Análise de Livro - Filhos de Galagah

Apacon era um líder Zortar bastante diferente de seus antecessores. Embora os líderes desta raça alienígena governassem demonstrando força bruta, este idoso de cerca de 40 anos (média de expectativa de vida Zortar) usava de astúcia e inteligência, levando seu clã a uma seqüência de sucessos acima deseja antecessores.
Naquela noite, usando roupas confortáveis de seda pazenv azul royal, sentou-se à frente da holovisão. Era preciso ser um membro de sua raça (ou ter largo convívio) para detectar cansaço no rosto daquele ser de pelo roxa e inúmeros olhos. As antenas estavam caídas e a pele era seca e sem brilho, mas ainda se sentia revigorado ao ouvir aquela voz:
-Papai?
-Spocarina! Entre!
Apacon, segundo os costumes Zortar, era um líder que escolhia o clã como família o que, em termos humanos, era o mesmo que o padre faz ao adotar a igreja como família, ou seja, era um voto de não se casar (embora castidade não fosse uma exigência, apenas responsabilidade). Isso não era uma exigência do cargo de líder, era apenas uma manobra política para obter mais credibilidade, ainda mais porque a não violência de Apacon pudesse ser interpretada como fraqueza.
Por isso aquela filha adotiva do líder era tão importante para ele. Embora escolhe-la tenha sido muito questionado pela menina ser quem ela era, Apacon nunca se arrependera de sua decisão, ainda mais porque ele também tinha planos para ela.
A menina, usando um pijama de flanela humano obtido nos saques realizados pelos membros de seu clã, entrou correndo e sentou-se ao lado de seu pai adotivo:
-Leu Filhos de Galagah conforme pedi?
-Sim, pai. Por quê?
-Terá início um programa da Confederação que irá discutir sobre este livro. Será um bom complemento ao seu aprendizado.
-A um livro humano num programa da Confederação? Mas os humanos não são desprezados por ela?
-Nem tanto. Os humanos são bastante respeitados como mercadores e sua língua predominante, o português, é bastante difundido no comércio interestelar. Eles só não têm sorte de achar um planeta com todas as necessidades deles.
O programa teve início. Três alienígenas, um de cada raça da Confederação, estavam sentados em cadeiras simples mas confortáveis. O primeiro a falar foi Komor. Membro da raça Kabraq, com 2,4 m, pele de rijas escamas amarelas, vestia um colete leve com faixas amarelas num fundo azul, camisa vermelha e calça social azul marinho. Usava sapatos pretos.
-Em homenagem aos humanos, estamos usando roupas da época de Leandro Reis, escritor de Filhos de Galagah. Este é o primeiro livro de uma trilogia.
Um alienígena verde, da raça Pazenv, de grande nariz, olhos protegidos por um óculos escuros parecido com os óculos de um nadador, camisa social branca, gravata, calça preta e sapatos marrons no início de seu 1,6 m, curtos cabelos lisos, mostrou o livro eletrônico em cuja capa via-se um símbolo dourado:
-O livro é uma aventura estilo medieval com seres mitológicos. Ele fala sobre fé e gira em torno de Galatea, uma princesa escolhida pelo deus Radrak para uma cruzada contra o lord do mal chamado Enelock. Neste primeiro volume de sua trilogia, Leandro Reis fala da ascenção da heroína e do início de sua missão, que inclui ser amiga de Iallanara Nindra, uma jovem bruxa atormentada que deseja escapar de seu destino negro.
-Eu gostaria de dizer que achei um excelente livro! - continuou o alien amarelo com sua voz grossa e firme - É a mesma sensação que se tem ao se assistir um grande filme. Cheguei até a sonhar que estava lendo o livro e isso nunca me acontecera antes!
Um pouco mais controlado, o terceiro alienígena, da raça Ilkage, de pela cinza enrugada, nariz em forma de tromba, grandes olhos e orelhas circulares no alto de sua cabeça calva, levantou-se. Este vestia uma camisa pólo verde, calça jeans esporte fino e sapatênis prosseguiu:
