CHEGADA NO PARAÍSO - CAP 6

Maruska foi a primeira a acordar. E foi a primeira a levar um susto. Ela correu em direção à tenda improvisada de Leonard.
- Leonard! Leonard! - sussurou a jovem.
- Maruska?! - Assustou-se o novo líder da equipe de sobrevivência.
Catarina parecia dormir pesadamente e o sol  começava a despontar no leste, assim como acontecia na Terra.
- Por que você está aqui?
- Veja!
Foi quando Leonard viu algo realmente surpreendente: todo aquele cenário com plantas brancas do dia anterior havia sido alterado. Com exceção de poucas plantas brancas e moitas de plantas alienígenas todo o resto era exatamente igual à Terra! Grama cobrindo todo o chão. Plantas frutíferas como macieiras, pessegueiros, jabuticabeiras. Um par de vacas leiteiras pastava por ali e um porco chafurdava na lama um pouco mais longe.
- O que está... - Maruska começou a perguntar.
- Temos que sair daqui! Agora!
- Mas tudo aqui pode fornecer alimento para nós! - discordou a moça.
- Você sabe quem colocou tudo isso para nós?
- Não, mas...
- E sabe se a intenção é nos ajudar ou nos envenenar?
- Também não...
- Então chame os outros. Precisamos sair deste lugar.
Engraçado lembrar que quando ambos se conheceram, a desconfiada era ela.
Foi durante um de seus shows numa pizzaria na Itália. Ela acabara de cantar um antigo sucesso de Naer, um famoso músico que vivera no século anterior, quando um desconhecido a abordou.
- Você é fantástica, Maruska. Exatamente quem eu preciso para minha expedição.
- Expedição? - perguntou a moça, estranhando.
- Sim. Eu represento uma missão que irá colonizar a galáxia de Andrômeda.
- E o que uma cantora como eu vai ajudar na colonização? - perguntava desconfiada.
- Você também é uma ótima engenheira eletrônica. Eu li o seu curriculum.
Mas Maruska era extremamente desconfiada. Ela já ouvira toda história de homens com cantadas das mais diversas.
- Você é algum pervertido??? Vou chamar o segurança!
- Ok, ok. Já que você está desconfiada, aqui está o cartão do meu empregador. Ligue para ele e confirme. - disse entregando um cartão.
O sol já estava alto quando uma coluna com os sobreviventes do acidente foi vista indo em direção ao sul. À frente estavam Leonard e o capitão Barog Kintê.
- Isto está certo, Leonard? Por onde passamos o cenário continua sendo o mesmo: plantas nativas da Terra com plantas brancas e alienígenas entre elas.
- Não é seguro ficarmos onde estávamos. Tudo foi deliberadamente alterado.
- Sim, mas por quem e por quê?
- Talvez os nativos deste planeta...
- Se for assim, será que não é um ato de boas vindas?
- Eu concordo com o senhor Leonard, capitão. - disse o tenente Amaranto, se aproximando com um arco  e flechas improvisados.
- E o que o faz acreditar nisso?
- Como eles descobriram estas informações sobre nós? Só examinando os computadores de nossa nave. Se for assim, foram eles quem a derrubaram e agora querem completar o serviço nos matando.
- Hum... faz sentido. Pensou rápido, senhor Leonard.
- O-obrigado.
Maruska sorriu. Sabia que Leonard não era tão esperto assim. Mas duas coisas ele tinha a seu favor: sorte e  lábia.
- Pá-pá?
Maruska voltou sua atenção ao filho de meros 2 anos.
- Logo, logo, filho.
Dito isso, olhou para Leonard.
- Há alguns biscoitos com a equipe Beta. Peça a eles um pouco.
Maruska sabia que podia contar com Leonard. Eles eram mais que amigos.
De fato, assim que Maruska foi admitida, ela pediu para Leonard ir visitá-la em sua casa antes da partida para Rikker 4.
- Parece que, enfim, você acredita em mim. - chegou brincando.
- Eu sou uma estrela, cara. Preciso me resguardar de fãs malucos. E sua história era bem maluca. - respondeu retribuindo a brincadeira.
- Bom, no que posso lhe ajudar?
- Tire a roupa e deite na cama.
A resposta assustou Leonard.
- Desculpe, mas não entendi direito.
- Tire a roupa. Quero fazer sexo com você.
Leonard perdeu a fala por um instante. Maruska era uma jovem mulher atraente, mistiça caucasiana e indú, de baixa estatura e belos cabelos compridos negros e lisos.
- Estou lisongeado, Maruska, mas sou casado.
- Eu sei. Mas sou discreta. - e, dito isso, tirou seu roupão, deixando à mostra seu corpo nu.
Leonard ficou em dúvida por um instante, mas logo lembrou-se que as mulheres da missão só deixavam de ser estéreis quando chegavam a Rikker 4. Realmente aquele envolvimento não traria maiores consequências.
- Por que não? Estou precisando de um pouco de diversão mesmo...
- Mais!
