CAPÍTULO 17 - Gaia

Bevra voltou ao centro com Zonan para ajudarem nos preparativos da nave, mas ainda era necessário um engenheiro. Zonan deu um nome, mas pediu para o grupo não insistir, afinal, 10 anos é muito tempo.
- É aqui? – perguntou Vanessa.
- “Clube de Lutas Karmat”. Sim. É aqui. – disse Gano.
- Que lugar mais estranho para encontrar um engenheiro... – estranhou Silas.
- O nome dele é Gaia. Acho que vamos ter que sair perguntando. – disse Sônia.
Ao entrar, o grupo percebeu não estar no meio de um público “receptivo”. A maioria parecia ter saído da cadeia ou lugar pior. Intimidados, logo os aventureiros assentaram em uma mesa.
- Não vamos perguntar? – perguntou Trec.
- Shhhh! Já vamos. Vamos ver essa luta primeiro, ta? – disse Silas com medo.
- Você, um humano, está com medo de alguns alienígenas mal-encarados?
- Se você não tem medo, vá você perguntar. – sugeriu Gano.
- Pois é isso que eu vou fazer. Posso me afastar da TEC por até 100 metros em campo aberto. Será suficiente para andar por toda esta espelunca– disse, saindo.
- Gano, você acha que é uma boa idéia? – perguntou Silas.
- Ele é um holograma. O que podem fazer com ele?
- Vejam! – assustou-se Vanessa.
O primeiro lutador era uma moça mestiça, filha de um casal de ilkage e pazenv.
- Eu já ouvi falar nesses mestiços. A comunidade ilkage e pazenv costuma marginalizar essas pessoas. – disse Vanessa.
- Por isso está num planeta kabraq. Aqui é a melhor chance que ela tem para ter uma vida normal. – concluiu Sônia.
- Lutar num clube de lutas não é a minha idéia de vida “normal”. – discordou Silas.
Em seguida entrou o segundo lutador. Era um kabraq usando um tapa-olho, muito assustador.
- A menina não tem chance! – assustou-se Sônia.
A luta começa. Os lutadores mantêm uma certa distância inicial, talvez estudando o adversário. A ilkazenv (nome dado aos mestiços meio ilkage, meio pazenv) parecia bastante calma.
O kabraq parte para cima da moça. Num contra-ataque muito rápido, a moça esquiva-se e acerta o kabraq em cheio pelas costas, fazendo-o cair desajeitado no chão.
A platéia fica eufórica, mas os olhos da moça não saem de cima de seu oponente. Porém este, com um golpe de pernas, dá uma rasteira na ilkazenv levando-a ao chão também. Mais do que depressa, o kabraq pula em cima dela e começa a enforcá-la com as mãos.
- Ele vai matá-la! – disse horrorizada Vanessa.
Ledo engano. Ela dá dois tapas bem dados nos ouvidos do kabraq, deixando-o tonto o suficiente para aliviar a força nas mãos. Assim, a ilkazenv consegue dar uma chave de braço e, com uma cambalhota, ela imobiliza o oponente no chão.
Imobilizado, o kabraq grita “kotaplov”, sinal de desistência. A moça indefesa torna-se a vencedora do combate.
A platéia vai ao delírio.
- Já achei Gaia. Pedi pra mandarem vir aqui. – disse Trec voltando para a mesa.
- Você perdeu, Trec. A luta foi muito legal! – disse Gano.
O grupo está surpreso com o resultado da luta. Enquanto a moça sai do ringue, os autofalantes anunciam o nome da vencedora.
- A vencedora do combate é GAIA!
- GAIA??? – surpreende-se todo o grupo.
- Sim. Era ela quem estava lutando. – falou Trec calmamente.
- Por que não nos contou antes? – reclamou Silas.
- Vocês não pareciam ter pressa. – devolveu Trec.
Minutos depois, Gaia aproximou-se da mesa.
- Eram vocês que queriam falar comigo? – perguntou timidamente.
- Meu nome é Silas e estes são Gano, Vanessa e Sônia. Viemos falar com você por indicação do capitão Zonan.
- “Capitão”? Vocês conseguiram convencê-lo a sair da aposentadoria? – sorriu Gaia.
- Isso mesmo! É uma grande honra participar de nossa missão. – disse o sempre arrogante Trec.
- Que missão?
Silas explicou a Gaia sobre os últimos acontecimentos e a busca por uma salvação para a humanidade.
- Então, vocês precisam de uma engenheira, certo? – concluiu Gaia.
- Sim. Mas lembre-se que são 10 anos. Não precisa aceitar se achar que é muito tempo. – avisou Silas.
- Sempre acompanho meu pai quando ele é capitão.
Todos ficaram surpresos.
- Zonan é seu pai? – perguntou Vanessa.
- Eu vi a foto da esposa dele. Ela era uma ilkage. – estranhou Sônia.
- Eu fui adotada. Sou a única sobrevivente da Compassiva. Eu tinha três anos e, na hora da explosão, por sorte, eu estava brincando dentro de uma cápsula de fuga.
- Gaia, você não sente alguma mágoa dele? Afinal, ele atirou na nave onde deviam estar seus pais. – perguntou Vanessa.
- Não! De forma alguma! A Compassiva era uma nave de assistência social da Confederação. A falecida esposa dele era uma assistente social.
- Então você já era órfã?
- Isso mesmo. A missão da Compassiva era levar órfãos de várias raças de um planeta para outro.
- É por isso que ninguém deixa Zonan em paz mesmo depois de 20 anos. Ninguém esquece que ele é responsável pela morte de vários órfãos. – comentou Gano.
- Zonan e sua esposa nunca tiveram filhos. Para ele, eu sou como uma filha de verdade, pois Zanet (mulher dele) dizia que as crianças de quem cuidava eram como filhos para ela.
- Ele não te adotou por culpa e sim por amor. Isso é lindo! – comentou Vanessa, emocionada.

0 comentários:

Postar um comentário

ANTES DE COMENTAR:

- não escreva em CAIXA ALTA;
- não divulgue links;
- não escreva com miguxês, internetês e similares;
- respeite as opiniões apresentadas.

Obrigado.

 
T.E.C. © 2010 | Designed by Trucks, in collaboration with MW3, Broadway Tickets, and Distubed Tour | Customized by Sybylla