Conto (capítulo 6) - NÃO SE MORRE MAIS COMO ANTIGAMENTE

João da Silveira logo encontrou o emprego de seus sonhos: trabalhador medíocre de uma companhia dos anos 70. Não teve muitos problemas com documentação, uma vez que, além de ter um nome muito comum, tinha um falecido tio com o mesmo nome e os documentos guardados.
Mas o que fazer para receber o salário no século 21?
Na verdade, João procurava fazer todas as compras que podia na década de 70. Quando necessitava de dinheiro no presente, procurava vender objetos para colecionadores ou comprar jóias.
Mas João nunca se esqueceu da aposta que fez com o jornaleiro. Se ele sabia o futuro, ele podia ganhar muito dinheiro com isso.
Ele não fez mais apostas bobas, mas procurou por colecionadores a fim de achar um jornal com o resultado de algum concurso da Loto. Se ganhasse o prêmio, era dinheiro suficiente para investir numa poupança no exterior e ficar rico em sua própria época.
Finalmente um dia recebeu o telefonema que tanto esperava de um colecionador que, por coincidência, morava em Nossa Senhora das Nuvens Brancas no presente.
-Deve ser o senhor João da Silveira. Meu nome é Jorge Pereira. Seja bem vindo. – apresentou-se o colecionador.
-Vejo que a cidade não mudou muito nas últimas décadas... – observou João.
-Conhecia esta cidade?
-Ah, sim. Eu já vim aqui quando eu era criança. – disfarçou.
-Aqui está o jornal que o senhor procurava. Eu achei quando estava fazendo uma limpeza no sótão e ele estava forrando o fundo de um baú. É só a primeira página, mas tem o resultado da Loto que você estava procurando. – pegou uma folha dobrada em cima de uma mesa próxima à porta.
João olhou a data. O sorteio seria dali a alguns meses da data que estava vivendo no passado.
-É perfeito! Vou pagar você com este relógio da década de 70, conforme combinamos.
-Obrigado, mas repito: este relógio vale bem mais que este papel velho que estou entregando. Não é muito justo com o senhor.
-Jorge, este jornal vale uma fortuna para mim. Acredite. Obrigado por tudo. Tenho que ir agora.
-Não quer um cafezinho?
-Não. Obrigado.
-Sendo assim, tudo bem. – disse abrindo a porta de sua casa para João ir embora.
João já estava abrindo o carro quando o colecionador disse, da porta:
-Ah! Tem uma matéria interessante no jornal. É sobre homem que trabalhava nesta cidade na época, que tinha o mesmo nome que o senhor.
João estranhou. Onde trabalhava só existia ele com o nome dele. Olhou o jornal, e, o que viu, deixou-o aterrorizado:
“FUNCIONÁRIO DA MATA PRAGA S.A. MORRE EVITANDO TRAGÉDIA NA CIDADE.”

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