INDEPENDÊNCIA E MORTE! - CAP01

-Ele abriu os olhos. – observou homem de roupas sociais e barba bem feita.
-Fez uma boa escolha, governador. Ele é muito forte. – elogiou a mulher de roupas brancas.
O homem, de modo grosseiro, abriu a boca do servo ali ainda deitado e olhou-a.
-É. Ele é forte mesmo. Mas isso não me importa.
-Não? Ele é altamente capacitado! Será um grande servo para trabalhar nas minas de seu condado!
-Eu sei, mas minhas minas já têm servos suficientes.
O servo sentou-se, pensando:
-“Servo”... Outra palavra para “escravo”...
-Então por que o senhor o escolheu?
-Minha filha. Quando soube que deste servo, insistiu para que eu o comprasse para ela.
-Então ele será o segurança dela?
-Ou mordomo. Ela quem decide.
-É uma pena. Ele poderia fazer mais coisas.
-Tirar a minha filha do meu pé é o trabalho que ele realizará. Venha, servo. – e puxou o recém-acordado pelo braço.
-Cuidado, governador! Ele acabou de acordar! Está desorientado ainda! – acudiu a mulher.
-Não disse que ele era forte? Ele vai se adaptar. – respondeu o truculento político.
Mas o servo não viu imediatamente a filha do governador. Como ele precisaria tomar um transporte para seu distrito, ordenou ao novo servo que carregasse todas as suas malas. Não era uma tarefa fácil: embora o escravo suportasse o peso da malas, elas eram em número elevado, dificultando o carregamento de todas ao mesmo tempo.
Bem no meio da rampa de acesso ao transporte, uma mulher da alta sociedade parou para bater papo com uma amiga. Inevitavelmente o servo esbarrou nelas, deixando cair suas malas em cima das delas.
-Servo imbecil!!! Olhe o que você fez!!! – esbravejou o governador.
O servo poderia tentar se defender, afinal, a mulher não poderia estar ali parada na rampa. Mas não foi o que ele respondeu:
-Desculpe-me, senhor! Eu já vou arrumar esta bagunça! – começou a organizar as malas.
Infelizmente, em cima de uma das malas da dama, havia um vaso delicado com um pó feito com especiarias locais, que mancharam a mala quando o vaso foi quebrado pelo acidente.
-Minhas especiarias! – lamentou a senhora.
-Viu o que você fez, seu inútil!!! Agora use estes trapos que você chama de roupas para limpar essa sujeira! – ordenou o senhor.
-Mas, senhor, isto irá estragar uma parte de minhas roupas e...
-Eu queria era estragar você inteiro! Só não o faço pois minha filha o quer! Mas fique avisado: mais uma gafe como essa e mando eliminá-lo como a uma mosca!
Como um bom escravo, sem mais reclamações, o servo ajoelhou-se e, com o máximo cuidado que tinha, a limpar a mala e recolher pedaços. Poupou quase toda sua roupa, mas uma mancha vermelha do tamanho de uma mão nunca mais ia sair de suas vestimentas.
A viagem teve início. Após guardar as bagagens nas acomodações do governador, sentiu necessidade de beber água.
-Senhor, poderia me dar um pouco de água. Estou precisando.
O governador tinha um copo de água em sua mão.
-Você quer isso aqui? Então procure por aí! Ainda estou aborrecido com sua atrapalhada. Aquela mulher era uma pessoa muito importante!
-Desculpe por tudo, senhor. Mas realmente estou precisando...
-Já disse! Procure! E pare de ser tão teimoso!
Seria fácil para o servo render o governador e beber. Ele poderia usar depois o governador como refém e obrigar o transporte a parar num local onde ele poderia fugir. Porém, saiu procurando por água. Não encontrava:
-Queria que tudo se acabasse agora, mas preciso tentar sobreviver...
Quando sentia que já não agüentaria mais, achou água na sala de máquinas. Estava morna, mas bebeu assim mesmo.
Finalmente o governador e o servo chegaram a seu destino. Adentrando em sua mansão, o governador chamou por sua filha. Logo, uma mocinha com cerca de 12 anos apareceu.
-Chamou-me, papai?
-Sim, filha. Feliz aniversário! Aqui está o que você pediu. – mostrou o servo à menina.
A jovem ficou animadíssima:
-Era isso mesmo que eu queria! Um robô C.G.MEX!

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