Conto (capítulo 15) - NÃO SE MORRE MAIS COMO ANTIGAMENTE

Se João tivesse conseguido o restante do jornal onde estava a notícia de sua morte, ele saberia que a suspeita de que ele havia botado fogo na central de força se baseava no fogo causado pelos galões de gasolina deixados na central e, seu corpo, só seria reconhecido devido a um cartão de identificação que o corpo queimado trazia consigo.
Nos jornais seguintes, os bombeiros reconheceram que o que causou o fogo foi a explosão de um transformador acima dos galões de gasolina. Também apareceria uma pequena nota de rodapé falando que um empregado chamado Armando estava desaparecido desde a noite do incêndio.
Isto não seria noticiado, mas uma camareira, responsável por limpar o quarto em que João estava hospedado, entrou em trabalho de parto no horário de serviço, sendo conduzida ao hospital mais próximo.
Após sair da maternidade sozinha, pois era mãe solteira, encontrou o bilhete premiado de João em seu bolso, entre outros papéis que ela iria jogar fora.
Ela ficou rica. Largou o emprego e pôde se dedicar exclusivamente ao filho Frederico, que se formou como um ótimo administrador de empresas e conseguiu aumentar muito sua fortuna.
Porém, o dinheiro não compra tudo. A mãe de Frederico adoeceu e morreu mais cedo do que devia.
Tocado pelo acontecimento, Frederico, ao morrer, transformou sua fortuna na Fundação Infinito, dedicada ao estudo de maneiras de prolongar a vida. Foi através desta fundação que, dezenas de anos depois, foi criado um dispositivo de congelamento para colocar pessoas em animação suspensa por tempo indeterminado.
É curioso pensar nisso, mas foi a tentativa de Armando em impedir a criação do dispositivo que levou a uma cadeia de eventos que possibilitou sua invenção. Se Armando não voltasse no tempo, João não começaria a trabalhar no passado e nem jogaria na loteria e nem deixaria o bilhete para dar uma boa vida ao responsável pelo invento. Tudo indicava que o passado realmente não pode ser alterado.
Mas, de volta à vida de João, após aquela aventura, ele sabia que, agora, estava preparado profissionalmente para seguir uma carreia no século 21. Podia vender o casarão e, com o dinheiro, manter-se até conseguir o emprego que quisesse. Mas, ele tinha maiores preocupações: após sair do casarão, correu para casa para saber se sua família ainda existia.
Chegou ainda de madrugada. Foi direto para o quarto da filha. Lá estava ela dormindo.
Ficou aliviado. Alisou os cabelos da pequena e foi para seu quarto. Sua esposa dormia tranquilamente.
Feliz, colocou seu pijama, afinal, como não ia trabalhar no dia seguinte, ele só queria descansar. Ao deitar-se, sua esposa acordou:
-Querido? Já de volta?
-Saí do emprego, querida. Eu não quero mais ficar longe de você e nossa filha.
A esposa o abraçou preguiçosamente. Neste instante, percebeu que precisava fazer uma pergunta:
- Querida, posso fazer uma pergunta?
-Sim, querido. O que quer saber?
João respirou fundo e perguntou:
-Seu pai está vivo?
A resposta o surpreendeu.
FIM

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