CORES BARULHENTAS - CAP 09

Nas palavras do padre, Roger mudou da água para o vinho. Trabalhava mais que o necessário, estudava com afinco à noite. Começou a voltar para casa só sexta e estava impecavelmente no horário na segunda.
Como Roger ficava pouco tempo no Brasil, uma vez que a viagem em si era longa, o general aconselhou o jovem a já partir na sexta. O rapaz aceitou, mas passou a voltar só a cada duas semanas. Com o tempo, passou a voltar só uma vez por mês.
Roger também investiu nas amizades. Depois de aprender melhor espanhol, passou a conversar nesta língua com seus colegas, que já chamava de amigos. Nos finais de semana que passava em La Cooperación saía com eles. Dependendo, dormia nos alojamentos deles sem se importar com o desconforto e o frio, este muito forte no deserto mesmo no verão.
Um dia chegou todo animado para sua aula com o padre. O rapaz havia sido aceito na equipe do suporte das naves.
-Parabéns. Seu esforço valeu a pena. Mas isto não pode prejudicar seu trabalho com os robôs?
-Não, porque eu já consegui preparar e programar todos.
-Já??? - surpreendeu-se o tutor.
-Há alguns detalhes mínimos de manutenção, mas é algo que toma muito pouco tempo durante a semana.
-Você trabalhou bem mais do que eu esperava.
-Tudo tem que estar perfeito. - respondeu, ainda pensando em seu plano original.
Embora ainda fiel à maconha (fumava sempre que voltava ao Brasil), Roger acabou amadurecendo. Tratava a todos de igual para igual e se habituara a isso. Seu melhor amigo era Josias, que melhorou bastante seu português.
Num sábado à noite, Roger e Josias fizeram um pizza no microondas do filho do senador. Depois de algumas rodadas de videogame, o técnico argentino, já um amigo bastante próximo, perguntou:
-Hobbit, você não parecia muito animado quando chegou. Você é filho de um político importante. Não precisava trabalhar aqui.
Roger não revelara a ninguém o plano, nem a Josias. Deu uma desculpa inventada há muito tempo:
-Do que me adiantava permanecer levando a vida que eu levava se tudo ia mudar quando os alíenígenas chegassem? Prefiro estar envolvido naquilo que me daria algum futuro.
-Parece que você já era mais maduro do que eu imaginava...
-E você? O que o trouxe para cá?
Josias pegou sua carteira no bolso. Abriu e mostrou a foto de uma bela morena.
-Quem é ela?
-Seu nome é Rosa. Ela é do seu país. Mora em Salvador.
-Ela é uma namorada?
-É minha noiva.
Roger deu um sorriso sarcástico:
-Ah! Então daquelas vezes que você tirou folga foi para encontrá-la, não é?
-Isso mesmo. Vamos nos casar em breve. Ela está esperando um filho meu.
-O quê? Vai casar forçado?
Josias ficou insultado:
-De maneira alguma! Amo essa mulher!
Roger percebeu que irritara o amigo. Voltou ao assunto original:
-Mas... o que ela tem a ver com você aqui?
Mais calmo, Josias sentou-se.
-Quero constituir família com ela. E a única maneira que eu via de nós vivermos em paz seria vir trabalhar nesta obra.
-Entendo... os trabalhadores e suas famílias têm lugar reservado na nave. Mas você não precisa estar casado com ela?
-Sim. E isso já está programado. Iremos nos casar duas semanas antes da partida.
Roger sorriu:
-Fico feliz por você. Tenho certeza que será um grande pai de família.
-E por falar nisso, há mais uma coisa que gostaria de lhe pedir, se não for muito incômodo.
-O que é?
Meio acanhado, Josias perguntou:
-Gostaria de ser meu padrinho?
Roger teve vontade de rir, mas conteve-se ante a seriedade do amigo.
-Mas é claro! Não perco isso por nada!

0 comentários:

Postar um comentário

ANTES DE COMENTAR:

- não escreva em CAIXA ALTA;
- não divulgue links;
- não escreva com miguxês, internetês e similares;
- respeite as opiniões apresentadas.

Obrigado.

 
T.E.C. © 2010 | Designed by Trucks, in collaboration with MW3, Broadway Tickets, and Distubed Tour | Customized by Sybylla