Conto (capítulo 13) - NÃO SE MORRE MAIS COMO ANTIGAMENTE

-Viajante do tempo? Você bebeu, Armando? – disfarçou João.
Armando levantou-se e foi na direção de seu subalterno.
-Acha que não reparei nos apetrechos que você instalou na fábrica, João. Eu sei, perfeitamente, que foi tudo trazido do início do século 21. O que eu não sei é como converteu tanto dinheiro dado pela fábrica para você fazer estas compras. Talvez comprou dólares ou jóias. Foi isso??? – apontava nervoso.
-Armando, isso não faz sentido. Como eu viajei pelo tempo? Acha que tenho uma máquina do tempo?
-Não, mas deve ter usado meu portal do tempo no porão de meu casarão no seu tempo.
-O-o-o q-quê??? Você é o dono do casarão abandonado? – surpreendeu-se João.
-Sim. Precisei fazer uma escala na sua linha temporal há 15 anos antes de vir para cá. Nos últimos 15 anos procurava um jeito de alcançar meu objetivo, mas você acabou dando a idéia e os meios de que precisava.
-Armando, o que está acontecendo afinal? O que você quer?
-Matar Frederico S. T. Pereira.
-E quem é esse sujeito? O que ele fez?
-Eu explico. Mas, antes, coloque esta algema e prenda-se naquele cano na parede. Lembrança da época em que trabalhei na polícia.
Sem alternativa, João fez o que Armando pediu.
-Bom, onde eu estava? Ah, sim. A morte de Frederico.
-Armando, quem é você quem é esse sujeito?
-Vim do futuro, João. Mas um futuro bem desagradável. Um futuro onde nós, humanos, somos oprimidos por uma raça alienígena.
-Como assim? Fomos invadidos?
-Pior. Fugimos.
-O quê?
-No futuro, após sobrevivermos ao aquecimento global, descobriremos que seremos invadidos por uma raça hostil e alguns países proporão fugir para uma região da galáxia chamada Braço de Sagitário. O problema é que a nave onde estava minha família se perderá no espaço e seremos hostilizados por outras raças.
-Mas o que isso tem a ver com esse Frederico?
-Ele será diretamente responsável pela tecnologia de hibernação por congelamento das naves que irão fazer o transporte. Sem esta tecnologia, nunca sairemos da Terra.
-Espere aí. Se ninguém fugir, todos os humanos vão morrer.
-Aí é que está. Os humanos ganham e se tornam a raça mais poderosa da galáxia.
-Peraí! Como você sabe disso?
-A tecnologia que permite a localização de onde irão surgir e estabilização dos buracos de minhoca, que permitem a viagem temporal, eu consegui roubar de uma raça alienígena que me informou que os humanos venceram e se desenvolveram.
-E esse Frederico vive aqui em Nossa Senhora das Nuvens Brancas? Por que não o matou ainda?
-Acha que posso voltar para onde e quando quiser? Isso é muito complicado. Fiz uma escala no seu tempo pois sei que consigo voltar ao meu de lá. Um transmissor de energia na órbita do Sol emite a força necessária para manter estável o portal e uma minúscula parcela de energia é gerado pela central de força da indústria. Essa parcela estabiliza este lado do portal. Sem esta energia, o portal se fecharia em poucos minutos e...
-Tá, mas você não respondeu minha pergunta!
-Eu sei que hoje irá nascer o Frederico nesta cidade. Como não consegui descobrir qual mãe irá dar à luz a ele, nem se ele vai nascer de fato no hospital da cidade, vou matar a cidade toda.
-Isso é genocídio!
-Sim, mas é a única maneira que achei de matar Frederico. Agora, com licença, mas preciso fazer as bombas da indústria funcionarem.
Armando voltou-se para o painel enquanto João tentava pensar num jeito de salvar sua família e toda cidade.

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