Conto (capítulo 6) - Dejavú

-O que você quer aqui? – reclamou o homem de barba ruiva.
-Estou precisando da sua ajuda, dr. Rui.
À porta de uma casa velha, o pesquisador não parecia ter a intenção de ajudar ninguém.
-Eu sou a piada de todo mundo. Não preciso dar mais material para vocês rirem!
-Não é! O senhor estava certo sobre a teoria do Dejavú!
-Eu quase sempre estou certo. O problema é que ninguém acredita em mim.
-Mas eu posso provar!
-Se nem eu consegui provar, você vai conseguir? Que bobagem! – e já ia fechar a porta.
-Só pense num número! Qualquer número!
O cientista suspirou.
-Pronto. E agora? – falou Rui cruzando os braços.
-Agora o diga em voz alta.
O cientista levantou os olhos e foi fechar a porta. Renato segurou.
-Diga qual é o número e vou embora!
-É o valor de PI, está bem? – fechou a porta.
Renato apertou os olhos.
-Pronto. E agora? – Falou Rui cruzando os braços.
-3,1415... o valor de PI.
Rui estranhou.
-Como adivinhar o número que eu pensava prova alguma coisa.
-Deixe-me entrar e explico.
Uma vez dentro da casa, Renato contou o ocorrido no dia anterior.
-Eu só não sei como comecei a ter esse “poder” de uma hora para outra. – comentou o ex-professor.
Rui coçou sua barba. Ele parecia entender.
-Entrou na sala dos raios gama, não é?
-Sim, mas para ajudar...
-Então! A máquina deve ter estimulado, acidentalmente, a mesma região do cérebro que eu pesquisava.
-Mas como isso faz com que eu faça voltar o tempo?
-Você não faz. A região do seu cérebro deve ter desenvolvido a ponto de transmitir mais do que só imagens para você mesmo no passado. Os padrões de memória imediatos são transmitidos para sua mente que vive mais do que um simples dejavú. A combinação faz parecer que sua consciência viaja no tempo.
-Mas por que não consigo voltar mais do que alguns segundos? Por que a dor de cabeça quando tentei voltar demais?
-Entenda: o cérebro muitas vezes é como um músculo. Não dá para forçar demais. Talvez, com o tempo, você melhores sua habilidade e volte mais para trás, mas se forçar demais, você pode acabar tendo um Acidente Vascular Cerebral e morrer.
Renato suspirou.
-Bom, pelo menos eu já sei o que me aconteceu. Eu só não sei o que fazer agora.
-Vou retomar a pesquisa. Você é a chave para recuperarmos respeito.
Renato levantou a sobrancelha.
-Doutor, com todo respeito, não acredito que adivinhar números como fiz com o senhor vai fazer com que o reitor acredite em nós.
-Não pretendo recuperar o respeito contando a verdade.
-E como, então?
Rui olhou para o computador em sua sala.
-Renato, já ouviu falar no termo “janela de oportunidade” no mercado de ações?

0 comentários:

Postar um comentário

ANTES DE COMENTAR:

- não escreva em CAIXA ALTA;
- não divulgue links;
- não escreva com miguxês, internetês e similares;
- respeite as opiniões apresentadas.

Obrigado.

 
T.E.C. © 2010 | Designed by Trucks, in collaboration with MW3, Broadway Tickets, and Distubed Tour | Customized by Sybylla