CORES BARULHENTAS - CAP 30

Nespler estava certo. A Confederação considerou inaceitável a conduta de Lukat. Por isso, o Alto Comando transferiu o Almirante-Chefe para um setor distante do espaço da Confederação. Entretanto, ele ainda estaria presente durante a conferência entre humanos e confederados.
Sem C.G.Mex para realizar a tradução simultânea, QnuBo intermediou as conversas. Estavam presentes Roger, o senador Altair e o presidente do Brasil do lado humano. Do outro estavam o presidente Kabraq de Banol e os mesmos representante da última vez.
Com a acessoria de QnuBo, os humanos puderam preparar uma exposição em vídeo com imagens retiradas das notícias da Terra da época do conflito. Após apresentar tudo, e com um suporte técnico pazenv, foi possível constatar a veracidade daquilo que era apresentado.
Novamente o presidente Kabraq tomou a frente:
- Está claro para mim que os humanos são refugiados e precisamos recebe-los de braços abertos!
O representante ilkage era mais frio em sua análise.
- Podemos recebe-los, mas nossos planetas têm o suporte de vida apropriado?
Feita a tradução, o presidente humano explicou:
- Companheiros, antes de sair da Terra, pudemos analisar a atmosfera de Banol. Ela é perfeitamente compatível conosco. Talvez tenha uma proporção um pouco maior de oxigênio, mas nada que venha a nos impedir de respirar lá. Na verdade, se nossos pulmões fossem incompatíveis, nem conseguiríamos ter esta conversa nesta sala.
- Isso está claro para nós, mas e quanto ao clima? À sucessão de dias e noites? Gravidade? Certamente o planeta Banol não é perfeitamente igual à Terra.
- E não estamos dispostos a fornecer muito espaço em nossas colônias: o espaço da Confederação é grande, mas não temos tantos planetas habitáveis disponíveis. Na verdade, em nosso espaço estão todos já colonizados. - complementou o representante pazenv.
- Não queremos invadir o espaço de ninguém. Só achar um lugar para viver em paz. Se puderem nos permitir viver em naves próximas de seus planetas, já está bom. Podemos fazer rodízio para os nossos cidadãos descerem e "esticarem as pernas" pelos seus planetas.
Os representantes se entreolharam. O ilkage disse:
- Podemos vender naves mais espaçosas para vocês não se sentirem apertados.
O presidente logo percebeu que teria de explicar suas figuras de linguagem:
- Eu quis dizer que os humanos precisam sair um pouco do ambiente sem gravidade das naves e passar um tempo nos planetas para manterem a saúde.
- Vocês são bem-vindos a todos os planetas Kabraqs! - convidou o presidente de Banol.
Porém, Lukat lançou sua última carta:
- Senhores, isso é seguro?
Os representantes voltaram-se para o ex-almirante-chefe. Ele prosseguiu:
- Os humanos têm uma arma que deixou indefesa toda uma tropa ilkage. Quem disse que um dia eles não podem usar esta arma contra nós?
Os representante começaram a conversar entre si. QnuBo fez a tradução.
- Espera aí! Estávamos nos defendendo! - Roger levantou a voz.
Embora Lukat não tenha entendido as palavras de roger, aproveitou para envenenar um pouco mais a conversa:
- Como podem ver, além de tudo, eles são irritadiços.
O presidente fez um sinal para o jovem se acalmar. Prosseguiu:
- Diga que estávamos nos defendendo de maneira não violenta. Nós já eliminamos qualquer planta que viesse a causar esse efeito de novo.
- Como vamos saber que não levam mais armas em suas naves? - continuou Lukat.
Roger se levantou:
- QnuBo, diga a eles: como forma de boa vontade, eu partirei sozinho para fora do espaço da Confederação com as naves. Os humanos vão comprar as naves daqui e levarão as suas coisas. Se quiserem, podem vistoriar tudo a procura de algo que possa fazer mal.
O senador surpreendeu-se. O presidente não gostou do que ouviu:
- Roger, eles não podem limitar nossa liberdade assim!
- Presidente, com todo o respeito, não somos mais um país soberano. Se não nos submetermos a esse pequeno sacrifício agora será o fim da raça humana. - respondeu o jovem com convicção.
- Mas, filho! E você? Podemos escolher outra pessoa para...
- Pai, fui eu quem iniciou esta antipatia com os ilkages. Eu sou o melhor sacrifício de boa vontade que eles podem querer. E, depois, o senhor mesmo me ensinou que não sou melhor do que qualquer outro. Que não devo receber previlégios.
O senador se calou. Não havia como contra-argumentar. QnuBo quebrou o silêncio:
- O que devo dizer?
O presidente voltou-se para o intérprete. Respondeu:
- Pode falar o que ele pediu, senhor QnuBo.
Enquanto o ilkage traduzia, o líder máximo continuou:
- A primeira nave da frota humana terá o seu nome.
- Senhor, se me permite, eu gostaria que chamasse a nave de Josias. Foi ele quem me ensinou a lição mais importante para que eu estivesse aqui...

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