CORES BARULHENTAS - CAP 25

- O que quer dizer, Lukat??? - pela primeira vez, Nespler não usava o adjetivo "senhor".
- Pela sua reação, acredito que já esteja supondo. Mas vou dizer assim mesmo: enviarei minha tropa pessoal para retirar as naves deste setor, enviando-as de volta ao planeta que eles chamam de Terra, ou algum outro mundo perdido na galáxia.
- Mas... os representantes da Confederação estão dando uma chance a eles!
- Às vezes o senhor se esquece que somos uma Confederação e não uma Federação. O único poder compartilhado e reconhecido entre as três raças é o militar. Não há uma administração política ou comercial central, assim, o poder a nós investido é superior aos destes meros representantes. Se eu achar que os humanos são uma ameaça a nós, posso tomar esta minha decisão. - respondeu com frieza.
- Mas isto é um ultraje! Posso pedir ao Comando Central que interrompa sua operação! - começou a elevar a voz.
- Sim, você pode. Mas, além de colocar em risco a sua carreira caso o Comando me apoie, é inútil: mesmo que eles ordenem que eu pare, esta ordem só chegará tarde demais: as retransmissoras de mensagens MRL (Mais Rápida que a Luz) não estão alinhadas o suficiente para que sua mensagem chegue a tempo.
Nespler estava furioso. Saiu em silêncio, em discreto desacato, pois não pediu para se retirar a seu superior.
O Kabraq encostou-se na parede de um corredor vazio. Conversas tidas com QnuBo nos últimos dias deixavam claro que os humanos não tinham como fazer seu caminho de volta. Mesmo que os reatores de fusão durassem mais 10.000 anos, os robôs que cuidavam de toda manutenção já haviam deixado de existir. O último C.G.Mex dava conta através do controle de sistemas automáticos nas naves, mas uma já havia se perdido na viagem e aquele robô amigo do humano já não duraria muito mais tempo. Estava claro para Nespler que seu superior iria cometer genocídio dos últimos humanos que ainda restavam na galáxia e não podia fazer nada.
Fez uma silenciosa oração aos Deuses Gentis suplicando por misericórdia. Por algo que salvasse os humanos. Por fim, seguiu para o quarto onde estavam Roger e seu autômato. Ao entrar, sentiu um aroma estranho.
- Que cheiro é esse?
Roger estava emburrado. C.G.Mex tomou a palavra.
- Meu mestre estava fumando um cigarro feito com uma erva terrestre.
- Fumar??? Isso é proibido dentro de naves espaciais!!! É muito perigoso!!! - assustou-se Nespler.
- Foi exatamente o que aquele soldado Kabraq disse depois que sentiu o cheiro saindo daqui. Nem deu pra ficar numa boa... - retrucou o humano.
- A que devemos sua ilustre visita, almirante? - perguntou o robô com educação.
Nespler, então colocou a par Roger e seu amigo dos planos de seu almirante-chefe.
- Mas que safado! Bem que o QnuBo nos avisou! Cobra venenosa! - gritou o jovem.
- Cobra venenosa? - perguntou Nespler alheio à fauna terrestre.
Neste momento, um velho ordenança ilkage, empurrando um carrinho cinzento com comida dentro de vasilhas escuras e foscas entrou. Ele estava concentrado no carrinho, fazendo uma cara de quem não estava entendendo alguma coisa.
- A comida que o senhor pediu... - falou fechando os olhos e esfregando as orelhas.
- Eu estava com a maior "larica", mas depois desta notícia, até perdi a fome... - comentou Roger.
Porém, o ilkage ao abrir os olhos e olhar o quarto, teve uma reação completamente inesperada:  começou a gritar:
- Que barulho grave é esse???
Nespler ficou muito surpreso. Correu e agarrou o ordenança, que estava com os olhos esbugalhados:
- Fique calmo! Diga o que está acontecendo!
O ilkage olhou para Nespler e gritou mais ainda:
- Não! Barulho agudo agora não!!! - e desmaiou.
C.G.Mex aproximou-se surpreso.
- O que aconteceu?
- Eu não sei. Ele estava reclamando de barulhos... exatamente como QnuBo em sua nave... - percebeu o Kabraq.
- O que está querendo dizer? - perguntou Roger desconfiado.
- Eu não tenho certeza... mas será que os humanos carregam algum tipo de moléstia que só afeta os ilkages e não aparece nos nossos exames? - questionou o almirante.
- Bobagem... se fosse assim, os ilkages na reunião que tivemos exibiram a mesma reação. - respondeu C.G.Mex.
Foi quando Nespler teve uma idéia:
- Espere: Roger, o senhor fumava estes cigarros em sua nave?
- Sim. E daí?
- E estes cigarros têm algum efeito embriagante, como o álcool?
- Bom... mais ou menos...
- Sim. Esta erva tem efeitos adversos no cérebro. - respondeu C.G.Mex, incisivo.
- C.G.Mex... - disse Roger com um olhar de censura.
- Então é essa a resposta: embriaguez ilkage! - disse Nespler.

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