Conto (capítulo 4) - Dejavú

A alta se deu no mesmo dia. Renato pegou um táxi direto para a escola.
Quando chegou, percebeu que não era o único a ser despedido. Furioso, de posse de uma caixa cheia de seus pertences, saía o dr. Rui.
-Vocês são muito pequenos para todo o meu potencial!!!
Ao entrar, Renato encontra seu amigo Jorge.
-O que aconteceu ao Rui?
-Diferenças irreconciliáveis com a direção, é o que se diz oficialmente. A verdade é que nem o reitor aturava mais as teorias malucas do Rui.
-É uma pena. Ele era um ótimo nome para o corpo docente daqui...
-Você também era, mas o que aconteceu? Por que invadiu aquele laboratório?
-Eu não invadi! Foi o assistente do Rui!
-O Luís? Ele é uma mosca morta! É tão tímido que era o único que aturava as loucuras do Rui.
-E onde ele está?
-O reitor o está escalando para ser assistente de outro pesquisador.
-Vou desmascará-lo na sala do reitor mesmo!
-Espere! Não vá arrumar mais confusão!
Renato não deu ouvidos. Passou direto pela secretária e entrou na sala do reitor.
-Professor Renato? O que quer aqui. – perguntou o reitor perplexo.
-A verdade! Luís! O que estava fazendo no laboratório de raios gama?
O jovem abaixou timidamente a cabeça e disse:
-Eu nunca entrei lá, professor.
-Bobagem! Eu até tentei salvar você!
-O senhor deve estar imaginando coisas. Eu estava em casa lendo a pesquisa do dr. Rui.
-Alguém pode confirmar isso?
O reitor levantou-se:
-Renato, já tive muita paciência com você! Saia imediatamente desta escola ou vou chamar a segurança!
Renato encolheu. Enquanto saía, o reitor disse:
-Mandarei suas coisas pelo entregador. Passar bem!
Renato estava acabado. Voltou para seu táxi pensando se realmente não tinha imaginado coisas.
O trânsito estava lento. Já passava das 18h. O semáforo adiante já estava amarelo quando o táxi chegou na faixa.
-Pare. Com o trânsito assim o carro vai parar no meio do cruzamento quando o sinal ficar vermelho. – pensou Renato. Mas não fez questão de dizer. Estava tão aborrecido que não tinha ânimo para falar nada.
O táxi prosseguiu e, conforme a previsão do ex-professor, o carro parou no meio do cruzamento.
Neste momento, Renato acordou para a vida: um caminhão vinha em alta velocidade e não ia conseguir parar a tempo. Renato fechou forte os olhos esperando pelo pior.
Os segundos se passaram, mas nada aconteceu. Abriu os olhos. Ele estava há alguns metros, no mesmo lugar que ele constatou que o táxi ficaria preso no cruzamento!
-Motorista! Pare!!! – gritou Renato.
Assustado, o motorista pisou no freio, parando o carro antes do semáforo, conforme ele deveria ter feito antes.
-Está maluco, homem? Não se grita assim quando se está dirigindo! – brigou o taxista.
Neste momento, um caminhão passou correndo pelo cruzamento.
-Meu Deus! Poderíamos ter morrido! – disse boquiaberto o motorista.
Mais assustado estava Renato, que se limitou a dizer:
-Dejavú...

2 comentários:

  1. Fernando disse...:

    Estou gostando do conto. A leitura flui. Acabei de ler as quatro partes e gostei muito.
    Parabéns!!

  1. Narrador Briee disse...:

    Obrigado! É sempre bom poder receber um fedback dos leitores.

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