CORES BARULHENTAS - CAP 27

Era necessário uma movimentação que não despertasse suspeitas. Para tal tarefa, Nespler designou um homem de confiança, enquanto permanecia na ponte, abafando qualquer informe dos sensores.
Uma nave com um pequeno contêiner de carga saiu disfarçadamente da nave-mãe levando como carga um humano e seu robô.
Enquanto seguiam, Roger permanecia pensativo com um sorriso maroto. O robô modelo C.G.Mex percebeu e usou uma velha expressão humana:
- Um tostão pelos seus pensamentos.
O jovem sorriu:
- Tostão? Que expressão mais antiga, C.G.!
- Ela faz parte de minha pré-programação. No que está pensando?
- Na ironia de tudo isso. A planta mais perseguida no planeta Terra agora será a salvação da humanidade...
- Bombas atômicas também levavam à manutenção da paz entre as nações, mas isso não significa que elas eram boas.
Roger estranhou. Nunca vira seu robô ir contra seus hábitos.
- Você é contra o uso da maconha?
- Sim.
- Mas você nunca disse nada...
- Sou um robô. Sigo as três leis da robótica. E uma delas é sempre servir o ser humano. Mas isso não significa que eu não possa ter estabelecido minha opinião.
- Provavelmente outra coisa pré-programada...
- Não. Este conceito eu criei observando seu uso da erva. Durante o tempo que você trabalhou na Argentina você fez pouco uso da droga. Comparando sua produtividade profissional e pessoal quando você usava e quando você não usava, pude estabelecer que estes cigarros que fuma lhe causam problemas.
Roger ficou em silêncio diante daquele sermão robótico. Robôs não tinham emoções, logo, aquelas palavras eram puramente lógicas. E lógica não é simples opinião.
- Talvez este seja o meu momento de crescer...
A nave tremeu. Eles haviam chegado. Por uma escotilha, tiveram acesso ao local onde estavam as plantas.
- Tem como botar fogo em tudo isso? - perguntou o robô.
- Sempre trago comigo meu isqueiro. Deve ser suficiente.
- Aqui há uma máscara de ar. Eu sei que o senhor gosta de aspirar a fumaça desta planta, mas tal incêndio pode ser mortal. Por esta porta há uma pequena ante-sala onde o senhor também pode se proteger do fogo.
- Eu sei. Conheço bem esta nave.
C.G.Mex seguiu até uma saída de ar e disse:
- Devo seguir para a sala de comando. Devo chegar lá sem problemas. Mas posso ser destruído quando chegar lá e encontrar soldados. Assim, aguarde meu sinal no celular e mantenha a porta desta sala trancada para que mais soldados não entrem.
- Eu tenho certeza que você consegue! Vamos sair desta nave dando risadas destes otários!
- Assim espero. Boa sorte. E entrou no duto de ventilação.
Roger disfarçava, mas sabia que as chances eram contra ele e seu robô e, embora fosse só uma máquina, sentia uma forte amizade.

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