me explicar melhor?
- Claro. - disse sentando-se e indicando uma cadeira a Adam.
Uma vez confortáveis, Layana começou:
- Sabemos que os Briees estão em permanente pesquisa das civilizações do universo. Porém, quando são mais jovens, são pequenos e descuidados e, algumas vezes, são capturados, embora quase sempre eles prefiram a morte.
Há seculos, um briee caiu na Terra e foi capturado e enviado para uma instituição militar chamada área 51. Este local cuidava para descobrir novas tecnologias, mas como os briees estavam muito à nossa frente naquela época, nada descobriram.
Com a calamidade ocorrida devido ao Aquecimento Global, um desastre ambiental ocorrido séculos antes da Primeira Guerra Espacial, este local foi desativado e esquecido. Somente uma ou outra pessoa que conhecia um pouco mais sobre história conhecia o local, mas parecia ser apenas uma lenda.
Com os inúmeros contatos de meu pai, achamos onde seria esta Área 51 e adquirimos o terreno. Quando finalmente entramos no local, pudemos ver partes da nave Briee. Usando engenharia reversa, conseguimos descobrir um sistema de propulsão que usa buracos de verme, que possibilitam dobras espaciais muito maiores e nos permitirão chegar em Andrômeda em apenas 200 anos!
- Onde eles estão, soldado Adam? - perguntou Leonard.
- Senhor, juro que não sei como, mas eles pularam no precipício! Eu...
- Ótimo!
- Como é? Não quer saber se eu...
- Seja como for, o problema foi resolvido.
Adam estranhou tanta frieza e descaso por aquelas vidas. Leonard subiu numa pedra e começou seu discurso:
- Amigos! Hoje nós conhecemos quem realmente está por trás de todos os problemas que tivemos desde que chegamos a este planeta! Pessoas com poderes sobrenaturais que querem nos dominar!
Houve certo burburinho. Leonard levantou a voz para ser ouvido.
- Foram eles que alteraram todo este planeta para criarem o seu reino sobre nós! Mas fomos mais fortes que eles! Ninguém domina a voz do povo!
Palmas.
- Vamos criar aqui o nosso reino! Vamos fundar aqui a nossa cidade e perseguir a todos que queiram utilizar estes poderes sobrenaturais sobre nós! Vejam aquela montanha ao sul! Há árvores, água e alimento em abundância lá! Mais um dia de caminhada e fixaremos nossas raízes neste planeta e mostraremos como o ser humano é superior a outras espécies!
Aplausos. O líder estava sendo ovacionado.
Tão logo desceu da pedra, Leonard voltou a ir mais à frente, deixando o comando com Adam, para este organizar o coluna.
Adam organizou como lhe foi ordenado. Mas o discurso do líder parecia levantar mais perguntas que respostas. Como ele detectou os culpados? Como ele sabia de tudo aquilo?
Finalmente Leonard foi ver sua esposa. Ela já estava bem, amamentando sua criança.
- Você está bem?
- Estou sim.
- Ótimo! Voltarei a interrogar aquele pequeno homem.
Dado alguns passos, Catarina observou:
- Você é muito hipócrita, sabia?
- Sim, eu sei, minha "querida"...

EM VIRTUDE DE ALGUNS COMPROMISSOS, ESTA HISTÓRIA CONTINUA DIA 29

0 comentários:

Postar um comentário

ANTES DE COMENTAR:

- não escreva em CAIXA ALTA;
- não divulgue links;
- não escreva com miguxês, internetês e similares;
- respeite as opiniões apresentadas.

Obrigado.

 
T.E.C. © 2010 | Designed by Trucks, in collaboration with MW3, Broadway Tickets, and Distubed Tour | Customized by Sybylla