CAPÍTULO 10 - Tragédia anunciada

- Eu sou Apacon, líder do clã JAVIRT dos Zortars. Há anos, durante a Guerra com a Confederação assinamos um pacto de não agressão.
Este pacto foi rompido pela Confederação ao prender dois de nossos representantes que queriam de volta apenas um apetrecho roubado.
Temos notícia que nossos representantes queriam a paz, pois se negaram a matar o bandido humano que roubou nosso artefato.
Como todo este mal-entendido se deu por culpa de um humano, o clã JAVIRT irá caçar e destruir todas as naves humanas do setor, dentro ou fora dos limites da Confederação.
Nenhum alvo da Confederação será atacado, a não ser que exista um humano lá.
Por isso, peço à Confederação que nos entregue todos os humanos ou somente o humano que nos roubou. Até lá, afastem-se deles que nada acontecerá.
- Canalha! Há anos eles atacam pequenas naves da Confederação e querem dar uma de bonzinhos! – reclamou Gano.
Silas e Gano aguardavam numa saleta assistindo à gravação da transmissão feita há alguns dias. Na sala ao lado, estavam os representantes das três raças da Confederação. Iriam debater que atitude tomar em relação à transmissão.
- Olá, pessoal! – disse Vanessa entrando na sala acompanhada da Dra. Sônia.
- Algum resultado da reunião? – perguntou Sônia.
- Eles estão lá faz algumas horas. Nada foi decidido ainda. – respondeu Silas.
- Espero que eles tenham juízo e coloquem a humanidade sobre proteção. – torcia Gano.
- A humanidade já está sentindo os efeitos. Ninguém mais quer fazer comércio conosco. – comenta Sônia.
- E eu sinto que estou sendo isolada dos outros alunos não humanos. – falou Vanessa.
- Eu deveria ter seguido o seu conselho, Gano. Nada disso teria acontecido se eu tivesse deixado aquela caixa no planeta. – lamentou Silas.
- Desencana. Os zortars podiam ter feito coisa pior se pegassem a TEC.
Nisto, um representante do Conselho da Confederação chamou Silas. O representante kabraq parecia alterado.
- O conselho já tomou uma decisão. – anunciou o representante ilkage.
- Os kabraqs aumentarão as patrulhas nos sistemas mais visitados pelos humanos e não permitiremos ações hostis dentro dos limites seguros. Não somos covardes! – olhava o representante kabraq para o pazenv.
- Os pazenvs acham que deveríamos entregar todos os humanos aos zortars, pois eles não são membros da Confederação. Não precisamos mudar nosso cotidiano por conta de uma nova guerra.
O kabraq olhou nervoso o pazenv.
- Porém, em nome da civilidade, os pazenv somente vão parar de trabalhar e negociar com humanos. – continuou o representante.
- Os ilkages também não viram necessidade de proteger uma raça não confederada. Como os humanos têm pouco a nos oferecer, também estamos encerrando contratos a fim de nos proteger. – anunciou o representante ilkage.
- Os kabraqs continuarão amigos dos humanos! Não é justo o que eles estão passando! – defendeu o kabraq.
- Não precisa ser assim! Eu posso me entregar e poupar todo mundo! – disse Silas.
- Mas não é o que nós queremos. – respondeu uma voz que Silas ainda não percebera.
Silas olhou para trás. Era Ruan Garcia, representante humano.
- Sr. Garcia, os humanos não precisam sofrer... – começou Silas.
- Silas, você nos ajudou muito ao descobrir sobre nossa origem. Não vamos entregá-lo. E depois, o que os zortars poderiam fazer se tivessem a TEC?
- Mas os humanos perderão todos os negócios. Muitos perderão o emprego.
- Ainda temos os kabraqs e um pé de meia que fizemos nos últimos dias depois de sua descoberta. Ficaremos bem!
Saindo da sala do conselho, Silas contou aos seus amigos sobre a decisão da Confederação.
- Pazenvs covardes! Morro de vergonha de ser um deles! – lamentou Gano.
- Silas, o que você vai fazer? – perguntou Vanessa.
- Só posso esperar que os kabraqs nos protejam.
- Desculpe dizer isso, Silas, mas será que você não pode tentar negociar a sua entrega com os zortars? Talvez eles poupem sua vida.
Todos olharam para Vanessa.
- Você é louca? Os zortars adoram comer carne de raças sensientes! O Silas iria virar churrasquinho! – protestou Gano.
- Hum... Não necessariamente. Para os zortars é mais negócio ter Silas como escravo deles do que tentar descobrir a tecnologia por trás da TEC. O clã Javirt geralmente usa tecnologia dos outros. Nunca desenvolve uma própria. – disse Sônia.
- Há ainda outra alternativa! – disse Trec aparecendo.
- E qual é? – perguntou Gano.
- Procurar os UPGRADES.
- UPGRADES? – perguntou Sônia.
- São acessórios que deixam a TEC mais poderosa, mas é loucura achar que eu, sozinho, posso derrotar os zortars! – rebate Silas.
- Ei! Não é tanta loucura assim! – disse Gano.
- Um homem contra uma raça? – estranhou Sônia.
- Não exatamente. Trec, os locais onde estão os UPGRADES já foram habitados por humanos?
- Alguns sim, por quê?
- Devem ser grandes sítios arqueológicos onde podemos achar tecnologia que os humanos daqui podem usar para se defender!
- Acho pouco provável. Os humanos que você chama de Precursores não deixariam nada pra trás. Só ocasionalmente eles deixam alguma coisa.
- Não custa tentar.
Silas balançou a cabeça.
- Olha, eu não vou sair pela galáxia atrás do Santo Graal...
- Santo Graal? - perguntou Gano.
- É um artefato lendário da Terra. Tinha poderes de cura e até imortalidade. – explicou Sônia.
- E vocês acharam?
- Ninguém achou porque é isso que ele é: uma lenda! Não existe, seu alienígena demente! – respondeu Trec.
- Garcia pediu para confiarmos nos kabraqs. É isso que vou fazer. – pronunciou Silas.
- A humanidade dependendo de outra raça para se defender? Se eu pudesse, me apagaria. Que decadência... – e desapareceu.

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