CHEGADA NO PARAÍSO - CAP 2

O tenente Yusuke Amaranto sabia que teria um longo dia pela frente. Após acordar o pessoal mais importante na nave no dia anterior, seria sua responsabilidade agora dirigir a equipe responsável por acordar o resto dos colonos.
De feições orientais e corpo na mais perfeita ordem, o militar espreguiçou-se e foi levantando da cama. Porém, uma delicada mão feminina o segurou pelo braço.
- Catarina, nós temos que nos levantar antes que nos vejam. - respondeu o tenente à voluptuosa loira coberta apenas com o lençol de sua cama.
Durante o treinamento que ocorreu antes da viagem, o tenente Amaranto era o mais destacado em sua turma.
O grupo era de elite, sendo preparado por dois anos sob duros exercícios no campo de treino em Rikker 4, uma planeta habitável cuja gravidade era quase 50% maior que a da Terra.
Certo dia, o superior do então alferes Amaranto, Plácius Morgno, o convocou.
- Alferes Amaranto se apresentando!
- Descansar, alferes. Tenho ótimas notícias para o senhor.
- Pode falar, senhor. - respondeu em postura respeitosa.
- Nós estivemos analisando a sua conduta neste treinamento e vimos que o senhor se destacou.
- Obrigado, senhor!
- E queremos o senhor como capitão da nave colônia que vai para Andrômeda.
Tal notícia pegou o experiente militar de surpresa:
- C-Capitão? Mas sou apenas um alferes.
- E achamos o senhor digno o suficiente para pular para a patente de capitão.
- O-obrigado, senhor. Sinceramente eu não sei o que dizer.
- Na verdade, não é à mim que o senhor deve falar algo, mas a ela.
Foi quando o alferes notou a presença de uma linda mulher loira sentada numa poltrona do outro lado da sala.
- Esta é Catarina, psicóloga da missão. Será ela quem dirá se o senhor está apto ou não.
- Fique mais um pouco, Yusuke. Ainda é muito cedo. - disse a loira acariciando o braço do tenente.
- Mais um motivo para levantar. Se te pegam saindo do meu alojamento, é corte marcial na certa. - respondeu o militar soltando seu braço.
- Corte marcial? A dois milhões de anos-luz da Terra? - debochou a loira.
- O capitão desta nave ainda tem autoridade para pedir minha cabeça.
A mulher suspirou. Num ato brincalhão, jogou o lençol que a cobria no rosto de Yusuke. Quando este retirou o pano de cima de si, pôde ver a psicóloga de costas, caminhando de maneira sensual em direção ao banheiro do alojamento.
- Você quem sabe, gostosão...
Yusuke pôde se lembrar do quanto se sentia pouco à vontade durante as primeiras consultas com a médica.
- Alferes, por que você prefere tanto a poltrona do que o divã? - perguntou Catarina.
- Doutora, eu me sinto mais à vontade sentado.
- À vontade? Como? Veja como você está encolhido aí.
- Eu... sou assim mesmo.
- E tem falado pouco desde que nos conhecemos. Assim fica difícil eu saber se está preparado ou não para ser capitão.
- Eu... sou meio quieto mesmo. - defendeu-se cruzando as pernas.
A psicóloga deu um sorriso. Foi até seu paciente e começou a massagear seus ombros.
- Eu acredito que você está precisando relaxar. Se abrir mais. Contar-me os seus segredos.
Yusuke estava tenso, mas começou a ceder lentamente. Com um movimento com o pé, Catarina deitou a poltrona, surpreendendo seu paciente.
Dando a volta, a psicóloga sentou-se no colo do petrificado alferes e começou a massagear o peito do paciente.
- E eu sei qual é um de seus segredos... - e lhe deu um longo beijo, levando Yusuke, enfim, relaxar.
O Tenente Amaranto acabara de colocar seu uniforme e já penteava seus curtos cabelos lisos quando Catarina, já vestida, abraçou-o por trás.
- Já vou indo. Tchau! - e deu-lhe um beijinho no rosto.
Yusuke observou a psicóloga deixar o recinto. Tão logo ela foi embora, seguiu até a porta e a trancou com uma senha. Enfim respirou aliviado.
Foi até seu baú de roupas. Ativou uma senha e o compartimento secreto se abriu. Lá estava o tesouro do tenente Amaranto: uma coleção variada de todos os tipos de armas modernas de mão. Sempre que tinha tempo, gostava de desmontar e verificar se suas armas estavam em perfeita ordem.
Fazia parte do trabalho do tenente: ele era o armeiro-chefe da missão, responsável pela manutenção e improvisação de armas necessárias para cada situação.
- Computador: escudo de testes, nível máximo.
Um escudo de energia surgiu acima de uma pequena plataforma no meio do quarto. Logo atrás, ergueu-se uma parede de absorção de tiros. Tudo ficava bem disfarçado no quarto para que ninguém pudesse notar.
O tenente atirou após fazer algumas modificações na arma. O escudo não só deixou passar o tiro como este quase furou a parede de absorção.
Era esse o segredo de Yusuke: ele era obcecado em desenvolver a arma perfeita. Quase todos os dias ele tentava novos melhoramentos nas armas que tinha. Se alguém soubesse deste seu passatempo, poderiam julgá-lo um risco.
Curiosamente, não foi nisso que ele pensou quando Catarina o rejeitou para o posto de capitão.
- O que significa isso??? - perguntou o alferes, entrando sem cerimônia no escritório da psicóloga.
- Deve estar falando das minhas recomendações. Eu sugeri seu nome como tenente, segundo em comando da nave. - respondeu a moça calmamente.
- Mas era para eu ser nomeado capitão! Por que você fez isso? Por que você me traiu?
Ela se levantou, e foi abraçar carinhosamente o militar.
- Por que, meu querido, o posto de capitão é o mais em evidência. Todos os olhos estão voltados para você.
Yusuke parou por um instante.
- Ah, é?
- Sim! E não queremos que as pessoas descubram o nosso segredinho, não é? E, depois, você vai ter um quarto só seu como oficial sênior.
Yusuke colocou a mão no queixo. Ficou pensativo.
- Sabe que você tem razão...
- Eu sempre tenho, querido.
As equipes já estavam prontas para descongelar o restante da tripulação. O tenente Amaranto deu algumas orientações e seguiu liderando uma das equipes. Catarina estava à frente de outra equipe.
- Doutora, quem vamos reanimar primeiro? - perguntou uma das integrantes da equipe da psicóloga.
- O meu marido, é claro.

CONTINUA

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