Conto (capítulo 8) - NÃO SE MORRE MAIS COMO ANTIGAMENTE

A história de Jairo era emocionante: ele fazia horas extras desde que a central de energia da empresa tinha pegado fogo há 2 meses. Num determinado dia, indo mais cedo para o serviço, ele encontrara uma família em apuros na estrada. O carro havia pifado e nada que o pai da família fizesse fazia o carro funcionar. O senhor já ia buscar um mecânico ali por perto quando Jairo apareceu.
Prestativo, Jairo ajudou o pai a empurrar o carro até o mecânico. Lá, recebeu a notícia de que a peça chegaria no dia seguinte e a família, então, poderia seguir com a viagem de férias que havia programado.
Jairo ofereceu sua casa para que a família passasse a noite. No entanto, o bom ato do samaritano tinha suas motivações: no carro, havia uma bela moça que chamara sua atenção.
Naquela noite, sob as estrelas, num romântico bate-papo, Jairo apaixonou-se pela moça.
A família foi embora no dia seguinte, no entanto, Jairo não conseguiu ficar nem um dia longe da moça. Ele pediu as contas e foi procurá-la na cidade para onde a família tinha ido passar as férias. Encontrou-a. E foi assim que Jairo pediu a mão da moça em casamento.
A história infelizmente terminou de maneira trágica: quando a neta nasceu, Jairo e sua esposa morreram num acidente de carro na volta para casa.
Para alguns, este final também foi romântico, assim como toda a história mencionada. Porém, para João, aquela história era muito mais trágica do que parecia:
João nunca ouvia direito a história. Era cansativo pois Jairo sempre lembrava de seu romance cada vez que encontrava João, pois ele sempre comentava o quanto este se parecia com um ex-colega de serviço desta época. Agora tudo fazia sentido: João não só parecia como era o próprio colega de fábrica! E, para piorar, se a história não acontecesse conforme dizia o jornal do passado, Jairo nunca encontraria sua esposa (talvez nem mesmo estivesse vivo para encontrar) e a família de João nunca existiria.
Aquilo tudo tirou o sono do viajante temporal naquela noite. João olhou para a esposa dormindo. Ela era a única a lhe dar apoio todos estes anos. Levantou-se e foi tomar água.
Uma vez na cozinha, sua filha de 4 anos apareceu na porta carregando um ursinho.
-Tudo bem, querida? - perguntou o pai.
A menina tinha um olhar assustado.
-Teve um pesadelo? Quer um leitinho quente? - deduziu João.
A menina balançou a cabeça positivamente. O pai pegou uma garrafa de leite e colocou um pouco num copo de criança. Colocou alguns segundos no microondas e deu à menina. A pequena bebeu o leite e pareceu mais calma.
-Vamos para a caminha? - continuou João.
A menina concordou e o pai a pegou no colo. Colocou em sua cama.
-Sonhe com os anjos, querida. - disse apagando a luz.
-Papai, vem cá. - pediu a menina.
João aproximou-se da cama. Chegando perto, a menina o abraçou:
-Te amo, papai!
Naquele momento João finalmente tomou uma firme decisão: ele precisava enfrentar o seu destino!

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