Conto (capítulo 2) - Dejavú

O grupo chegou num saguão que levava a vários laboratórios. Com o equipamento pronto, o reitor prosseguiu:
-Estas portas levam às pesquisas de ponta feitas aqui.
O reitor aponta para uma porta de vidro por onde sai um pesquisador de barbas ruivas e seu ajudante de feições orientais.
-Que coincidência, dr. Rui. Eu ia falar agora de sua pesquisa! – chamou o reitor.
-Mas é Claro! Luís, pode levar estes papéis para ler em casa, se quiser. Depois conversamos mais. – despachou o pesquisador seu assistente. O rapaz abaixou a cabeça e foi embora.
-Doutor, sua pesquisa é polêmica, mas acreditamos no senhor. Fale dela.
-Confia mesmo é nos doutorados dele... – cochichou Jorge para Renato.
O pesquisador ajeitou o óculos e começou a falar num tom pomposo, comum para todos que o conheciam:
-Acredito que todos já tiveram a sensação de dejavú: uma sensação de que o fato no presente parece estar se repetindo. A maioria credita esta sensação à atenção prejudicada devido ao cansaço.
-Ou seja, alguém cansado está meio “desligado” e, quando se toca, parece já ter vivido aquela situação, mas não percebe que já estava vivendo mesmo. – traduziu o reitor.
-É isso mesmo que eu disse. Mas eu não acredito nisso. Percebemos que uma área do cérebro é mais ativada durante estas sensações.
-Por favor, explique sua hipótese.
-Como todos sabem, o cérebro trabalha com sinais elétricos. Há trânsito de partículas pelos neurônios. Sabemos também, pelas leis da mecânica quântica, partículas podem ter pares separados pelo espaço-tempo, pares estes, onde quer que estejam, mantém as mesmas propriedades de suas gêmeas. Acreditamos que as partículas nesta área do cérebro num determinado ponto do espaço-tempo possam interagir com as partículas em outro ponto do espaço-tempo.
A equipe se entreolhou. Ninguém entendeu nada. O reitor tentou ser político:
-Dr. Rui, este vídeo será visto por alunos saindo do ensino médio. Acho que devia explicar de uma maneira mais simples para nossos expectadores.
O pesquisador suspirou com aquele ar de inteligente mal compreendido. Prosseguiu:
-Estamos pesquisando se a sensação de dejavú não é uma transmissão mental de uma imagem do futuro para o passado.
-Brilhante, Doutor! Espero que consiga alcançar seu objetivo! – despediu-se o Reitor.
O pesquisador se foi. Jorge segurava uma risada. Renato o cutucou antes que seu amigo explodisse ali em risos.
-Reitor, fale de outra pesquisa daqui. – pediu o diretor.
-Oh, sim. Aquela outra porta leva a uma pesquisa muito promissora com raios gama.
-Raios gama? Isso não é perigoso? – comentou baixinho Jorge.
-O senhor está inteirado sobre o que é a pesquisa, reitor? – perguntou o diretor.
-Estou sim. Embora os raios gama sejam muito perigosos – disse o reitor olhando para Jorge, demonstrando estar atento às palavras do caboman – em quantidades pequenas e pulsantes pode-se levar à estimulação de crescimento controlado de determinadas células do corpo.
-Isto é ótimo, reitor! Com um raio destes poder-se-ia reproduzir células para fechar um ferimento! – concluiu o diretor.
-Ou, até mesmo, recriar um órgão dentro do corpo de uma pessoa. – completou o reitor.

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