CHEGADA NO PARAÍSO - CAP 8

Leonard dormiu pouco naquela noite. Acontecera muita coisa que ele não podia entender.
Pouco antes do amanhecer, ele resolveu levantar-se.
- Perdeu o sono, "querido"? - perguntou Catarina com sua ironia habitual.
- Sim, "querida". Vou andar para espairecer. - respondeu no mesmo tom.
Um choro de bebê se ouviu. Num cestinho improvisado com parte da fuselagem da nave e vários tecidos, o filho do casal mostrava que estava com fome. Em silêncio, a mãe foi pegar seu bebê enquanto Leonard saía andando pelo acampamento.
Não era só o neném que estava com fome. Por toda a multidão ali reunida a sensação era a mesma.
Já haviam chegado a alguns dias e ninguém ainda comera dado o temor embutido pelo líder da equipe de sobrevivência, que, pouco a pouco tinha sua liderança questionada.
Aquilo podia parecer um pesadelo para a maioria das pessoas na posição de Leonard, mas este não perdia a cabeça. Sabia que estava melhor ali que na Terra.
- Melhor poder comandar o Inferno do que servir no Céu. - dizia Lucian.
Era isso que o jovem Leonard escutava a cada vez que reclamava com seu pai.
Landara não era uma colônia humana modelo. Localizada nos confins do Braço Galáctico do Cisne, era uma fronteira relativamente nova. Na nave mais rápida, de lá até a Terra, um viajante gastava quase 2 anos. Assim, tão longe, a colônia vivia o correspondente moderno da Lei do Oeste, onde só os mais fortes sobreviviam.
Nesse ambiente de fronteira Lucian fez sua fortuna de maneira nada convencional. Através de pequenos delitos não rastreáveis, o pai de Leonard se tornou um líder próspero em sua comunidade. Assim, o jovem cresceu em meio a um conforto maior do que o de seus amigos.
- Pai, nosso dinheiro é sujo! Como o senhor consegue dormir à noite?
- Muito bem meu filho. E você também.
- Como eu posso, se pra todo lado que olho, vejo ostentação sem necessidade?
- Já tivemos essa conversa antes. Porque ainda perde seu tempo? Devia estar me agradecendo por crescer bem num local tão difícil quanto o nosso.
- É porque eu tenho consciência.
- Tem é rebeldia adolescente. Seus professores virtuais encheram sua cabeça com historinhas heroicas sobre o espírito humano. Mas um dia vai se acostumar e até irá me substituir nos negócios da família...
Leonard saiu enojado. Foi para seu quarto e trancou a porta.
Fez questão de olhar para todos os lados. Finalmente abriu um painel secreto em seu armário e pegou um armazenador de dados escondido lá. Toda vez que brigava com seu pai se fixava àquele armazenador.
- Em breve, meu pai, você será alcançado pelas leis humanas. Eu mesmo irei garantir isso...
Um barulho se fez vindo da caverna próxima ao acampamento. Somente Leonard estava próximo o suficiente. Decidiu entrar enquanto os primeiros raios de sol começavam a iluminar o interior daquela caverna.
Ao passar pela entrada, pôde notar um fraco brilho púrpura vindo de seu interior. Caminhou cautelosamente na direção. Passou por dois corredores até que chegou numa grande salão iluminado... por cristais brilhantes!
A vista era linda. Havia conjuntos cristalinos por todo um salão de pedras cinzentas. No chão, várias pedras diferentes e, encostado numa estalagmite com cristais apagados em sua ponta, estava Alaústre!
- Alaústre! O que faz aqui?
O geólogo aparentava cansaço, mas, ao mesmo tempo, estava muito animado.
- Leonard! Que bom que você veio! Esta caverna está repleta de pedras feitas de materiais dos quais eu nunca ouvi falar!
- Faz sentido. Este planeta é bem mais denso que a Terra. Teve ter minérios de todos os tipos. - comentou enquanto olhava para as pedras brilhantes. - Tem ideia do que sejam estes cristais? São radioativos?
- Não sei. Mas não são radioativos. Sinto-me bem quando estou próximo deles.
- Mesmo assim, acho que não devíamos ficar perto deles. Vamos sair daqui.
- Sim, mas vamos levar aquelas pedras ali no chão.
Foi quando Leonard percebeu um amontoado de pedras num canto daquele salão.
- O que é aquilo?
- Minério de ferro. Acho que precisaremos para forjar algumas armas para nos defender.
Defesa era uma palavra fundamental para o líder daquele grupo desde a juventude.
- Não se preocupe, Jonatas. Você entrará para nosso programa de Proteção à Testemunha!
- Espero que sim. Meu pai é meu pai, mas não vai me perdoar por mandá-lo para a cadeia...
- Vamos mandá-lo para a Terra, como um controlador de robôs de construção. É muito difícil localizar alguém usando ID diferente. Seu nome será John Smith.
Na semana seguinte, todas os meios de comunicação somente falavam da prisão de Lucian Silver por liderar o crime em Landara.
- Este é o meu salário??? - protestou John ao abrir seu terminal financeiro.
- Você ganha mais do que eu e ainda reclama?
