INDEPENDÊNCIA E MORTE! - CAP17

Ruth chorou muito. Jonas era um segundo pai para ela. Mas jurou que iria respeitar a vontade de Jonas. Na verdade, ela iria bem além.
Quando foi resgatada, explicou que ela havia sido a única sobrevivente de uma invasão Norgor. Como ela era filha de um político influente, pediu como favor pessoal aos amigos de seu pai para que a colônia fosse abandonada. Como a humanidade estava interessada em explorar outros lugares da galáxia, não foi difícil fazer o condado cair no esquecimento.
Ruth seguiu os passos do pai e também se tornou uma política importante. Ela liderou um movimento pró-desativação dos robôs C.G.MEX. Como os seres humanos já haviam desenvolvido bem os campos de força, os novos criados artificiais foram os hologramas.
Os hologramas também ganharam consciência, assim como os robôs. Mas, ao contrário destes, sua programação foi além das leis da robótica, fazendo deles servos fiéis, mas sem noção de liberdade. Na verdade, isso nem era possível, uma vez que seus projetores eram locais, impedindo-os, na maioria das vezes, de sequer deixar um aposento.
Para estes hologramas, os C.G.MEX foram servos heróicos e fiéis, dignos de admiração.
Até o final de sua vida, Ruth fez de tudo para manter o candado livre de visitas. Como pessoa influente, ela foi a primeira a adquirir o Sistema de Defesa α, uma série de naves que vagavam pelo sistema solar onde estava o condado a fim de manter protegido o túmulo de Jonas. Ninguém deveria achá-lo e religá-lo.
Já com quase 200 anos, ao final de sua vida, Ruth fez uma última visita ao condado.
A colônia mantinha-se igual ao dia que ela deixou o lugar. A tecnologia havia projeto aquele lugar para durar milhares de anos sem a necessidade de intervenção humana.
Foi até o local onde seu pai fora morto e deixou flores. Em seguida foi para o palácio do governo onde deixara Jonas.
As luzes permaneciam acessas desde aquele dia. Um gerador geotérmico garantiria toda a energia necessária pelos próximos milhões de anos. No corredor ainda estavam os destroços de Luís. Ela olhou bem e seguiu em frente.
Abaixou-se em frente a Jonas e colocou flores em seu colo.
-Olá, amigo. Eu queria acordá-lo para poder lhe contar das coisas maravilhosas que fiz. Eu só pude fazê-las pois você me manteve viva naqueles dias que eu nunca esquecerei.
Ela passou a mão pela mancha na roupa de Jonas.
-Eu queria muito que você tivesse conseguido vestir aquela roupa. Ou mesmo trocar esta por uma mortalha melhor... – e deixou cair uma lágrima.
Nisso, ela tirou uma garrafa de água de sua bolsa e a colocou do lado do corpo sem vida do robô.
-Esta garrafa fica aqui, para quando não existirem mais humanos e você daí poder ser livre.
Enxugou as lágrimas e foi embora.
Jonas permaneceu ali sozinho, num sono profundo. Um sono que durou cerca de 7000 anos...

FIM

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