Análise de livro - Senhor das Sombras

Anoitecia na longitude onde estava a mansão do líder do clã Javirt, da raça dos Zortars.
A construção era cercada de seguranças em trajes negros, que se misturavam à vegetação escurecida, comum em planetas que circulam estrelas do tipo Anã Vermelha. Aquela residência se destacava por ser pitada de branco, o que muitos especialistas diziam ser um convite a bombardeios inimigos. Mas isso não despertava temor em seus moradores: a localização daquele planeta era secreta, além de ser muito bem vigiado.
Moravam naquela região somente as famílias mais poderosas e influentes e era para lá que os generais do clã Javirt, cansados, tiravam férias.
Na mansão, duas crianças brincavam de piratas espaciais. A mais velha, com 12 anos, era a heróica pirata zortar, e o mais jovem, de apenas 6, era o maléfico humano assassino de zortars.
Naquele momento, uma serva da raça servono surgiu, abanando um de seus quatro braços:
-Crianças, por hoje chega. Spocarina, lembre-se do que seu pai Apacon lhe pediu. Cambrelo precisa ir embora.
-Ah, Avlaca! Deixa ele só mais um pouco! - pediu a menina.
O menino zortar abaixou a cabeça em respeito. Naquela idade ele já era bastante maduro e sério.
-O programa de HoloTV da Confederação logo irá começar. - lembrou a serva.
-Mas o Cambrelo é o único amigo que tenho! Só ele gosta da minha companhia... - lamentou Spocarina.
Embora as expressões no rosto de um servono sejam difíceis de identificar, era possível ver que Avlaca sentiu pena: de fato, Spocarina vivia isolada das outras crianças da idade dela.
-Está bem. Mas só até o fim do programa. Depois Cambrelo volta para casa.
As duas crianças ficaram animadas. Seguiram para a sala de projeção a fim de acompanhar a transmissão.
-Ele será um excelente Hotok. - pensou a serva sorrindo.
Na sala, Spocarina tinha em mãos um livro eletrônico.
-Sobre o que é esse livro? - perguntou Cambrelo.
-É muito legal. É a continuação de Filhos de Galagah. Sobre uma princesa que precisa encontrar uma criança sagrada. Ela tem que se aliar a povos bárbaros, enfrentar demônios e mortos-vivos. Além disso tudo, ela ainda precisa ajudar uma bruxa que está sendo forçada a trair a princesa e seus amigos.
-Que bacana. Eu nunca li um livro assim. De qual raça da Confederação ele pertence?
-Aos humanos.
Cambrelo ficou surpreso. Não podia acreditar que Spocarina estava lendo algo de uma raça tão odiada.
-Mas que bobagem!!! Pare de ler essas coisas! O humanos sim são demônios! É tudo puro veneno! - elevou a voz.
Spocarina ficou muda. Olhava atônita o amigo. De repente, ele percebeu com quem estava falando:
-Spocarina, desculpe. Se seu pai, o líder do nosso clã, recomenda você ler este tipo de coisa é porque os humanos devem ter algo a oferecer. Nem todos são maus, afinal.
Spocasrina deu um sorriso forçado. Ligou a TV.
-Novamente estamos aqui analisando outro livro humano do escritor Leandro Reis.
Lá estavam os mesmos apresentadores da última vez: Komor, o Kabraq; Drenus, dos Ilkages e Finor, um Pazenv.
-Devo dizer, com justiça, que Leandro Reis superou-se neste livro. Senhor das Sombras é uma obra de qualidade até superior ao Filhos de Galagah, o qual consideramos muito bom. - começou Komor - A ação deste livro é comparável a de muitos filmes épicos sucessos de bilheteria.
Os Kabraqs, embora não tenham desenvolvido expressões faciais muito visíveis, parecia satisfeito ao olhar seu colega Drenus, que mantinha sua pose.
-Devo admitir que "desleixei". Todas as fraquezas que apontei na última obra de Leandro Reis foram superadas nesta obra, além de ele conseguir, como dizem os humanos, "amarrar as pontas soltas" deixadas no último livro. Não há mais tantos milagres para salvar a heroína na última hora e os que têm estão perfeitamente explicados.
Komor deu um sorriso. Olhou para seu amigo da raça Pazenv.
-Finor, tem algo a declarar sobre o livro?
O pazenv ajeitou seus óculos escuros. Prosseguiu:
-Também sofri do seu efeito noturno como aconteceu com Komor da última vez que leu o livro e sonhou que o lia. Desta vez sonhei estar escrevendo alguma coisa inspirado na obra deste escritor. - sorriu.
-Mais alguma coisa? - cutucou o Kabraq.
-Bem, eu estava em dúvida sobre uma obra que eu escreveria no futuro, então decidi que, mais pra frente, vou me aventurar, também, na Literatura Humana Fantástica.
Drenus ficou surpreso:
-Um Pazenv mudando a forma de escrever???
-Considere apenas como um desafio criativo. Não irei mudar os temas nos quais trabalho. - defendeu-se Finor.
Komor mudou de assunto:
-Bom, considerando esta obra, mantenho minha última nota: 8 Ilpakas.
-Concordo. 8 Ilpakas também.
Olharam para Drenus. Este respondeu:
-Às vezes o texto tem uma ação tão alucinante que não se consegue entender alguns detalhes. 7 Ilpakas.
Ao final do programa, Cambrelo voltou-se para Spocarina:
-Posso ler esse livro?
-Claro! Mas primeiro vou lhe passar o Filhos de Galagah, que vem antes deste.
-Legal! Não sabia que os humanos podiam ser tão divertidos!
Spocarina olhou em silêncio para Cambrelo.
-Pensando bem, os humanos podem ser divertidos também. - corrigiu o garoto.
Meio sem jeito, ele mudou de assunto:
-Spocarina, o que é um "hotok"?
A menina olhou para cima, tentando pensar.
-Eu não sei, Cambrelo... Escuto meu pai dizer que eu e você um dia seremos hotoks, mas parece que essa palavra só os adultos conhecem...
-Eu também já ouvi isso. Dizem que os verdadeiros hotoks são aqueles que conhecemos desde a infância, mas não explicam direito.
-Deve ser uma coisa legal. Meu pai diz que eles são muito importantes. Que continuam hotoks mesmo que cresçam, se casem, mudem para outro lugar...
-Eu quero ser seu hotok, então!
-Eu também!
-Promete?
-Prometo!
Promessas de criança às vezes se cumprem, como foi o caso de Cambrelo e Spocarina. Porém, haveria um momento em que ela se arrependeria profundamente deste ato. Momento esse quando, para conservar sua liderança, ela teria que capturar o Portador da T.E.C. ou matar seu hotok...

1 comentários:

  1. Puba disse...:

    Muito bom o texto!
    Interessante a abordagem de se fazer ligações com a história principal através de pequenas histórias que analisam um livro real.
    Abraço!

    p.s.: Na quarta linha está escrita "pitada" em vez de "pintada".

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