Conto (capítulo 9) - Dejavú

-De fato, ao vender ações, você retira capital de uma empresa. Se outra empresa não recompra, você sai prejudicando uma empresa e, conseqüentemente, seus empregados. – explicava Rui.
-Rui, eu não posso fazer mais isso. Eu procurei ser professor pois isso ajudava as pessoas. Não roubava o emprego de ninguém. – dizia Renato.
-Bom, tudo bem. Você já trabalhou tempo suficiente para termos provas de que a teoria de Dejavú estava certa. Eu monitorei seu progresso e registrei o necessário.
-Hoje vou pedir demissão. Amanhã podemos ir atrás do reitor e pedimos nossos empregos de volta.
Rui abanou a cabeça. Quando Renato estava saindo, perguntou:
-Essa vida que você leva é bastante confortável. Quer mesmo voltar a ser professor?
Renato sorriu:
-Sempre foi tudo o que eu queria. E, depois, juntei um dinheiro razoável. Não devo passar aperto.
Renato entrou em seu carro novo. Era um modelo caro e zero quilometro. Talvez precisasse trocar por um modelo mais popular. Não seria barato manter o carro atual.
Ao chegar, foi direto ao RH, falar com Oliveira.
-Que bom que veio, Renato. Eu já ia chamá-lo.
Renato estranhou. Perguntou:
-Precisa de mim?
-Sim. Gostaria de apresentá-lo a um novo gestor que, assim como você, também é especialista em janelas de oportunidade. Ele foi o único outro investidor que descobriu que a Teclis iria cair.
-Isso é bom pois eu vim aqui para...
Antes que Renato pudesse terminar, a campainha na mesa tocou:
-Sr. Oliveira, o novo funcionário está aqui.
-Obrigado, Srta. Isabel. Mande-o entrar.
-Sr. Oliveira, de qualquer maneira, eu gostaria... – voltou a falar Renato.
Porém, o ex-professor interrompeu o que ia dizer assim que o novo funcionário entrou.
-Luís?! – reconheceu Renato.
Sim, era Luís, o ex-assistente de Rui.
-Ah! Vocês se conhecem? – perguntou Oliveira.
-Trabalhamos na mesma escola. – respondeu Renato.
-Isso é bom. Por favor, ele vai trabalhar na seção 9. Apresente o local para ele.
Renato escoltou Luís até a mesa em silêncio. Havia um “clima” ruim entre os dois.
Assim que Luís chegou à sua mesa, Renato saiu, mas ficou de longe observando. Em vários momentos, Luís piscava por um tempo mais prolongado. Conforme ele piscava, ele executava operações de compra e venda.
Renato voltou para sua mesa e começou a monitorar as operações que Luís fazia. Ele conseguia os melhores preços sempre e, agora ciente das conseqüências, Renato percebia que as empresas quebravam e fechavam conforme Luís trabalhava.
Uma coisa ficou clara para Renato: Luís também tinha o poder de Dejavú!

2 comentários:

  1. Fernando disse...:

    Teu conto está bem legal! Parabéns!

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