CAPÍTULO 15 - Preparando a missão

- Foi justo o que o senhor fez. – admirou-se Silas.
- Não sei ao certo. Esta mudança levou a uma atividade maior dos Zortars. Como eu já disse, toda mudança pode trazer mais problemas do que soluções.
- E quanto aos Kabraqs? – perguntou Gano.
- Eles disseram que, se um dia eu mudasse de idéia e buscasse por armas, eles dariam todo o apoio necessário.
- E é justamente do que precisamos! – animou-se Gano.
A 2ª Universidade ficava no planeta Paront, há 100 anos-luz de Ilkage, planeta natal dos ilkages, central da Confederação. Embora o planeta Kabraq estivesse a 150 anos-luz de Paront, o Conselho kabraq pediu para Silas e seus amigos irem até Kaprol, planeta de pesquisas kabraq, há 250 anos-luz. Uma viagem um pouco comprida, levando-se em conta que uma nave da Confederação viaja a 10 anos-luz por dia. Ainda mais levando-se em conta que não havia uma janela direta e a viagem foi feita em escalas.
Sônia iria numa nave humana. Vanessa iria fazer um trabalho com uma amiga, mas prometeu que daria um jeito de chegar a tempo.
Silas e Gano primeiro viajaram para Branquit, onde fizeram uma escala de 2 dias. Em seguida foram para Hormelok, onde ficaram pouco pois logo outra janela se abriu para Laartf que levou-os a fazer uma escala de três dias. Aqui Gano aproveitou para curtir uma festa, mas precisou ficar escondido depois dar uma “cantada” na namorada do chefe do crime local. Após 30 dias chegaram a seu destino.
Durante a viagem, mais duas naves humanas foram abatidas por zortars, mas as mortes foram menores graças à ajuda dos kabraqs.
- Tem certeza que é aqui que encontraremos Sônia e Vanessa? – checou Silas.
- Positivo. Esta lanchonete é a mais próxima do espaçoporto e é bem localizada. Conferi com elas o nome daqui. – respondeu Gano.
- Já tem as coordenadas exatas para onde vamos?
- Memorizei todos os 30 números.
Nisso, Vanessa chegou. Deu um beijinho em Silas, deixando-o constrangido.
- Oi gente! Tudo bem? O que vocês estão conversando?
- As coordenadas para onde iremos! Gano já decorou todos os números! – respondeu Silas nervosamente.
- É uma loucura esse sistema da Confederação. Pra que tanto número?
- A galáxia é grande. Esse sistema de coordenadas dá uma precisão de até 30 segundos-luz . – respondeu Gano.
- E esta precisão só é possível pois a base numérica da Confederação é Hexadecimal, ou seja, o símbolo “10” seria a representação numérica de um conjunto de dezesseis unidades. Esta base é de origem pazenv, pois os mesmos têm, somando as duas mãos, dezesseis dedos. Isso o Gano me ensinou durante a viagem. - mostrou-se Silas.
Vanessa balançou a cabeça.
- Você não sabe como funciona as coordenadas? – perguntou Silas.
- Nunca entendi. Pode me explicar?
Gano deu um sorriso. Até as crianças humanas aprendem na escola essa matéria. Vanessa devia já saber, mas queria fazer Silas explicar para poder elogiá-lo.
- É meio complicado... – reclamou Vanessa.
- Por isso não dava para dar as coordenadas simples que eu tinha registrado na memória! – apareceu Trec, antes que Silas pudesse responder.
- O seu sistema é mais fácil? - perguntou Sônia, chegando e pegando a conversa pelo meio.
- É claro! Temos um GPS: Sistema de Posicionamento Galáctico. Qualquer nave entra em contato com satélites nas bordas da galáxia e recebe orientação para onde apontar para ir a seu destino.
- Trec, a idéia é boa, mas nossos sistemas de comunicação não são instantâneos. Qualquer mensagem vinda das bordas da galáxia dependeria de janelas de transmissão e poderia levar meses para chegar na nave. – respondeu Sônia.
- Oh, desculpe. Esqueci que vocês ainda se comunicam usando sinais de fumaça... – criticou o holograma.
- Vamos mudar de assunto. É muita astrofísica para um dia só. – propôs Silas.
- Sônia, o que é isso no seu rosto? – perguntou Gano.
- É um creme para me proteger dos raios UV. A camada de ozônio deste planeta é um pouco fina.
- Mas o sol daqui é fraco! É uma estrela do tipo anã vermelha!
- Nunca se sabe!
- Todo mundo já chegou. Não é hora de seguirmos na missão? – interrompeu Trec.
- Tudo bem! Tudo bem! – disse Silas levantando-se.
O grupo seguiu para o Centro de Pesquisas Kaplar, onde se encontraria com Ropeu, chefe do instituto.
- Sejam bem vindos! – saudou o kabraq.
- Meu nome é Silas e esta é a minha equipe. Viemos em nome da 2ª Universidade.
- Eu sei, eu sei! Recebemos o comunicado! Estamos empolgados com essa parceria! – falava o kabraq em alta voz.
- Acho que devemos começar conhecendo a nave. – propôs Gano.
- É claro! É nosso maior orgulho! Sigam-me.
O grupo entrou numa espécie de elevador. Era uma cabine que levava a outros setores do centro de pesquisas, mas movia-se tanto na vertical como na horizontal.
