Capítulo 6 - T.E.C.

- Quer matar a gente, Silas??? – bradou Gano.
- Você ouviu o professor! Isto não poderia cair nas mãos dos zortars!
- E o que é isso?
- Parece um cubo de metal, mas é um metal diferente. Talvez seja coisa dos Precursores.
- Precursores?
- É assim que os arqueólogos têm chamado a raça tecnologicamente avançada que criou os artefatos que temos encontrado.
- Isso parece uma caixa blindada. O que o professor queria dizer com “senha”?
- Eu não sei. Lembro que brincávamos, pois o mês que iniciamos a tese foi mao, parecido com “maio”, um mês da terra em que era comemorado o dia do trabalho. O curioso é que nesse dia, ninguém trabalhava.
- Que dia era esse?
- Primeiro de maio.
Ao dizer estas palavras, o cubo de metal se abriu como uma caixa, exibindo um artefato em seu interior.
- Silas, tem idéia do que é isso?
- Parece um bracelete. Tem quase o tamanho do meu antebraço.
- Tem uma imagem desenhada.
- Parece um ícone indicado para colocá-lo no braço direito.
- Coloque-o.
- Acha que é seguro?
- Só colocando pra ver!
Silas coloca o bracelete e o fecha. No mesmo, instante luzes e uma música alta percorreram a nave. Na frente de Silas, aparece um vulto de luz que diminui seu brilho até ficar nítida a imagem de um ser humano de meia idade, alto e um pouco careca.
- Desculpe-me pela entrada espalhafatosa. Como não sou ativado há 5000 anos, foi necessário um procedimento de teste para verificar se está tudo em ordem.
- Quem é você??? – pergunta Silas assustado.
- Como “quem sou é você?”? Sou o holograma de ajuda da TEC. Isso não foi passado no seu treinamento?!
- Que treinamento?
O holograma olha em volta.
- Espera aí! Não estamos numa nave humana! Estamos sendo raptados por esse alienígena verde aí? – apontou para Gano.
- Não! Ele é amigo.
- A humanidade deve estar muito enrascada mesmo para pedir a ajuda de uma raça inferior. Olha só essa banheira! – apontava para a nave.
- Ei! – reclamou Gano.
- Aposto que ainda deve estar na era da propulsão distorçor do tempo-espaço. – continuou o holograma.
- Usamos hiperpropulsão. – respondeu Silas.
- Meu Deus! Voltamos à época das Grandes Navegações!
- O que está acontecendo aqui? O que é TEC? – perguntou Gano.
O holograma deu um sorriso.
- O humano irá responder a você.
- Na verdade, nem eu estou entendendo nada. - protestou Silas.
O homem arregalou os olhos.
- Não sabe o que é uma TEC??? Todo ser humano sabe!
Silas começou a deduzir.
- Espere aí! Você é uma invenção dos humanos nativos, quero dizer, dos humanos que vivem no planeta Terra?
- Mas é claro! Nossos maiores centros de pesquisa estavam lá e... – neste instante, o holograma assustou-se ainda mais – você é um daqueles humanos que deixaram a Terra antes da 1ª Guerra Espacial???
- Sou descendente deles.
Uma cadeira holográfica surgiu, onde o holograma se sentou.
- Mas é claro! Por isso vocês não sabem de nada. Esperávamos encontrá-los após a guerra, mas nunca os encontramos. Depois de 1000 anos ninguém mais lembrava de vocês. Por isso vocês estão falando na antiga língua portuguesa e não Esperanto II .
- Grande parte da Confederação fala português por dois motivos: é uma língua relativamente fácil entre as raças e porque os humanos se tornaram grandes comerciantes na Confederação, tornando a língua portuguesa comum no comércio local.-explicou Gano.
Silas começou a ficar empolgado.
- Conte o que aconteceu depois que partimos!
- O grande erro dos nossos invasores foi nos subestimar. Nós entendíamos perfeitamente suas transmissões, pois já os tínhamos entendido enquanto eles estavam em guerra no planeta do sistema estrelar vizinho ao nosso.
Quando eles começaram a invasão, já havíamos desenvolvido muitas armas, escutávamos suas transmissões e pudemos derrotá-los. – explicou o holograma.
- E o que aconteceu depois?
- No geral, nos desenvolvemos muito, pois com a guerra, colocamos todas as diferenças culturais de lado e começamos a trabalhar todos juntos. Chegamos a desenvolver uma língua universal que chamamos de Esperanto II.
Ainda tivemos algumas escaramuças com outras raças, mas sempre vencemos.
- E o que é TEC?
- “Tecnologia Estrelar Complementável”. É isso que está no seu braço. É o modelo β. Última palavra em tecnologia para defesa da Terra.
- O que faz a TEC?
- Para começar, transmissão em tempo real. Você pode conversar com qualquer transmissor da Galáxia, isto é, desde que a TEC tenha um contato prévio com a tecnologia para entendê-la.
- Isto é ótimo! Não ficamos dependentes das janelas de transmissão hiperespaciais. – apontou Gano.
- Transmissões hiperespaciais??? O que falta agora? Telefones de lata e barbante? – respondeu o holograma com cara deprimida.
- Bom, o que mais a TEC faz? – continuou Silas.
- Diga a palavra “nevidebla”.
- Nevidebla.
Silas começou a enxergar tudo em preto e branco. Gano começou a olhar para os lados.
- Gano, o que foi?
- Silas, você está aí?
- Claro! Na sua frente!
- Você está invisível, esperto! – chamou a atenção o holograma.
- Claro! Nevidebla é “invisível” em Esperanto! Mas como isso é possível?
- A TEC gera um campo refletor que faz a luz dar a volta em torno de você e do que você estiver segurando, ao mesmo tempo em que faz estrapolações da radiação infravermelha e as transmite diretamente à frente de seus olhos. Por isso que você enxerga em preto e branco. Para ficar visível, diga “videbla”.
- Videbla.
E tudo voltou ao normal.
- Isso é incrível! A TEC faz mais alguma coisa?
- Ela pode, mas são precisos outros módulos de UPGRADE. É por isso que se chama “Complementável”.
- Gano, há fotos das últimas explorações nesta nave?
- Sim. Estão no computador.
- Mostre ao nosso amigo as fotos dos artefatos avançados.
- Avançados?
- Sim. Quero que você me diga se foram desenvolvidos pelos humanos.
As fotos começaram a passar. O holograma confirmava que todos foram feitos por humanos.
- Vocês não desenvolveram aparelhos melhores nos últimos 10.000 anos? – assombrava-se o holograma.
- Chegamos a pouco mais de 100 anos. Durante este tempo, estávamos congelados em câmaras de hibernação. Mas, Gano, você sabe o que isso significa?
- Que voltei a Idade Média? – lamentou o holograma.
- Não, Silas.
- Eu e o professor estávamos certos! Os Precursores são humanos nativos! Preciso mostrar nossa descoberta ao Biar!
- Ei, espere aí! Não foi o Biar que disse que você seria demitido se voltasse a falar dessa tese?
- Sim, mas temos o holograma para confirmar tudo. Além do que, devemos isso ao professor.
- Entendo que você queira honrar a memória do professor, mas não sei se o nosso amigo TRECO aí vai convencer o reitor. Ele é um pazenv.
- TRECO??? – ofendeu-se o holograma.
- Como eu tiro a TEC?
- Não tira. Está me chamando de TRECO???
Silas levantou as sobrancelhas.
- Como não assim, “não tira”?
- Em função de segurança, a TEC não pode ser removida sem matar o usuário. Ela pertence ao dono até a sua morte. Chamou-me de TRECO???
- “Só colocando para ver”, Gano? – Silas olhou bravo para o amigo.
- Olhe o lado bom: esse TREC tem um visual maneiro... – sorriu amarelo Gano.
- É TEC! – Corrigiu o holograma – Pelo menos TREC é um nome menos horroroso que TRECO...

