RISCO DE MARTE - CAP9

A viagem de Abrão se deu numa terça-feira. Sexta, Caio, ao sair de seu plantão, comprou uma pizza, um prato raro e caro em Marte, uma vez que todos consomem Clorela, uma alga verde muito nutritiva. A recompensa que recebera era bem gorda, assim, seria bom comer algo diferente, além de ajudar a conquistar a confiança e simpatia do protegido de Abrão. Com a pizza em seu veículo, o agente seguiu para o alojamento do ancião para conhecer o rapaz da foto.
Era noite. Porém, ao passar próximo de um posto de abastecimento, sentiu o cheiro forte do combustível. Logo percebeu que uma porta do estabelecimento estava arrombada.
Embora estivesse de folga, Caio mantinha a postura de agente de segurança. Ele iria averiguar o que estava acontecendo. Pegou um cassetete pois era perigoso usar uma pistola onde há um vazamento de petrume refinado.
Era a loja de conveniências do posto. Em frente, uma bomba de combustível automática (não existem mais os frentistas: o veículo sobe num plataforma, o motorista passa seu cartão e uma bomba inteligente se liga ao carro) havia vazado. Aparentemente, fora vandalizada. Felizmente, um processo de segurança fecha a bomba em caso de vazamento, mas havia ainda muito petrume no chão.
Entrou. Não podia acender a luz devido ao perigo da faísca causar um acidente. Felizmente, com olhos treinados e a iluminação urbana entrando pela porta ajudaram o agente num planeta que não pode contar com a luz das luas (Fobos tem um terço do tamanho em relação ao que é visto da Lua na Terra e Deimos mais parece uma estrela à noite).
Havia muita comida espalhada pelo chão. Parecia que o mesmo vândalo que quebrara a bomba lá fora havia entrado para dar continuidade a seus atos anti-sociais.
Finalmente, próximo a uma janela viu alguém comendo um pacote de batatas fritas com avidez. A roupa e o porte físico não deixava dúvidas: era o mesmo Lucas apresentado por Abrão na foto.
-Lucas! O que está fazendo aqui? Pense no que o seu Abrão vai pensar! – tentou chamar a atenção do rapaz.
O jovem se levantou e foi lentamente na direção de Caio. Quando passou pela janela, o que viu chocou o segurança: Lucas havia se tornado um morto-vivo!
O sargento levou um susto. A sujeira no chão o fez cair, deixando-o à mercê do rapaz doente.
-É o meu fim! – pensou Caio.
Mas, ao contrário do que aconteceu na colônia Xangai, a criatura não atacou o segurança. Passou lentamente por ele em direção à saída.
Caio não entendeu nada. Levantou-se, procurou seu cassetete e saiu atrás do jovem. Lá fora, teve outra surpresa: o jovem estava de prostrado, em cima do petrume refinado que havia vazado, vomitando.
-Fique aí, Lucas! Eu vou chamar ajuda! – gritou o sargento.
Caio correu para seu carro, para falar ao rádio.
-Aqui é o oficial Caio Gomes! Requisitando uma ambulância e escolta policial para o posto da rua 3 com a 4!
-Qual a emergência, oficial? – perguntou o rádio.
-Uma pessoa com uma doença grave, que precisará ser dominada para ser levada ao hospital.
-O que ele está fazendo?
Caio olhou de volta para o posto. Lucas estava batendo novamente na bomba de combustível com alguma coisa. Pegou os binóculos imediatamente e viu: ele batia na bomba com uma peça de metal que pegara dentro da loja de conveniências. Ao ver isso, abaixou-se imediatamente atrás do carro.
Logo em seguida o posto explodiu.

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