CORES BARULHENTAS - CAP 19

Há décadas QnuBo tentava a cadeira de reitor da Segunda Universidade da Confederação. Era o maior linguista daquele setor, mas ainda lhe faltavam trabalhos publicados que agradassem a comunidade científica.
Isso não era surpresa. Por vezes, os colegas deste reservado ilkage tentavam lhe explicar que tudo o que produzia precisava ter resultados práticos, mas embora as conclusões fossem brilhantes, apenas despertava a curiosidade de outros catedráticos como ele.
Suas aulas eram abarrotadas de idéias e conceitos teóricos, ou seja, muito chatas. Parecia que só os alunos ilkages não dormiam na aula, não porque esta lhes fosse interessante de alguma forma, mas porque o metabolismo desta raça a fazia ter períodos de sono mais curtos.
Foi num destes dias de pura frustração QnuBo teve uma reviravolta em sua vida.
Cansado, preparou seu banho. Quando ia tirar a roupa, o videofone de seu alojamento tocou. Ao atender, encontrou um antigo aluno.
- Nespler? O que meu dedicado aluno deseja com este antigo mestre? - saudou o professor de maneira cortês e pragmática, como todo ilkage.
- Professor, os Deuses Gentis foram generosos em permitir encontrá-lo. - respondeu Nespler com cortesia Kabraq.
- Soube que chegou a almirante. Este reconhecimento é merecido.
- Pois é sobre meu trabalho que eu gostaria de lhe requisitar ajuda.
- E como posso ajudá-lo?
- Bom, mestre... em minha última missão eu encontrei naves alienígenas de uma raça totalmente desconhecida pela Confederação. Tentamos contato, mas nenhum dos dois lados conhece a língua um do outro.
QnuBo ficou pensativo. Sabia onde aquela conversa ia chegar. Perguntou sem rodeios:
- Está precisando de mim para estabelecer esta comunicação?
- É isso mesmo. Preciso que aprenda a língua deles, ou que ensine nossa língua para eles.
O mestre não parecia muito interessado naquele trabalho. Não queria ficar longe da Segunda Universidade, tentando alçar o cargo que mais queria. E muito menos entrar em contato com uma raça desconhecida, que podia tanto ser amigável quanto hostil.
- Almirante, acho que posso lhe fornecer nomes mais adequados a esta tarefa. Acho que existem outros linguistas próximos a Banol que poderão ajudar mais e...
- Com todo respeito, mestre - interrompeu o kabraq - mas só posso contar com o senhor. É o único linguista ilkage no qual confio.
- Mas... porque você precisa de um ilkage?
- Estou tendo muitas complicações aqui com meu superior. Como ele também é da sua raça, ele não irá implicar com minha escolha.
QnuBo continuou em dúvida. Porém, um trabalho de campo poderia vir a ser justamente o que precisava para publicar uma tese prática que permitisse finalmente ser nomeado reitor. Por fim, se decidiu.
- Tudo bem, Nespler. Mas quero ter toda segurança quando eu vier a entrar em contato com essa raça.
- Isso eu posso garantir, mestre.

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