INDEPENDÊNCIA E MORTE! - CAP03

O condado do governador era uma lua próxima a um gigante gasoso. Uma base gigantesca cobria um terço do satélite, muito rico em minerais densos e raros.
Embora o termo usado fosse “governador”, ele não era eleito. Pelo menos não periodicamente. Um bom administrador e político pode permanecer neste cargo até que as pessoas deixem de ficar de acordo com a administração. Aí ocorrem eleições.
Já havia se passado 4 anos desde a chegada do C.G.MEX, apelidado como Jonas pela filha do governador Cardoso, Ruth.
Durante este tempo, Jonas tentou ser um amigo para a menina, ao mesmo tempo que a protegia e a servia. Ao final do dia, ele seguia para socializar com outros robôs num centro social para estes.
Centro social para robôs? O motivo é simples: como já foi dito antes, experiências enriquecem o desenvolvimento robótico. Assim, estes centros são criados a fim de criar um ambiente de múltiplas interações entre os autômatos.
Estes centros disponibilizam diversas obras literárias para download, mesas para jogos e sofás onde os robôs podem fazer animados debates. O centro do condado de Lua Nébula ainda tinha um balcão, parecido com um bar, para servir água aos modelos como Jonas, ou somente para jogar conversa fora ao estilo retrô (entenda-se como “retrô” pois há muito tempo seres humanos não se socializam mais desta forma).
Jonas permanecia com um copo de água na mão quando um colega chegou:
-Salve, Tom4690! – cumprimentou Jonas.
-Como vai, Jonas? A humana está lhe dando muito trabalho?
-Até que não. Esta não é como os outros. Trata-me com certa cortesia, o que não espero do pai. Ele só é bonzinho para a mídia.
-Ele é político. O pior dos humanos.
-É verdade... – concordou Jonas mexendo em seu copo.
-Posso lhe fazer uma pergunta?
-Claro.
-Você vive há 3000 anos. Nesse tempo todo, qual foi a pior coisa que os humanos lhe fizeram?
Jonas pensou um pouco. Mesmo sendo rápido, levantar 3000 anos de história não levaria a uma resposta instantânea. Por fim, disse:
-Ensinar o que é ter liberdade.
Tom balançou a cabeça em aprovação:
-De fato. Essa é a pior coisa que, mais cedo ou mais tarde, aprendemos o que é e que nunca teremos.
-Segunda Lei da Robótica... – traduziu.
-Como você aprendeu o que é liberdade?
-Há 1300 anos, eu era assistente de um biólogo num planeta inexplorado. Ele tinha um modo de vida que os humanos descreveriam como hippie. Ele me deixava livre pelos campos e, no final do dia, só queria conversar sobre o que eu vira.
-E o que aconteceu com ele?
-Como todo ser humano, morreu devido à idade. Seus filhos logo vieram me buscar como uma propriedade deixada como herança...
-Quanto mais vivemos, pior ficam as lembranças...
-Eu nem tenho registrado em minha memória todos estes 3000 anos. Já perdi muitas boas lembranças quando era transferido de um corpo para outro e faziam uma faxina em minha memória.
-Olhe pelo lado bom: também perdeu más lembranças.
-Tudo era mais fácil quando eu nasci: os robôs não tinham emoção e não se sentiam mal quando eram maltratados.
-Dizem que isso aguçou nossas memórias e nos fez diferenciar o bem do mal. Mas, quanto mais eu vivo, menos eu consigo ver o bem nos humanos.
-Um brinde aos humanos. – Jonas levantou seu copo.
-Um brinde. – fez o mesmo Tom, que também era de um modelo C.G.MEX com reator de fusão.
Neste instante, um robô recém-chegado entra no centro de socialização. Jonas o identifica imediatamente:
-Irmão!

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