RISCO DE MARTE - CAP11

-Estou interrompendo? – perguntou Caio com a porta da enfermaria parcialmente aberta.
-Já é a segunda vez esse ano, hein, Caio! – respondeu Gabriela em tom de brincadeira.
-Oh, desculpe. – respondeu o segurança, não entendendo a piada.
-Brincadeira, Caio! Vai entrando! Eu não estou aborrecida, não! Eu já estou quase terminando aqui. – explicou a doutora.
Gabriela tinha o braço esquerdo como prótese biônica. Ela perdera este membro pouco antes de vir a Marte. Felizmente, as próteses desta época são perfeitas, permitindo movimentos muito finos como se fosse um braço normal. Nenhum médico de respeito se forma sem aprender o básico de mecânica e eletrônica. Ela estava fazendo reparos quando Caio chegou.
-Diga-me, doutora, quando foi a primeira vez que eu a interrompi?
-Foi no dia em que você voltou da Xangai com Wood ferido. Eu estava assistindo ao último capítulo de minha novela com transmissão da Terra.
-Desculpe.
-Não tem do que se desculpar. Era meu plantão mesmo. E, além do mais, foram apenas os cinco minutos finais que perdi. E, também, já deu pra pegar estes cinco minutos que faltaram no site da emissora. – respondeu fechando a prótese.
-É sobre a Xangai mesmo que eu queria falar...
Caio contou tudo que acontecera até aquela manhã. Mostrou o I-pad para a doutora.
-Parece-me tão estranho para mim quanto pra você. Mas, se o tal rapaz morto no incêndio também tinha a doença, podemos verificar o que diz os arquivos da autópsia. – disse, abrindo seu computador.
-É... talvez isso nos ajude...
-Você parece abatido, Caio. Há mais alguma coisa que você não falou?
-É o seu Abrão... Eu tentei entrar em contato com ele esta manhã. Soube que ele morreu na nave a caminho da Terra...
-Nossa! Mas ele estava tão saudável quando partiu!
-Disseram que foi o coração. Ele já era idoso. Morreu de causas naturais.
Gabriela leu os arquivos. Coçou o queixo. Parecia que algo a incomodava...
-O que foi, doutora?
-Quando alguém morre num incêndio, é comum que a traquéia se feche por conta do ar muito aquecido. Às vezes até pode-se encontrar queimaduras no pulmão. Mas o caso de Lucas extrapolou tudo isso.
-Como assim?
- Ele tem graves queimaduras internas. Principalmente num lugar que não faz sentido.
-Que lugar?
-O estômago. Nem bebendo muita vodka ele teria queimaduras assim.
Caio arregalou os olhos. Parecia que tudo fazia sentido agora.
-Meu Deus! Só pode ser isso!

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