RISCO DE MARTE - CAP14

Os resultados sairiam no dia seguinte. Como de costume, Caio seguiu para seu trabalho. Naquele dia, ele estaria fazendo serviços internos.
Sentou-se em sua mesa e começou seu trabalho. Por volta das 10 da manhã, o comandante do corpo de bombeiros veio à sala de Caio:
-Bom dia, sargento. – saudou o bombeiro com polidez.
Imediatamente, Caio lembrou-se:
-Oh, não! Desculpe-me! Eu já devia ter entregado um relatório sobre o que vi no incêndio!
-Isso mesmo. Eu vim cobrá-lo.
-Comandante, eu gostaria de dar meu depoimento amanhã.
O bombeiro estranhou:
-Isto é irregular, sargento. Mas por que está me pedindo mais tempo?
-Eu tenho pistas que nos levarão a algo muito maior do que este pequeno incidente.
-Pequeno? Um posto foi pelos ares.
-Para o senhor ver como isso é grande perto deste acidente.
O comandante coçou seu queixo. Inspirou:
-Vou lhe dar este prazo, mas porque nossa investigação já está quase no final.
-No final?
-Sim. Sabemos que o incêndio começou na bomba. Ela estava avariada e uma fagulha, derivada de uma peça de metal contra a bomba, deu início à explosão. O que ainda não sabemos é por que alguém foi tolo o suficiente para bater repetidas vezes na bomba com o risco de explosão.
-Confie em mim: se me der mais um dia, eu lhe dou esta resposta.
O bombeiro abanou a cabeça:
-Estou ansioso para saber.
No final do dia, Caio seguiu para o hospital.
-Caio! Estava ansiosa para revê-lo!
-Descobriu se eu estava certo?
-Completamente! Veja, vou pôr as simulações na tela.
Caio sentou-se ao lado de Gabriela.
-Realmente existe uma bactéria no ar próximo ao poço, que se alimenta dos componentes do vapor que sai do chão. Ela se aloja nos pulmões e na pele do paciente.
-Mas isso não devia dar febre nos doentes?
-Só quando fica longe dos vapores do poço. Enquanto não fica, ela se comporta como um simbionte.
-Simbionte?
-Sim. A bactéria filtra todos os componentes ruins do ar, permitindo o paciente respirar ar de melhor qualidade.
-Será que é por isso que os idosos parecem mais saudáveis em Marte?
-Parece que sim.
-Então, o que acontece quando o paciente fica longe do poço?
-A doença só ataca mesmo dois a três dias depois. Num idoso, ele fica com febre e morre por insuficiência respiratória. Porém, em pessoas jovens, a bactéria começa a consumir componentes do corpo para sobreviver. Como ela se aloja na pele, dá a impressão de pele morta e fica cheia de escaras.
-Então o doente começa a procurar comida para repor os componentes perdidos.
-Sim, procura petrume para beber em primeiro lugar, mas como o organismo não está preparado para consumi-lo, vomita. O doente então vai atrás de comida, ou de mais petrume.
-Foi por isso que Lucas vomitou. Ele deve ter bebido petrume refinado. Depois que vomitou, tentou beber mais petrume, mas com a bomba fechada, ele tentou abri-la com a peça de metal.
-Então eu estava certo! Fomos atacados em Xangai devido ao cheiro do petrume!
-Aparentemente sim.
-Gravou tudo isso num pen-drive?
-Posso lhe dar uma cópia. Mas o que pretende?
-Procurar Adler Aurick para avisar a Viguroh!
-O vice-presidente? Mas ele vai recebê-lo?
-Acredito que sim. Ele quis me conhecer assim que chegou a Marte. Queria me parabenizar pelo salvamento de Wood. Devo conseguir uma audiência com ele.
Caio pegou o pen-drive e seguiu para o hotel onde o vice-presidente da Viguroh se encontrava. Ao chegar no atendimento, pediu para chamar por Adler. Logo ele deu ordens para que o segurança subisse. Ao chegar no quarto, o vice-presidente recebeu Caio com um caloroso abraço.
-Caio! O que posso fazer pelo nosso herói?
-Senhor! Os trabalhadores dos poços de petrume correm perigo mortal.
-Como assim?
Caio então contou tudo para o vice-presidente da Viguroh. Ele escutava tudo muito atento. Finalmente terminou:
-Senhor, precisamos avisar os trabalhadores!
Mas a reação do executivo surpreendeu o agente de segurança: o homem caminhou até sua mesa, pegou um cigarro. Deu uma baforada e disse:
-Então você descobriu o que nós, alto-executivos da Viguroh, chamamos de RISCO DE MARTE...

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