CAPÍTULO 11 - Dias difíceis

Nos dias que se seguiram, nunca a humanidade foi tão marginalizada. Muitos humanos perderam seus empregos em empresas da Confederação. Todos temiam ser alvos potenciais dos zortars. Muitas naves humanas começaram a buscar oportunidades fora dos limites da Confederação, sob risco de serem atacados sem defesa dos kabraqs. Mesmo laços de convivência eram desfeitos; humanos ficavam isolados de antigos colegas da Confederação.
Silas não ficou livre disso. Precisou ir morar com Gano, pois os alojamentos da 2ª Universidade foram esvaziados de humanos.
As aulas ocorriam ao ar livre, em turmas onde só havia humanos e longe do campus da Universidade. Nisto, Vanessa acabou entrando numa turma onde o professor Silas lecionava.
- Professor Silas, sua aula foi ótima!
- Obrigado, Vanessa. Como você está?
- Estou bem. Estou morando com uma amiga ilkage. Ela é meio louca, mas é legal.
- Estamos tendo que nos adaptar. Mas, e sua bolsa? Não pode mais trabalhar como telefonista no campus.
- Meus pais estão me ajudando. Está complicado, mas eu consigo!
- Eu estou voltando pra casa. A gente se vê próxima aula.
- Posso acompanhá-lo até sua casa?
Silas corou um pouco. Vanessa estava ficando próxima demais para uma aluna. Antes que pudesse responder, ela pega o material de Silas e segue para a rua.
- Vamos, professor!
Sem muita reação, Silas leva sua aluna até a porta da frente do apartamento de Gano.
- Obrigado pela ajuda, Vanessa. Pode deixar que eu carrego minhas coisas. – dizia, enquanto girava a chave na porta.
- Então é aqui que o senhor está morando? – foi entrando sem ser convidada.
- Vanessa, eu...
- Professor, está um calor danado! Pode me dar um copo d’água? – perguntou enquanto tirava a blusa de frio.
Sem saber muito o que fazer, Silas levou água até Vanessa, sentada no sofá.
- Vanessa, eu, quero dizer, nós, isto é... – gaguejava o professor.
- Tudo bem, Silas? – perguntou Vanessa, tratando-o, pela primeira vez, pelo primeiro nome.
- Olha, eu sei que nós dois somos adultos, somos maiores de idade, veja bem...
- O que foi? – pergunta Vanessa acariciando os cabelos de Silas.
- Que foi que é antiético uma aluna namorar seu professor! – exaltou Trec, aparecendo na sala e desaparecendo em seguida.
- Ele não lhe dá folga, hein? – disse Vanessa constrangida.
- Não mesmo. Está sempre me vigiando! – respondeu Silas com um riso nervoso.
Um silêncio devastador toma conta da sala. Nem Silas, nem Vanessa sabiam o que falar e muito menos para onde olhar. De repente, a campainha tocou.
- Oh! Preciso atender! – levantou-se Silas aliviado.
- Isso! Você precisa atender! – respondeu Vanessa, também aliviada.
Era Sônia. Olhando para a sala, ela pergunta:
- Estou interrompendo algo?
- Não, não. Vanessa está aqui porque me ajudou a trazer minhas coisas. Estavam muito pesadas.
- Oi, Sônia. Fazendo um passeio?
Sônia sentou-se pesadamente no sofá.
- Fui demitida.
- O quê?! – assustou-se Silas.
- Eu era a única humana ainda no centro de pesquisa.
- Entendi... – chateou-se Silas.
- Eu vim aqui para saber se há vagas aqui ou se você conhece alguém que tenha. Não desejo permanecer em naves humanas.
- Aqui já é muito apertado, mas talvez Vanessa...
Antes que Vanessa pudesse responder, o holocelular de Silas tocou.
- É o sinal de que chegou uma notícia. Desde a ameaça dos zortars, meu aparelho está preparado para receber notícias sobre humanos.
- E o que é? – perguntou Vanessa.
- Vou direcionar para a holovisão para todos vermos.
A holovisão (ou HV como muitos abreviam) começou a passar uma notícia aterradora.
- Acaba de ser destruída a Terra 1, a maior nave colônia da humanidade. – noticiava a apresentadora.
- Meu Deus! Moravam lá centenas de milhares de pessoas! – assustou-se Sônia.
- Num ato inesperado, uma nave zortar descamuflou-se próxima à nave humana, fazendo um ataque devastador. As naves kabraq em patrulha não conseguiram chegar a tempo de impedir o desastre. As cenas gravadas das naves em patrulha são assustadoras.
A holovisão começou a mostrar a Terra 1 recebendo ataques e explodindo em seguida.
- Calcula-se que, pelo menos, 400 mil pessoas morreram no ataque.
Gano entra desavisado. Encontrado os visitantes, pergunta:
- E aí, gente? Quais as boas novas?

2 comentários:

  1. Anônimo disse...:

    Legal o toque de humor no final!
    Vem cá, já pensaste na possibilidade de fazer uma revistinha em quadrinhos referente a cada capítulo? De repente, usando o cartunista que desenhou a capa do livro. Acho que iria ficar bem bacana. Eu compraria.

  1. Narrador Briee disse...:

    Estou de volta das férias! Desculpem a demora nas respostas pois passei numa chácara onde não tinha nem sinal de celular.
    Eu acho a idéia interessante. Porém, preciso da ajuda de amigos para isso. O cartunista é profissional e sairia caro pedir uma revista inteira. Um amigo está planejando fazer uma pequena animação em flash como se fosse um trailer do livro, mas não tive notícias dele.
    Quem quiser se habilitar, colocarei os créditos dos desenhistas.

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