Conto (capítulo 2) - NÃO SE MORRE MAIS COMO ANTIGAMENTE

Medíocre. Assim poderia ser definida a vida de João da Silveira. Desde que nasceu João nunca se destacou. Quando seu pai foi vê-lo no berçário, confundiu os bebês, só conhecendo-o de fato quando a enfermeira o entregou à sua mãe na saída do hospital.
No início, João não queria ser apenas mais um. Quando entrou na escola, ele queria fazer algo diferente. Quando sua tia lhe presenteou com uma velha tesoura de picotar, ele tentou ganhar dinheiro fazendo selos com desenhos de personagens que ele mesmo copiava dos gibis. Foi uma total perda de tempo, pois ninguém se interessou pelo produto.
Durante anos, João candidatava-se para ser representante de sala, um sonho nunca alcançado. Em geral, tudo no que ele se dedicava, ou não ia pra frente (como quando ele escreveu um gibi que ninguém quis ler ou comprar) ou dava errado (quando se candidatou ao grêmio estudantil ou quando ele participou de uma gincana: em ambos os casos, sua chapa ou equipe perderam).
Um dia, o aluno responsável pela comissão de formatura no primário saiu da escola. Foi quando ele percebeu que tinha oportunidade de brilhar: deixou um recado na lousa da sala de aula chamando a todos da turma para uma reunião para discutir como reorganizar a comissão. Não só ninguém apareceu como, quem passava por perto, cochichava e ria dele.
Esse foi o ponto final das ambições de João. Nunca mais participou de grêmios estudantis e, na gincana seguinte, só participou porque a diretora da escola insistiu para que todos participassem, mas essa participação limitou-se apenas à assinatura de seu nome ma ficha de inscrição.
O tempo passou. João não nutria mais nenhum interesse em tentar ir mais longe. Terminou o curso técnico de informática sem grandes realizações e graduou-se em engenharia elétrica sem ao menos gostar de eletricidade.
Isso tudo teve seu preço: Em pleno século XXI, João não conseguia arranjar emprego. Não passava em nenhum processo seletivo.
Começou a fazer bicos. Dava aulas quando podia. Sua auto-estima era cada vez menor. A única coisa que fazia ele se manter vivo era sua esposa Sara e a filha pequena, de nome Michele.
Porém, tudo mudou quando ele começou a fazer bico numa empreiteira...

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