Análise de livro - Impacto Fulminante

Conto Análise: Impacto Fulminante

G'Brajor certamente não era o sujeito mais popular da Galáxia. Embora já tivesse exterminado muitos Zortars invadindo zonas proibidas dentro da Confederação, ele nunca o fez pensando na ordem ou na justiça. Na verdade, ele também era uma doença, porém, tolerada pelos oficiais da Confederação. Entre o incômodo causado por piratas espaciais e um comerciante que, disfarçadamente, vendia produtos ilegais, a segunda opção era mais aceita.
G'Brajor fazia seus negócios em sistemas patrulhados por naves Pazenvs e Ilkages. Os Kabraqs eram "Caxias" demais para fazerem vista grossa para ele. O comerciante era um Ilkage. Usava uma espécie de tromba cibernética, uma vez que a sua fora amputada há muito tempo durante uma luta corporal contra um Zortar (isso até trazia certo respeito entre os Kabraqs que não o conheciam bem).
Naquele dia, sua nave, que tinha uma tripulação até grande, orbitava Manope, uma colônia Pazenv de extração de minérios. Os mineiros estavam muito satisfeitos com as prostitutas trazidas especialmente para eles. Porém, uma transmissão avisava que uma patrulha Kabraq chegaria em algumas horas. Era preciso seguir para o gigante gasoso mais próximo antes que os patrulheiros decidissem fazer uma inspeção.
- Onde está Gano?! - perguntou o comerciante numa voz calma, mas autoritária.
- Em seus aposentos. Devo chamá-lo? - falou o oficial da ponte.
- Não. Quero encontrá-lo pessoalmente. - disse o Ilkage saindo da ponte de comando da nave.
Dois níveis abaixo se encontravam os alojamentos da tripulação. G'Brajor já prometera uma punição bastante desagradável ao piloto Gano caso fosse encontrado ocioso novamente. Gano conseguia exaltar qualquer capitão de nave. Ele era uma verdadeira exceção entre os de sua raça: trabalhadores dedicados e muito conservadores, Gano era festeiro e aventureiro. A única coisa que o fazia ser procurado para o trabalho era sua incrível capacidade de pilotagem, qualidade crítica para combates e fugas.
A porta do alojamento abriu rapidamente. G'Brajor queria pegá-lo de surpresa. De fato, Gano levou um susto.
- Sr. Gano! O que eu prometi que faria caso o encontrasse ocioso?
Retomando a postura, Gano limpou a garganta. Em seguida mostrou um velho conjunto de papéis em sua mão.
- Algo do qual eu me lembraria muito bem. Ainda bem que não estou.
- E o que é isso? - indagou o comerciante.
- Um antigo livro dos humanos. Chama-se Impacto Fulminante, escrito por uma autora humana chamada Valentine Vieira.
- E por que isso o isenta de ócio? - perguntou irritado o Ilkage.
- Por que os humanos têm, nos últimos anos, se tornado os maiores comerciantes da Confederação. Eu mesmo ouvi que o senhor estava precisando aprender português tamanha tem sido a influência deles nos negócios!
G'Brajor, como todo Ilkage, não gostava muito de dar o braço a torcer, mas Gano tinha bons argumentos. Então era preciso pegar Gano de outra forma:
- Parece que eu desleixei em minhas observações. Então, fale-me um pouco sobre o que aprendeu.
- A língua usada pelos humanos, o português, é muito mais simples do que o a língua Pazenv. Minha língua, como o senhor sabe, tem muitíssimas palavras para determinar minuciosamente cada coisa e...
- Não. Eu quero saber o que o senhor leu e aprendeu com o livro. - inquiriu G'Brajor.
Gano entendeu o que seu capitão queria: verificar se, realmente, ele havia aprendido português o suficiente para conseguir ler o livro. Se não tivesse lido, estava provado que estava ocioso e inventou a história para fugir de uma punição. Porém, para a surpresa de seu chefe, Gano sorriu maliciosamente.
- O livro é sobre uma historiadora que é convocada para tentar entender as pistas deixadas pela vítima de um assassinato. Ela e o noivo, outro historiador, percebem que se trata de um tesouro com poderes ocultos que, se cair em mãos erradas, pode destruir toda a humanidade. Ao mesmo tempo que correm para achar as pistas, eles têm, bem atrás deles, uma ordem secreta disposta a tudo para conseguir esse tesouro.
G'Brajor não pareceu ter ficado satisfeito com a resposta. Continuou:
- Mas sua opinião sobre o livro? Qual é?
- Ele é bom. Gostoso de ler. Mas há alguns trechos que achei estranhos: por exemplo, em determinado momento, o casal e um amigo vão à casa da irmã da vítima e simplesmente falam que são desconhecidos que não são da polícia e querem entrar para visitar a cena do crime, tudo direto e sem rodeios. E a irmã simplesmente consente!
O Ilkage não gostou muito da resposta. Isso dava a entender que Gano realmente lera o livro.
- Talvez isso seja comum entre os humanos... - respondeu em voz baixa.
- Pelo que já ouvi falar sobre os humanos, não parece. Mesmo que houvesse algo errado com a irmã da vítima, os outros humanos deviam ter, pelo menos, tentado inventar uma desculpa ou deveriam ter mais cerimônia para ter permissão para entrarem.
G'Brajor bateu a mão numa cama:
- É só isso que você viu no livro?! - perguntou impaciente.
- Tem até que bastante romance e aventura. Mas outra coisa que não me parava de chamar a atenção foi o uso da palavra "estória".
- Como assim? - estranhou o comerciante.
- Aprendi que "estória" só é usada em fatos fictícios, enquanto que "história" pode se referir tanto a um fato fictício quanto real. A autora usou apenas a primeira palavra dentro do livro para se referir a fatos que ocorreram anteriormente na aventura. Ora, se é um fato da própria narrativa, ela é real dentro do contexto. Achei que ela deveria usar "história".
Neste ponto, estava mais do que provado que Gano aprendera mesmo português. Aquela observação só podia ser feita por alguém com o domínio da língua. G'Brajor, desanimado, respondeu:
- A história é fictícia. Talvez seja por isso que a autora só usou este termo.
- É. Talvez o senhor esteja certo. - respondeu Gano com humildade.
O comerciante saiu com passos firmes ordenando:
- Tem 5 minutos para chegar à ponte!
Calmamente, Gano fechou o livro e o colocou em cima da cama de seu colega Arthur, um humano que, recentemente, havia entrado para a tripulação. Enquanto saía, deu de cara com ele.
- E aí, Gano? Tudo bem?
- Tudo ótimo! Depois eu conversou mais! Preciso ir para a ponte!
- Ok! Até depois!
- Ah! E obrigado por me contar tudo sobre aquele seu livro! Depois você precisa mesmo me ensinar português!

0 comentários:

Postar um comentário

ANTES DE COMENTAR:

- não escreva em CAIXA ALTA;
- não divulgue links;
- não escreva com miguxês, internetês e similares;
- respeite as opiniões apresentadas.

Obrigado.

 
T.E.C. © 2010 | Designed by Trucks, in collaboration with MW3, Broadway Tickets, and Distubed Tour | Customized by Sybylla