- D-desculpe, Gomes. Eu cresci acostumado a uma vida mais confortável...
- Então não devia ter entrado na construção civil. O que seus pais faziam?
- Eles eram donos de um restaurante em Mordf 789. - deu sua resposta automática.
- Por que não volta para eles, John. Você vive reclamando de falta de dinheiro desde que veio para cá.
- Eu... não posso. É muito difícil explicar...
- É uma boa ideia, Alaústre! Precisaremos para nos defender.
- Não é muito, Leonard, mas nossas mochilas devem conseguir transportar uma boa parte.
Logo as mochilas dos dois estava cheia.
- Vamos dar o fora daqui. Este lugar pode ser perigoso. - respondeu Leonard.
- Ladrões!!! - ouviu um grito.
Leonard e Alaústre viraram-se imediatamente. Corria na direção deles um pequeno homem, com uma grande barba escura e usando nenhuma roupa!
O geólogo e o líder ficaram sem fala diante daquela cena surreal, mas logo Alaústre começou a andar na direção daquela figura.
- Não somos ladrões. Não queremos fazer mal...
O geólogo não conseguiu terminar de falar. Aquela pequena criatura tinha uma força muito além da aparência e, com um simples golpe, jogou Alaústre longe. Leonard ficou ainda mais surpreso
- Vou fazê-lo pagar pela humilhação que fez a mim e a meu povo!!!
De repente, uma pedra, não se sabe de onde, bateu com força na testa do guerreiro irado, levando-o a nocaute.
- De onde veio essa pedra? - questionou Leonard.
- E isso importa? Vamos sair daqui! Se ele falou que tem um povo, eu não quero estar aqui quando ele todo chegar!
- Precisamos levar este... "anão" conosco!
- Como é???
- Ele deve saber quem está por trás de toda a mudança de cenário neste planeta. Podemos usar algumas roupas para improvisar cordas!
- Com a força que ele tem?
- Temos que amarrar bem seus pulsos.
- Ok... Você deve saber o que está fazendo...
Ouvir esta frase de novo mexeu com Leonard.
- É isso mesmo que eu quero querida. - respondeu John à sua esposa.
- Mas você sempre foi tão reservado...
- É verdade. Mas cansei desta vida medíocre! Quero poder construir meu próprio negócio e controlar o meu destino.
- Nosso destino. - apontou a esposa para sua barriga, que se encontrava em seu 5º mês de gestação.
- Não vou decepcionar vocês! Prometo! - respondeu beijando carinhosamente os lábios e a barriga de sua companheira.
John saiu cedo. Naquele dia ele pediria sua demissão e, no dia seguinte, começaria a montar seu restaurante.
Ao final do dia, voltou todo animado para casa. Iria dar início à sua nova vida.
Porém, quando chegou, notou a porta aberta. Entrou despreocupado. Mas, ao chegar no quarto, viu uma cena que traria pesadelos pelo resto da vida: sua esposa jazia morta na cama. Estripada. Sangue por toda a parte! Um feto jazia morto no chão. Na parede, estava escrito em sangue: "Corra, pois já te encontrei!"
O acampamento foi levantado rápido. Leonard precisava levar todo o grupo para longe daquela caverna o mais rápido possível.
- Vamos continuar seguindo o rio pelo planalto! não temos tempo a perder! Marcha acelerada!!!
A coluna andava rápida. Isolada à frente deste grupo, seguiam o capitão Kinté, Leonard e Alaústre.
- Leonard, como este anão vai nos ajudar? - perguntou o capitão, que ajudava a levar a criatura disfarçadamente para que ninguém a visse.
- Ele é um nativo. Deve saber o que acontece por aqui.
- Espero que esteja certo. Não podemos fugir para sempre.
Isso foi o que planejou John ao mudar de novo seu nome para Leonard e se esconder como serviçal de um dos amigos de Donis Mirdoff.
A escolha não fora aleatória. Aquele incidente levou o foragido a querer dominar seu destino e sabia que poderia achar um meio de faze-lo com a ajuda do milionário. Só não sabia como.
E finalmente descobriu: entrando numa das reuniões privadas do senhor Mirdoff, ele ouviu da expedição para Andrômeda.
- 2 milhões de anos-luz? Meu pai nunca me encontrará lá!
- Vamos! Diga quem é você! - insistiu Leonard tentando acordar o anão.
Logo todos percebera, que o anão somente se fazia de moto. Não queria responder a pergunta alguma.
Foi quando Leonard viu um galo saindo da testa da criatura. Imediatamente apertou o galo, fazendo o anão gritar.
- Eu paro se você contar o que está acontecendo! - ameaçou o líder.
- Como se não soubessem... - comentou a criatura.
- Leonard apertou mias. O anão , enfim, respondeu:
- Foram vocês que entraram na nossa aldeia, destruíram e roubaram tudo. Até nossas roupas!
- Ei! Só estávamos passando por lá! Nem passamos daquele salão com os cristais! - respondeu Alaústre.
- Mentirosos!!!
O capitão chamou os outros em particular:
- Se não fomos nós, que força poderia destruir a cidade deles?

CONTINUA





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