Maruska olhou para seu filho. Este ainda dava sinais de ter fome.
- Querido, temos que aguentar um pouquinho. Logo vamos encontrar mais comida.
Zorus ficou em silêncio. Emburrado. Mas não chorou.
Não havia o que fazer, a não ser continuar seguindo a coluna. Havia muitas discussões sobre quem teria alterado o cenário daquela forma. E a cada quilômetro percorrido a dúvida ficava maior, uma vez que as plantas e animais terrestres continuavam aparecendo. O sol castigava um pouco a todos, mas quando ficava mais quente, uma brisa vinha e refrescava a todos.
Já anoitecia quando a coluna chegou perto de uma floresta que ficava a leste, à beira do precipício que ainda não acabara.
- Senhor Leonard, já caminhamos cerca de 30 quilômetros e continuamos imersos num mundo parecido com o nosso. - falou o capitão Barog.
- Vamos parar por aqui. Se algo acontecer, podemos nos esconder naquela floresta. - disse Leonard.
As pessoas começaram a se assentar. A equipe de sobrevivência providenciava fogueiras para todos. Foi neste momento que Maruska novamente saiu à procura do líder das equipes.
- Leonard, tenho algo para lhe contar.
- Isso é bom. Não precisarei descobrir sozinho... - respondeu com ironia.
Esta ironia tinha uma razão. Pouco depois de chegar a Rikker 4, quandoLeonard passava pelo processo de desesterilização, ele comentou com o médico:
- Vocês devem estar tendo muito trabalho. Todo humano nasce estéril...
- Verdade. Só um membro da missão já veio fértil.
Leonard estranhou.
- Verdade? Quem?
- Uma moça.
- Qual o nome dela?
- Isto é sigiloso, senhor.
Leonard sempre foi curioso, principalmente com informações que poderiam lhe dar alguma vantagem. Naquela noite, ele deu uma desculpa para ir a seu escritório onde, com o nível de autorização concedido temporariamente por Alaústre para que Leonard executasse outra tarefa, descobriu quem era a moça.
- Maruska???
Um temor tomou conta de Leonard. E se Maruska engravidasse dele? Todos saberiam que seu casamento era apenas uma farsa!
Correu para o dormitório da moça. Tocou a campainha incessantemente. Logo ela atendeu:
- Boa noite, Leonard! O que veio fazer aqui?
- Maruska, eu sou que você é...
- Fértil? Sim. Isso mesmo.
- Maruska!!! Eu podia ter engravidado você!
- E engravidou mesmo.
Leonard precisou encostar na parede. Aquilo tinha fugido completamente dos seus planos! Ele tentava verbalizar, mas não conseguia. Por fim, Maruska respondeu.
- Calma, homem! Eu disse que sou discreta!
- Mas  quando analisarem o dna da criança...
- Não vão achar nada que o ligue a você.
- O quê? Como assim?
- Quando eu engravidei, em meu pré-natal, que fiz antes de vir para cá, fiz um tratamento genético no bebê para que ele tivesse genes diferentes dos seus. Ainda há muitos genes iguais aos seus, mas não é possível dizer que você tenha algum laço de parentesco.
- Mas... por que você fez isso?
- Eu sou das antigas. Queria muito ter um filho.
- Então por que não fez inseminação artificial?
- E que graça teria? - respondeu com uma piscadela e um sorriso maroto.
- Sério, Leonard. Você precisa saber. - insistiu Maruska.
- O quê?
- Quando eu acordei e vi aquelas árvores frutíferas, eu saboreei uma maçã antes de acordar você. Já se passaram várias horas e nada aconteceu comigo. Nada disso oferece perigo.
Mal disse isso, foi ouvido um grito. Leonard e Maruska correram na direção. O tenente Amaranto disparara uma flecha num animal próximo a um dos sobreviventes. Este caiu no chão, enquanto sua esposa gritava.
- O que aconteceu? - perguntou o líder das equipes de sobrevivência.
- Aquele bicho! Ele-ele... voou... atacou meu marido!!! - falava com dificuldade.
A vítima estava morta. Seu rosto demonstrava grande pavor.
- O corpo dele! Está quente ainda, mas já está rígido, como se tivesse falecido a mais tempo! - disse Xandro, examinado o recém falecido.
- Xandro! Leonard! Alaústre! Capitão! Venham aqui!!! - gritou o tenente.
Maruska foi junto com Leonard. Yusuke estava próximo do animal abatido. Quando todos chegaram, ficaram extremamente surpresos.
- Uma cobra... com asas??? - observou o capitão.
- Isso é... - começava a falar Xandro, mal conseguindo se expressar.
- ...Um basilisco!!! - reconheceu Maruska.
Todos estavam boquiabertos.
- Nossas plantas, nossos animais e agora até as nossas lendas estão aqui! - falou Barog.
- Gente... até onde nós viajamos??? - balbuciou Alaústre.

CONTINUA

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