- Quando a parceria foi proposta, iniciamos o projeto da nave. O projeto em si mudou muitas vezes, sempre adequando a nave às novas descobertas e tecnologias que apareciam. Hoje ela é a nave mais moderna da Confederação. – explicava Ropeu.
O grupo chegou a um salão onde se encontrava uma nave. Ela tinha o tamanho de uma pequena casa com sobrado e tinha um formato que lembrava os antigos ônibus espaciais do planeta Terra.
- A nave foi feita para 10 passageiros e 2 tripulantes. Ela tem dois andares sendo que o andar debaixo conta com um laboratório para pesquisa de artefatos.
- Podemos entrar na nave? – perguntou Gano.
- Claro! Claro!
Uma pequena plataforma desceu da nave. Nela, estava um jovem kabraq em posição de guarda. Tão logo viu o grupo, prestou uma continência kabraq.
- Bevra apresentando-se!
- Senhores, este é Bevra, cadete recém-formado da Academia Militar de Kabraq. – apresentou Ropeu.
- Prazer, Bevra. Meu nome é Silas. – cumprimentou.
- O prazer é meu, senhor! – respondeu como militar.
- Como vocês sabem, todo kabraq passa por três anos de serviço militar obrigatório e mais uma missão estágio para completar o treinamento. Só assim os kabraqs se tornam cidadãos . Bevra se formou com as melhores notas da academia e sua missão estágio será dar suporte como escolta para vocês. – disse Ropeu.
- Estou preparado para dar defesa tática e física! – continuou gritando Bevra.
- Relaxa, homem! Vamos procurar artefatos, não entrar em guerra. – propôs Gano.
- Sim, senhor! Relaxando! – continuou gritando.
Enquanto entravam na nave, Vanessa perguntou:
- O que acontece com os kabraqs que não se formam?
- Os kabraqs que não se formam são marginalizados na sociedade, acabando por aceitar empregos inferiores ou até se tornando criminosos.- explicou Silas.
- Kabraqs que não se formam estão entre os seres mais perigosos do Universo. - completou Gano.
Dentro da nave, Silas voltou-se para os kabraqs.
- Há algo que devem saber: estamos indo para um sistema morto. A viagem de volta deve durar quase 10 anos.
Ropeu ficou pensativo, enquanto Bevra continuou:
- Estou preparado para uma viagem de até 20 anos, senhor!
- Algumas modificações serão necessárias... Serão sim... – balbuciava Ropeu.
O grupo estava no laboratório. Gano propôs:
- Este laboratório, por exemplo, não acho necessário.
O grupo seguiu para a sala de armas.
- Aqui colocamos um disruptor padrão para o caso de algum combate rápido com outra nave. – mostrou Ropeu.
No andar de cima estava a cabine de pilotagem.
- Neste andar há uma cabine, cozinha, dois quartos para pesquisadores e um para a tripulação.
Olhando em volta, Gano observou algo com o qual já estava habituado:
- Uma cadeira de comandante? Somos só nós. Não é preciso.
- O regulamento kabraq ordena que haja um capitão numa nave com cinco pessoas ou mais. – explicou Ropeu.
- Deixa o milico aí. Não precisamos de escolta. – apontou para Bevra.
- Toda nave kabraq deve ter um segurança, senhor! – defendeu-se Bevra.
- Também vamos precisar de um engenheiro. Eu entendo de Xenobiologia, Física e Bioquímica, mas pouco de engenharia. – disse Sônia.
- O capitão poderá indicar um engenheiro. – disse Ropeu.
- E onde encontramos nosso capitão? – perguntou Silas.
- Essa que será a parte difícil. Com a declaração de guerra dos zortars, todos os capitães kabraq estão tentando manter a segurança dos humanos. Os ilkages e os pazenvs não estão dispostos a fornecer capitães.
- Então é só com a gente! – concluiu Gano.
- Contra as regras, senhor! – respondeu Bevra.
- Dá pra falar mais baixo?
- Há ainda uma esperança: há neste planeta um ex-capitão de frota aposentado. Ele é um ilkage, trabalhou para eles e depois para os kabraqs. Se convencê-lo, ele pode ser o capitão da nave de vocês. – disse Ropeu.
- E qual o nome dele? – perguntou Silas.
- Zonan.
Gano ficou pensativo:
- Eu já ouvi esse nome... Espere! Lembrei quem ele é!
- Que bom. Podemos convencê-lo a ir conosco. – disse Sônia.
- Se é quem estou pensando, não sei se vamos conseguir...

2 comentários:

  1. Anônimo disse...:

    Oi! Tens notas de rodapé sobre cada planeta?

  1. Narrador Briee disse...:

    Bom, no blog eu evitei usar notas de rodapé devido à dinâmica do site, mas num futuro livro poderei ampliar um pouco este conhecimento. Se eu colocasse no texto agora, haveria um ponto de parada um pouco cansativo. Vou ver se aprendo um pouco mais como usar o blog para criar links que levem diretamente a notas assim. No livro original eu não cheguei a colocar enotas sobre os planetas mas acho que seria muito interessante.

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