Conto (capítulo 3) - Dejavú

À tarde, a equipe terminou as filmagens e começou a edição. O reitor não ficou pois tinha muito trabalho em sua mesa.
A baixa seguinte foi do diretor, deixando apenas Jorge e Renato.
A edição adentrava a noite quando chegou a um resultado.
-Está pronto, Renato. Vamos embora!
-Espere! Podemos dar uma última melhorada na abertura.
-Nosso trabalho não é esse, Renato! Vamos embora!
-Pode ir, então. Quero dar um último retoque.
-Ser bom moço ainda vai acabar com você. Boa sorte. – e debandou Jorge.
Uma hora depois o trabalho estava pronto. Renato se espreguiçou e fechou a sala de vídeo da universidade.
Caminhou lentamente pelos corredores. Para sair, passaria necessariamente pelo saguão onde estavam as portas que levavam aos laboratórios citados na filmagem.
Porém, um alarme soou. Renato correu, para sair. Podia ser um incêndio.
No saguão percebeu que a luz do laboratório de raios gama estava acesa. Preocupado se havia alguém, entrou.
Saía fumaça de uma máquina. Curiosamente, o assistente do dr. Rui estava ali, caído no chão.
-Você está bem? – gritou.
Nada. Renato correu para acudir o colega.
Porém, ao passar por uma tela, Renato sentiu uma forte dor de cabeça e caiu desmaiado.
Finalmente, Renato acordou. Estava num hospital. Como não estava entendendo nada, apertou o botão chamando a enfermeira.
-Que bom! Está acordado!
-O – o que aconteceu?
-Isso é o que queremos que o senhor nos diga. – disse um policial entrando com o reitor.
-Mas o que vocês querem saber? – perguntou Renato, ainda confuso.
-Por que o senhor invadiu e destruiu o laboratório de raios gama? – perguntou o reitor visivelmente nervoso.
-Eu não invadi. Eu vi a porta aberta e achei o assistente do dr. Rui no chão. Fui ajudá-lo, mas caí desmaiado.
-Não fale bobagem! O bombeiro que o tirou de lá não encontrou mais ninguém! Nem o porteiro registrou a entrada de mais alguém!
-Mas é verdade! Tinha alguém lá!
-Podem nos dar licença? – pediu o reitor ao policial e à enfermeira.
Saíram. O reitor ficou próximo do paciente.
-Renato, não pretendo dar queixa, pois até hoje você se mostrou um bom funcionário. Nem espero que pague pela máquina que estragou pois levaria várias vidas com o salário que você ganha... – falou em voz baixa.
-Tem que acreditar em mim, reitor!
-Não tenho, não. Assim que o senhor tiver alta, vá retirar suas coisas da escola, pois o senhor está despedido.
Enquanto o reitor ia embora, Renato só pensava nas palavras de Jorge.
-O dia que eu me daria mal chegou...

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