-Em minha opinião, achei o livro bom. Achei muito interessante o quanto o livro se assemelha aos jogos humanos de RPG no estilo medieval fantástico. Para quem joga este jogo se sente, em alguns momentos, como se estivesse numa seção de AD&D. Acho até que, em algumas cenas de ação, o escritor valeu-se de jogadores para criar a cena. Porém, faço resalvas: achei o uso excessivo de intervenções divinas. Na maioria das batalhas a heroína somente sobrevive graças a alguma providência, seja do Deus Radrak ou outro aliado.
Komor, o Kabraq, resmungou:
-Típico dos Ilkages!
-Como? - indagou Drenus, o Ilkage que falava.
-Vocês, Ilkages, por serem ateus, não compreendem a Fé. O livro mostra uma dimensão muito importante da vida da heroína do livro.
-Você está se deixando influenciar por sua fé nos seus Deuses Gentis, Komor. - respondeu o Ilkage, calmamente.
Porém, Kabraqs são mestres da justiça e da dialética. Assim, corrigiu:
-Está errado, Drenus. Somente lemos o primeiro livro da trilogia. Talvez o escritor tenha guardado maiores explicações de como tudo acontece, amarrando as pontas que parecem soltas, mas com explicações razoáveis, mesmo no domínio da fé.
Drenus ajeitou o colarinho. O Kabraq escolheu certo as palavras:
-Errado? Eu? De forma alguma. Ilkages não erram. Eu apenas desleixei. Você sabe: "Desleixar é Ilkage!"
O pazenv, de nome Finor, interveio:
-Eu gostaria de dizer que apreciei bastante as descrições que o livro traz. Leandro Reis faz uma pintura com as palavras, sem perder o ritmo da história. Em momento algum o livro fica cansativo, por mais extenso que ele seja. As tradições e rituais são fantásticos. A teologia do equilíbrio é bastante parecida com a teologia Pazenv.
-Senhor Finor, o senhor havia me falado sobre o quanto a obra de Leandro Reis afetou seu trabalho. - lembrou o Kabraq.
-Sim. Como sabem, sou escritor e meu trabalho é traduzir as obras Pazenvs para o português, que é a língua da maioria dos humanos que fugiu de seu planeta antes de ser invadido e está vivendo na Confederação. Um dificuldade que eu tinha era como colocar um discurso de um personagem na forma escrita de maneira eficiente. O modo como o autor coloca no livro as falas dos personagens me deu boas idéias. Sua forma de descrição, como já falei, também irá influenciar minhas próximas obras.
-Uma novidade? Isso não é ruim entre os Pazenvs, conservadores ao extremo? - observou Drenus.
-Verdade, mas é um mal necessário, pois isto irá me ajudar a escrever meus próximos livros. Até que não é tão ruim pois não há um padrão estabelecido de como escrever para esta raça que conhecemos a menos de um século.
Komor prosseguiu:
-Este livro merece minha nota máxima: oito Ilpakas.
-Ainda tenho minhas resalvas. Dou seis Ilpakas. - discordou Drenus.
-Vou concordar com Komor. Também dou oito Ilpakas. - concordou Finor.
Ao final do programa, Apacon voltou-se para Spocarina:
-E você, minha filha? O que mais gostou do livro?
-Dos vilões! Eles são assustadores e poderosos! - respondeu a menina prontamente.
-E os protagonistas? O que achou?
-Gostei do Gawyn. Ele é engraçado.
-Certa vez o autor deste livro comentou que era com esse personagem com quem ele mais se identificava...
-Gawyn? Mas ele não é humano! Os humanos não se parecem mais com Iallanara Nindra: traiçoeira e covarde?
Apacon deu uma leve sorriso:
-Está, cada dia mais, pensando como uma respeitável Zortar. Estou orgulhoso de você. De fato, nós os vemos mais parecidos como as criaturas maléficas do livro do que como os heróis virtuosos apresentados lá.
-Mas, pai, se é assim, por que preciso aprender sobre a cultura humana?
Apacon falou com voz amável e firme:
-Para enfrentar o seu inimigo, é preciso conhece-lo bem.
Spocarina, ao ouvir esta frase, ficou momentaneamente surpresa:
-O senhor também leu o livro???

Maiores informações sobre o livro Filhos de Galagah podem ser encontrados em http://www.grinmelken.com.br/

1 comentários:

  1. Mauricio Rett disse...:

    Bem criativa a ideia de comentar o livro por meio dos personagens!

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