4 comentários:

  1. Augustus disse...:

    Continua boa.
    Pessoalmente, não gosto de diálogos sujos, mas também não se pode ser por demais formal. O interessante, no meu ponto de vista, que é somente um ponto de vista, seria encontrar um equilibrio entre jocozidade e a formalidade, para deixar o diálogo leve e narrativo.
    Parabéns, está cada vez melhor!

  1. Narrador Briee disse...:

    Obrigado, Augusto!
    Este foi um dos capítulos que dediquei um pouco mais de atenção para não ficar simples demais. Procuro uma linguagem leve e direta, sem perder certa formalidade. São pequenos toques que desenvolvem a personalidade dos personagens. Sempre imagino-os falando antes de escrever. Coloquei uma pequena pesquisa no alto da página para manter as novidades a cada vez que o visitante entra. Se tiver outra sugestão de atores, pode postar.

  1. Anônimo disse...:

    Faltou esclarecer quanto à lingua do tradutor. O tradutor já começa a falar diretamente em português ou ele começa em Esperanto II e depois vai para o português ou ele é automático? No resto, tá ótimo.

  1. Narrador Briee disse...:

    É verdade... A primeira frase é do holograma. Bom, seguindo a tecnologia apresentada no terceiro capítulo, o tradutor entende a língua em volta e a traduz a partir daí. Como o tradutor está imbutido na T.E.C., a tradução é automática (ainda mais porque é uma língua conhecida pelos terrestres).
    Mas, boa observação. Isto deveria ter sido melhor explicado.

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