CHEGADA NO PARAÍSO - CAP 4

Alaústre abriu os olhos.
Onde ele estava, o teto havia sido destruído, deixando entrar a luz das estrelas que iluminavam aquele planeta. Ainda era noite, mas logo a luz do dia chegaria, iluminada por um sol amarelo, ligeiramente menor que o sol que iluminava a Terra.
- Você está bem? - perguntou o soldado, um um ferimento superficial na testa.
- Estou bem, Adam. Mas o que aconteceu?
- Ninguém sabe direito. Só sabemos que a nave começou a entrar em pane no momento que entrou na atmosfera.
- Os sensores não detectaram nada?
- Eles foram os primeiros a entrar em pane. Sabemos que a atmosfera é respirável e não há agentes químicos prejudiciais, que é o que nos informaram os sensores de longo alcance, antes de chegarmos ao planeta, fora isso, não sabemos mais nada.
O geólogo olhou para o teto.
- Parece que os geradores de gravidade artificial fizeram seu trabalho: se estivessem desligados, todos nós morreríamos.
- Infelizmente, nem todos funcionaram. Muitos geradores pifaram antes da descida e não entraram no modo de proteção de queda de aeronave quando nos chocamos contra o planeta.
O jovem homem de cabelos castanhos e olhos esverdeados ficou apreensivo:
- Quantas baixas, Adam?
O soldado de pele morena abaixou a cabeça.
- Não sabemos ao certo... mas menos da metade dos 40.000 colonos que vieram sobreviveu.
Foi uma grande comemoração o dia em que todos os envolvidos com o projeto chegaram a Rikker 4. O rico investidor Donis Mirdoff organizou uma grande festa ao ar livre.
Vários estandes com sintetizadores de comida produziam continuamente espetinhos de churrasco das mais diversas carnes apreciadas pelos humanos na galáxia. Assim como haviam sintetizadores de verduras em forma de churrasco para os que apreciavam quitutes desta espécie.
Alaústre já encontrara uma mesa onde acabara de depositar seus espetinhos e uma generosa caneca de cerveja exatamente meio grau célsius acima do congelamento. Foi quando sua atenção foi chamada pelo pronunciamento do endinheirado patrão.
- Sejam bem-vindos! Esta área conta com geradores de anti-gravidade para simular a gravidade da Terra. Aproveitem para se conhecerem e fazerem novas amizades. Queremos que vocês se sintam à vontade para a nova vida que vocês terão!
Alaústre estava animado com tudo aquilo. Procurava por seu amigo Xandro na multidão. Logo encontrou uma bela mulher de longos cabelos negros lisos que parecia perdida.
- Ei, moça! Procurando lugar para sentar? Pode vir aqui!
A moça sorriu. Seguiu até a mesa.
- Na verdade, estou procurando meu marido, Roger. É um homem de cabelos ruivos curtos encaracolados.
Alaústre teve um leve desânimo. Esperava lançar seu patenteado xaveco naquela garota. Porém, algo lhe parecia familiar.
- Desculpe a pergunta... mas já nos conhecemos?
- Talvez. Eu sou filha de Donis Mirdoff.
- Layana Mirdoff?! Sim! Claro.
A beleza de Layana era muito comentada entre os funcionários das empresas Mirdoff. E, agora, estava claro  o porquê. Nisso, um homem magro chegou.
- Layana, estava à sua procura.
- Oi, querido! Estava conversando o senhor...
- Alaústre! Geólogo e naturalista.. - apresentou-se estendendo a mão a Roger.
- Alaústre? Parece que você e meu marido estão na mesma equipe. - comentou Layana.
Porém, o marido não estendeu sua mão em retribuição ao cumprimento do naturalista.
- Oh, sim. Estamos sim. Vamos Layana. - e puxou-a dando as costas.
Alaústre e Adam chegaram à cabine de Donis. Aparentemente, aquela parte da nave havia sido poupada, mas a cabine estava uma bagunça.
- Que bom que chegaram! Eu e meu marido não estamos conseguindo tirar meu pai de debaixo daquela viga! - disse a moça grávida de quase 9 meses.
- Não se preocupe, Layana! Deixe conosco! Descanse! - pediu Alaústre.
Roger tentava mover, sem sucesso, uma viga que prendia Donis.
- Está ferido, senhor? - perguntou Adam.
- Estou bem. Só fiquei preso aqui depois que esta viga caiu. O incompetente do meu genro não consegue mover isso aqui! - respondeu o velho.
Roger estava ali. Cansado. Adam tentou amenizar.
- Esta viga parece pesada. Vamos tentar tirá-la.
Roger e Adam tentavam mover, mas não conseguiam. Alaústre, que estava acalmando Layana, foi ajudar. A princípio, aquela viga parecia emperrada. Por mais força que fizessem, nada acontecia.
Porém, algo misterioso aconteceu:  de um momento para outro, a viga ficou leve como uma pluma e ela saiu voando dali.
- O - o que aconteceu? - estranhou Roger.
- Algum problema com os geradores de gravidade artificial? - propôs Alaústre.
- Então por que só afetou a viga? E, depois, os geradores se fundem depois que salvam uma área de um impacto. - duvidou Adam.
- O que isso importa? O importante é que vocês salvaram minha vida. Não vou esquecer disso. - disse Donis levantando-se e olhando para Adam.
 - Vamos correr! Temos que achar mais sobreviventes! - disse Alaústre saindo correndo.
Alaústre estava atrasado para a última festa antes da partida. Não queria perder a oportunidade. Se perdesse, a próxima festa seria em, no mínimo, 200 anos.
No corredor, ele topou com Kevin, um membro de sua equipe.
- Kevin? Atrasado para a festa também?
- Na verdade, eu estou indo encontrar Tamires.
- A enfermeira da equipe alfa? Aquela que tem uma filha pequena?
- Ela mesma. Estou indo pedi-la em casamento.
Alaústre sorriu:
- Cara, que bacana! Ela parece ser uma pessoa muito legal.
- Eu não sei bem o que falar. Ela é uma pessoa muito independente. Tanto que quis ter um filho sozinha.
- Ela aprecia sua presença?
- Sim. Saímos sempre.
- Então não tem o que temer. Vai com fé!
O colega sorriu. Pareceu mais aliviado.
- Alaústre, você me salvou!
Foi nisso que Alaústre pensou ao encontrar Kevin, morto. Ele não havia sobrevivido à queda. Mais à frente, uma equipe médica tratava de Tamires. O geólogo se aproximou:
- Ela vai ficar bem?
- Sim. Conseguimos estabilizá-la. - respondeu Cássia.
Foi quando se ouviu um grito abafado.
- Socorro!!!
Adam e Alaústre seguiram por uma abertura. No quarto de Tamires, todo bagunçado, a voz de uma criança saía de dentro do guarda-roupa. O choro da criança era audível. Ela parecia apavorada.
O geólogo tentava acessar o móvel por um painel eletrônico, mas este não dava nenhum sinal de vida.
- Precisamos abrir a porta na mão! - concluiu o naturalista.
- Ela é muito pesada! Vou buscar uma alavanca! - disse Adam correndo para fora do quarto.
Os gritos da criança eram angustiantes. Alaústre ficava cada vez mais tenso.
Foi quando algo aconteceu: num gesto impensado, o geólogo fez um movimento no ar, como se estivesse mandando aquela porta se abrir. A porta não só abriu como saiu voando, revelando a menina encolhida dentro do guarda-roupas.
Alaústre ficou ainda mais assustado. Foi até a menina e a pegou no colo. Perplexo, balbuciou:
- O que está acontecendo aqui???

CONTINUA



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