CHEGADA NO PARAÍSO - CAP 1

Dor de cabeça. Algo comum para alguém que esteve em animação suspensa por cerca de 200 anos. Foi com esta sensação que Xandro acordou.
- Está bem, doutor?
- Sim, tenente Amaranto. Mas eu gostaria de saber de minha esposa. - respondeu ainda com os olhos fechados enquanto massageava sua cabeça.
Xandro se lembrava bem do primeiro dia em que conheceu Cássia. O Sistema de Controle de Tempo Global havia programado chuvas para a sua região. O campo de força que protegia professores e alunos da faculdade no caminho para o transporte rápido estava desativado naquele dia. Sem um protetor de chuva pessoal, Xandro aguardava a chuva passar, o que aconteceria dali a 18 minutos conforme previa seu relógio.
- Por mais que eles tentem programar estas chuvas para não atrapalhar ninguém, sempre pegam alguém de surpresa.
O bioquímico olhou para o lado. Era uma moça simpática, um pouco mais jovem que ele.
- Oi. Meu nome é Xandro, professor de Bioquímica. Você é...?
- Cássia. Trabalho aqui como professora de enfermagem.
- Aqui? Puxa, eu não a conhecia ainda.
- Não estou aqui há tanto tempo. Nossos caminhos ainda não haviam se cruzado.
- Hoje em dia o ensino é tão pessoal que não é incomum dois professores da mesma universidade nunca se cruzarem.
- Bom, o jeito é cruzar os dedos para a chuva passar logo.
Xandro riu:
- Há muito tempo não escuto esta expressão. E, o pior, sem fundamento: todos sabemos que as chuvas têm hora exata para terminar.
- Ora, Xandro! Você não acredita no acaso? - sorriu a moça.
- Acaso? Como assim?
- Veja bem: não é uma grande coicidência os campos de força protetores justo hoje estarem em manutenção?
- Hum... é verdade.
- E nós dois esquecermos justo hoje nossos protetores individuais?
- Bom, pra falar a verdade eu nunca trago. Confio nos campos de força da faculdade.
- E justo hoje ocorreu esta sequencia inesperada. Quem disse que a chuva não pode parar antes.
-Acho que você está sendo muito otimista.
E não deu outra: poucos segundos depois a chuva parou, 12 minutos e 47 segundos antes.
- Estou aqui, Xandrinho!
De volta ao presente, Xandro abriu os olhos e encontrou a mulher por quem havia se apaixonado:
- Cássia! Você está bem?
- Um pouco de dor de cabeça, mas vai passar.
Interrompendo o reencontro, o tenente Amaranto prosseguiu com suas ordens.
- Devemos estar chegando a nosso destino em 2 dias. Já estamos dentro da Galáxia de Andrômeda.
- Achei que seríamos acordados mais em cima da hora. - comentou Xandro.
- A maioria vai. Mas o trabalho do senhor é essencial para a missão. O senhor é o líder sênior da equipe de cientistas que irá analisar o planeta para onde estamos indo.
- Sei... - disse Xandro emburrando.
- Algum problema, senhor?
Xandro olhou para a esposa. Disse:
- Não. Nada. É só a dor de cabeça.
Na verdade, Xandro nunca quis deixar a Via Láctea. Na verdade, sequer queria deixar a Terra, mas um evento foi fundamental para tomar sua decisão:
Num clássico Pub inglês, conservado para lembrar as características clássicas de antes da Primeira Grande Guerra Espacial (evento que marcou o início do calendário atual), Xandro estava acompanhado de seu amigo geólogo Alaústre. Há meses eles haviam combinado de conhecer o estilo pré-guerra. É claro, Alaústre ia pelas bebidas e pela diversão.
- Xandro, você parece meio distante hoje. Está precisando beber mais cerveja!
O bioquímico estava quieto perto de um pote de amendoim. Respondeu:
- Preciso estar bem hoje, Alaústre!
- Por quê?
E Xandro mostrou uma pequena caixa e, abrindo-a, mostrou duas alianças.
- Uau! Você vai pedir a mão de Cássia em casamento como faziam antigamente!
- Sim. Por isso quero estar sóbrio.
- Entendi. Vai ser hoje?
- Sim. Ela estará em casa descansando após uma conferência que ela participou nesta semana.
- Bom, então não vou atrapalhá-lo. Hey! Lembrei: você também foi convidado para ir conhecer Andrômeda?
- Sim, desde o início do projeto, mas estou fora.
- Fora? Parece algo incrível!...
- 200 anos viajando em animação suspensa? Desculpe, mas não consigo nem conceber a idéia. Eu teria de deixar todos os meus amigos para trás e nunca mais iria reve-los.
- É... é ruim por esse lado...
Xandro recebeu um aviso de seu relógio.
- Cássia já está em casa. Já estou indo.
- Tudo bem! Até!
Xandro saiu do pub. Pegou um transporte rápido que havia bem ali na frente. Durante os minutos de viagem entre Londres, no Reino Unido, e Sidney, na Austrália, Xandro foi pensando em como amava Cássia. Ela tinha sido seu melhor "evento inesperado". E, por ser inesperado, ele nunca poderia deixar aquela oportunidade passar.
Finalmente, em frente à porta de sua amada, ele ensaiava seu discurso. Finalmente a porta se abriu. Cássia parecia eufórica:
- Xandro, aconteceu algo muito legal comigo hoje!!! Preciso te contar!!!
- Nossa, você parece alegre mesmo. O que houve?
- Fui convidada para participar do projeto de pesquisa de um planeta em Andrômeda!
Xandro estava à porta da sala onde estavam as câmaras de animação suspensa dos tripulantes de pesquisa. Ele olhava tudo em silêncio. Pelo menos, Alaústre, seu melhor amigo, havia vindo junto. Cássia encontrou o cientista ali, distante.
- Eu ia perguntar por que acordei cedo, junto com você, mas acabei esquecendo. - disse a esposa tentando animar o marido.
- Foi uma de minhas exigências: nós dois teríamos de ser reanimados ao mesmo tempo. - explicou Xandro, ainda distante.
- Você parece tão triste, Xandro...
- Deixei muita coisa para trás, Cássia. Eu não queria deixar a Terra. A esta altura, todos quem conheci já morreram.
Cássia não podia deixar de sentir a tristeza de seu marido:
- Por que você não me pediu para ficar?
Xandro esboçou um sorriso. Foi até a sua esposa.
- Porque eu te amo. Não poderia viver bem comigo mesmo imaginando como eu pude estragar um de seus sonhos. - beijou e abraçou Cássia, que permanecia triste.
Há 200 anos, numa sala de conferência, o rico investidor daquela viagem fazia uma entrevista:
- Como você deve saber, temos o grande interesse de expandir so domínios humanos para além desta galáxia e soubemos, roubando informação dos computadores dos nossos aliados Briees que existe um planeta chamado por eles de "Paraíso".
   Para podermos explorar o máximo potencial desta oportunidade, precisamos de alguns cientistas importantes participem. O mais importante deles é Xandro, porém, ele não quer deixar a Terra. É aí que você entra.
Ali estava Cássia, sentada calmamente em frente a seu empregador:
- Pode deixar comigo. Vou me apresentar a ele e convencê-lo a ir conosco.

CONTINUA

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