CORES BARULHENTAS - CAP 10

Roger já tinha 17 anos e a partida seria em 3 meses. Desde aquele dia, não parava de pensar com o que presentearia o amigo. Mesmo quando fumava com seus dois amigos brasileiros não vinha à mente nada de útil (na verdade, nestes momentos nada de útil podia ser pensado mesmo).
Assim, decidiu pedir conselho a seu mentor, o padre. Este pensou bem e lhe respondeu:
-Seu amigo lhe disse como seria a cerimônia?
-Seria um casamento numa igreja bonita perto de onde a noiva dele morava.
-E a festa?
-Festa? Acho que ele não deve dar nenhuma. Ele já estava apertado para conseguir trazer os parentes para a cerimônia.
-Taí. Você pode dar a festa.
-Eu???
-Sim. Posso falar com seu pai e ele terá o maior prazer em contratar um bufê.
Roger ficou animadíssimo! Foi correndo falar com o amigo. Porém, Roger nunca conseguiria dar as boas novas a Josias.
Naquele dia, os motores da uma das naves estava sendo testado. Como quase tudo estava pronto, somente restava conferir os funcionamento dos ítens chaves. Josias ajudava na parte elétrica do controle. Um grupo de técnicos fazia o acionamento e outro grupo fazia os ajustes necessários.
Como a nave usava um reator de fusão nuclear, não havia perigo de radição e o grupo de ajustes só precisava esperar esfriar os motores para ajustá-los. Antes do acionamento, o grupo no interior da nave fazia uma contagem regressiva de 20 segundos a fim de dar tempo dos técnicos lá fora saíssem do raio de ação dos motores. Josias estava no grupo externo.
Tudo ia bem. Em 20 segundos teria início outro teste dos motores e os técnicos já estavam protegidos. Foi quando algo inesperado aconteceu: uma criança, filha de um dos operários que moravam ali e recebiam visitas decidiu passear para conhecer o local onde o pai trabalhava e entrou nesta área de testes.
-Desliguem o acionamento! - gritou um dos técnicos pelo rádio.
-Não dá! O acionamento é automático!
Josias não teve dúvidas: saiu correndo. Pegou a criança e correu o máximo que podia. Quando a turbina foi acionada, caiu no chão tentando proteger a criança.
Roger viu tudo. Tão logo a turbina foi acionada, ela foi desligada. Correu para onde estava o amigo, caído. A criança chorava. Retirou-a: ela tinha apenas alguns ferimentos superficiais e queimaduras leves. Mas Josias não teve a mesma sorte: a roupa em suas costas havia derretido e sua carne estava com aspecto horripilante, com a ponta de alguns ossos da coluna à mostra.
-A criança está bem? - perguntou o amigo de Roger ainda com vida.
-Está! E você também vai ficar! - dizia Roger em desespero.
-Cuide da Rosa por mim... - pediu em espanhol.
E fechou os olhos.

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