RISCO DE MARTE - CAP7

Uma doença? Parecia uma explicação bastante sensata, afinal, todos aqueles monstros morriam com simples tiros. Mortos-vivos continuariam vivos. E, afinal, mortos não ressuscitam (pelo menos não sob a ótima da ciência). Só uma coisa ainda causava desconforto: a reação exagarada para conter essa doença desconhecida. Uma colônia em Marte é perfeitamente isolada. Não havia risco de epidemia. Mas não era novidade a paranóia dos militares, fosse na Terra, fosse em Marte.
Caio e Wood permaneceram no hospital por dois meses sob quarentena, mas nada ocorreu. Estavam limpos.
Terminado este prazo, ambos os seguranças voltaram às suas rotinas. Havia bastante trabalho pois, em alguns dias, chegaria numa nave o vice-presidente da Viguroh, Adler Aurick, para as comemorações de 75 anos de exploração marciana.
O Sr. Abrão também esperava por essa nave pois, com ela, ele voltaria para a Terra. No dia da partida, Caio pediu folga pois desejava acompanhar o amigo até a nave.
Como era proibido a entrada de pessoas não autorizadas no campo de petrume, Caio aguardou Abrão numa praça.
Logo ele viu o idoso carregando várias malas. Felizmente, a gravidade menor de Marte não as tornava pesadas e o idoso gozava de força e saúde. Caio pegou as malas e acompanhou o ancião até a nave.
A chegada de Adler se dera no dia anterior. Agora a nave estava sendo abastecida de produtos manufaturados para serem enviados à Terra. Na sala de embarque dos passageiros, Caio percebeu certa ansiedade no amigo.
-Seu Abrão, algum problema?
-Estou preocupado com o substituto que me enviaram. Não sei se devia deixar o trabalho.
-O senhor trabalha há anos sem férias. Precisa de descanso. Alem do mais, tenho certeza que a Viguroh mandou alguém capaz.
Abrão olhou para fora. Respirou fundo.
-Caio, preciso lhe pedir um favor...
-Pode pedir, seu Abrão. Estou aqui pra isso!
Abrão pegou seu celular e mostrou uma foto para Caio. Era um jovem rapaz.
-Seu nome é Lucas, filho de Jaqueline, uma falecida operária desta colônia por um acidente de trabalho.
-O acidente na fábrica 1? Eu já ouvi falar.
-Ele não tinha família na Terra e, como a Viguroh não faz um controle muito apurado para assistência social, ele foi esquecido neste planeta.
-E onde está este rapaz agora?
-Nos meus alojamentos. Lucas era muito jovem na época e tive pena dele. Fiquei com ele.
-Mas como o senhor fazia quando precisava ir trabalhar? Deixava-o sozinho?
-Não, eu o levava para trabalhar comigo.
-Seu Abrão, isso é proibido! Só as pessoas autorizadas podem trabalhar nos poços!
-Eu sei, mas ele é uma boa pessoa. Sempre queria me ajudar. Além do mais, no turno da noite ninguém o via.
-Mas o que o senhor precisa de mim?
-Só veja como ele fica. Ele já é um homem feito e sabe se virar sozinho, mas gostaria que tivesse alguma supervisão. Meu alojamento fica fora da área dos poços. Você pode visitá-lo sem problemas.
Caio abanou a cabeça:
-Tudo bem. Seu segredo fica seguro comigo.
O ancião finalmente embarcou. Na porta da nave ainda deu uma última olhada para o campo de petrume. Respirou fundo e entrou.

3 comentários:

  1. Narrador Briee disse...:

    Esta semana recebemos visitas de La Plata (Argentina) e Bucaramanga (Colômbia)! Grandes abrazos para ti!

  1. Brenno Simao disse...:

    MELHOR DO Q O PRIMEIRO, MT MT MT BOM

  1. Narrador Briee disse...:

    Legal, Brenno! Logo sairá o próximo. Ajude-me a divulgar os livros e o blog para que a editora mantenha seu interesse em publicá-los. Já dei início ao terceiro livro (aliás, acompanhe este conto e o próximo pois terão muita influência neste terceiro). Abraços!

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