Conto (capítulo 10) - Dejavú

-Estúpido! Estúpido! Como eu pude ser tão ingênuo! – Rui socava a parede.
-Eu falei que eu tinha visto Luís naquela sala. Ele também deve ter sofrido o mesmo acidente que me deu a capacidade de voltar no tempo. – comentava Renato.
-É maior do que isso, Renato!
-Hein? Como assim?
-Não houve acidente algum. Foi tudo planejado por Luís.
-Planejado?
-Foi assim:
Luís estava muito interessado no desenvolvedor de células de radiação Gama. Várias vezes eu o vi conversando com a equipe.
No dia do “acidente”, Luís levou vários papéis da pesquisa para saber quais células do cérebro deveriam ser estimuladas. À noite, ele voltou e pagou um por fora para que o vigia não dissesse que ele teria entrado.
Ele programou a máquina e testou em si mesmo a máquina de raios gama. Porém, ele não esperava desmaiar e deixar a máquina ligada.
Foi aí que você entrou e também teve seu cérebro estimulado. Entretanto, como a estimulação dele foi menor, pois foi estimulado quando a máquina acabara de ligar, ele acordou e fugiu ao ver que ele destruira a máquina.
Depois disso, ele deixou que a culpa caísse sobre suas costas.
-Mas por que ele só apareceu agora? Por que está trabalhando para uma empresa de ações ao invés de sozinho com as janelas de oportunidade?
-Ele recebeu menos exposição, logo, o poder pode ter demorado mais para desenvolver-se. E, depois, trabalhar numa empresa de ações lhe dará mais acesso a mais ações e pode, particularmente, realizar um volume maior de transações.
-E quebrar mais empresas, desempregar mais pessoas e monopolizar o mercado de ações. Isso é péssimo!
-De fato, ele é um homem perigoso...
-Se houvesse um jeito de voltar no tempo até o dia do acidente...
Rui coçou sua barba. Respirou fundo.
-Há um meio, mas é muito arriscado.
-Como, Rui???
-É perigoso. Você só tem uma chance. Se der errado, você morre. Se der certo, você não vai se lembrar de quase nada.
-Eu aceito! Como?
-Tem certeza? Você tem uma vida confortável. Vai perder tudo. – insistiu Rui.
-Ter tudo não vai me dar mais boas noites de sono, Rui. Prefiro arriscar a vida do que levar o fardo de nunca ter tentado.

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