CORES BARULHENTAS - CAP 20

Em dois dias a viagem de QnuBo teve início. Não havia uma janela direta no hiperespaço que levasse diretamente a Banol. Foram necessárias duas escalas, mas em 10 dias o ilkage chegou a seu destino.
O catedrático ficava imaginando o que faria quando colocasse os pés naquela nave. Escutava repetidamente a mensagem que o alien enviara e a conversa que ele tinha com seu imediato robótico. Não era possível nenhuma conclusão exata até aquele momento. Era preciso escutar mais para formar uma opinião.
Pensava também em como ensinar a língua kabraq a eles. Essa era a língua utilizada naquele sistema estelar, além de ser muitíssimo mais simples que a língua Pazenv, que tinha uma palavra para quase tudo no universo, e o ilkage, com tantos sinais vocais que qualquer um se perderia.
QnuBo não precisou esperar quando desembarcou no planeta colonizado por Kabraqs. Dois soldados, um Pazenv e outro Kabraq, aguardavam pelo linguista. Mal conversaram e o levaram para uma nave auxiliar. Em 12 horas encontrava Nespler e seu rude superior.
- Que os Deuses Gentis o tenham conduzido bem. - fez o kabraq uma reverência de profundo respeito colocando os braços cruzados com os punhos nos ombros.
- Agora que o senhor chegou podemos provar que tudo isso é perda de tempo. - disse Lukat sem reverência alguma.
Segurando sua mala, QnuBo sentou-se numa cadeira na sala dos oficiais.
- Por favor, Informem-me o que aconteceu durante os últimos dias.
Nespler tomou a frente:
- Eles mantiveram órbita conforme nossas exigências. Eles não tentaram fazer mais nada depois disso.
- Ou seja, estão esperando o menor deslize para iniciar seu ataque. - concluiu o almirante-chefe.
- Eles não me pareceram hostis, almirante-chefe. Os sinais vocais fazem parecer que estavam em situação de tensão. Como seguiram as ordens não verbais do almirante Nespler, acho que estão tão surpresos conosco quanto nós. Provavelmente tenham vindo em naves colônia em busca de um planeta e não sabiam que este sistema já era colonizado. - comentou QnuBo.
- Ou seja, é uma invasão, como eu estou dizendo.
- Acidental, senhor.
- Irrelevante. Eles querem dominar este sistema e estarei preparado quando eles tentarem. Logo uma frota Ilkage chegará a este sistema para guardá-lo. - e se retirou.
Um pouco embaraçado pela atitude de seu superior, Nespler dirigiu-se a seu antigo mestre. Este, antes que qualquer coisa fosse dita, tomou a frente.
- Dias difíceis, não é?
- Bastante.
- Entenda, Nespler, seu superior é um ilkage e ilkages nunca erram. Quando erram é por desleixo. Seu superior não pode admitir que é desleixado.
- Entendo, mestre. Mas, mesmo para ilkages, insistir num erro também é arrogância, um pecado maior que o desleixo.
- Talvez para ilkages e kabraqs de modo geral, mas desleixo pode ser inadimissível para militares.
- Entendo... Devo ter piedade e não raiva.
- Bom, colocado assim por um kabraq com fé nos Deuses Gentis, está correto.
- Certo. De qualquer modo precisamos descobrir mais sobre estes alienígenas. Se sua hipótese estiver certa, talvez possamos conduzi-los a outro planeta desabitado.
- Podemos ter problemas neste sentido: Não sabemos quanto combustível as naves deles ainda têm, qual sua velocidade máxima e tão pouco se ainda há planetas disponíveis no território protegido pela Confederação.
- Um problema de cada vez. Em uma hora levaremos o senhor até a escotilha de entrada de uma das naves e o senhor poderá ter o seu primeiro contato.
- Mas já? Não pode ser perigoso ir entrando assim, de qualquer forma, numa nave desconhecida? Eles podem achar que o ato é hostil.
- Nossos técnicos criaram uma animação em computação gráfica mostrando que vamos embarcar na nave principal deles. Como não houve reações, acredito que eles já tenham entendido. Mas fique tranquilo. O senhor será conduzido por meus melhores homens.
QnuBo ainda temia. Embora parecesse que os alienígenas estivessem vindo em paz, não se podia descartar que ali pudesse ocorrer uma armadilha que sequestrasse a ele e outros soldados.
Uma hora depois, QnuBo seguia em uma nave auxiliar até seu destino. Durante a curta viagem, pensava em como seria sua primeira abordagem. Decidiu fazer o cumprimento de respeito Kabraq, uma vez que aqueles sistema era colonizado por estes. Ele encontraria os alienígenas, cruzaria os braços colocando os punhos na altura dos ombros e diria: "TOMOQUE!".
A nave auxiliar era modelo GITH 404, com acoplagem universal. Esta podia encaixar-se seguindo a curvatura de qualquer nave, pressurizando uma ante-sala ligada a uma das entradas da nave. A dificuldade dos marines, neste ponto, talvez fosse descobrir como abrir a escotilha.
Quando um dos soldados começou os procedimentos para verificar como abrir, percebeu que os alienígenas já estavam fazendo isso.
- Um ato de boa vontade. - deduziu QnuBo.
- Ou de guerra. Todos: preparem as armas! - respondeu o encarregado daquela missão.
O catedrático tinha mais certeza de sua opinião. Seguiu à frente para realizar o cumprimento que havia preparado quando um ser robótico abriu a porta. Foi quando teve uma surpresa: o robô cruzou os braços com os punhos nos ombros e disse:
- TOMOQUE!

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